China inaugura primeira usina de ar comprimido de 300 MW e inaugura novo patamar global em armazenamento de energia

Projeto em Yumen utiliza caverna artificial inédita, amplia integração renovável e reforça segurança do sistema elétrico chinês

A China deu mais um passo estratégico para consolidar sua liderança global em tecnologias de armazenamento de energia ao iniciar a operação da primeira usina de ar comprimido de 300 MW instalada em uma caverna artificial. O projeto, localizado em Yumen, na província de Gansu, entrou em fase operacional no dia 21 de novembro, simultaneamente à energização da linha de transmissão Huálai, de 330 kV, que fornece a energia de comissionamento da instalação.

Com a novidade, o país fecha mais uma etapa do ambicioso programa de infraestrutura definido pelo 14º Plano Quinquenal, especialmente no segmento de transmissão em 750 kV, uma das principais bases para suportar o avanço acelerado das energias solar e eólica nas regiões de maior recurso renovável do território chinês.

Marco global no armazenamento de energia em larga escala

A usina de Yumen se destaca por ser o primeiro projeto comercial do mundo a operar com armazenamento de ar comprimido em caverna artificial na faixa de 300 MW. A estrutura subterrânea possui aproximadamente 200 mil metros cúbicos, capaz de suportar pressão máxima de 18 MPa, o que permite armazenar grandes volumes de ar sob alta pressão e, assim, garantir longos períodos de autonomia.

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Durante o processo de carregamento, o sistema opera com potência de 312 MW, armazenando energia por até oito horas. Já na fase de descarga, a usina entrega 300 MW de potência contínua por seis horas, o que a coloca entre as alternativas de armazenamento de longa duração mais robustas já implementadas no mundo.

O projeto está integrado ao sistema de transmissão em 750 kV, ampliando a capacidade de escoamento e uso eficiente da energia produzida nos grandes complexos eólicos e solares da região de Hexi, uma das mais estratégicas para o planejamento energético chinês.

Tecnologia de ar comprimido ganha tração como complemento às baterias

O método de armazenamento por ar comprimido (CAES – Compressed Air Energy Storage) apresenta diferenças importantes em relação às baterias eletroquímicas tradicionais. Em momentos de excedente energético, o sistema utiliza compressores para converter eletricidade em energia interna, armazenando o ar comprimido na caverna artificial ao mesmo tempo em que captura o calor gerado durante o processo.

Na etapa de geração, o ar comprimido é liberado e combinado com o calor armazenado para movimentar turbinas e gerar eletricidade. Trata-se de uma solução de alta confiabilidade, durabilidade e baixo custo operacional, especialmente adequada para regiões com forte penetração renovável.

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De acordo com o release oficial, o modelo reforça a flexibilidade do sistema e contribui para a segurança do fornecimento, ao permitir que a energia gerada por fontes intermitentes, como solar e eólica, seja armazenada por longos períodos e utilizada nos horários de maior demanda.

Usina deve entrar em operação comercial ainda este ano

A previsão é que o projeto de Yumen entre em operação comercial no final de dezembro, ampliando imediatamente o acoplamento entre armazenamento e geração renovável na província de Gansu. A região de Hexi, um dos polos chineses de energia eólica e solar, deverá se beneficiar diretamente da capacidade adicional de estabilização da rede, com redução de curtailment e aumento da confiabilidade operativa.

Segundo o governo chinês, a nova usina contribuirá para elevar a absorção de energia renovável, estabilizar a tensão da rede em 750 kV, aumentar a capacidade de fornecimento, e servir como referência tecnológica para novos sistemas de armazenamento de grande porte.

Com a entrada do projeto, a China reforça sua posição na vanguarda de soluções de armazenamento de longa duração (LDES) e amplia o portfólio de tecnologias capazes de dar suporte a um sistema elétrico cada vez mais dominado por fontes variáveis.

Referência para novos modelos de sistema elétrico chinês

Além de seus ganhos técnicos, o projeto é apontado como um dos pilares para a construção de um novo modelo de sistema elétrico, mais flexível e resiliente, capaz de integrar capacidades renováveis em grande escala sem comprometer a estabilidade do despacho e o equilíbrio da rede.

O avanço da tecnologia CAES também abre espaço para replicação em outras regiões do país e possivelmente em mercados internacionais, especialmente em locais com alta disponibilidade de recursos renováveis e necessidade crescente de soluções de armazenamento em larga escala.

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