Com investimento de R$ 15 milhões, sistema processa 10 milhões de eventos diários e aprimora operação de Lajeado, Peixe Angical e São Manoel
A EDP deu um passo decisivo na modernização de sua gestão de ativos com a inauguração do novo Centro de Predição e Performance para Geração Hídrica, estruturado para elevar o nível de eficiência, confiabilidade e inteligência operacional das hidrelétricas do grupo no Brasil. A solução, implementada de forma faseada entre agosto e outubro, recebeu investimento de aproximadamente R$ 15 milhões e é considerada uma das iniciativas mais robustas de digitalização e análise preditiva voltada à geração hídrica no país.
O centro utiliza técnicas avançadas de digitalização e Inteligência Artificial (IA) para cruzar mais de 300 mil variáveis internas e externas, processando mais de 10 milhões de eventos diários em tempo real. A operação é integrada ao Centro de Operação da Geração e Transmissão (COGT) da empresa, localizado em São José dos Campos (SP), e atende as usinas de Lajeado, Peixe Angical (Tocantins) e São Manoel (entre Mato Grosso e Pará).
Ao incorporar dados meteorológicos, hidrológicos, energéticos e operacionais, provenientes de fontes como INMET, ANA, CCEE e ONS, a ferramenta amplia a precisão na análise do desempenho de ativos estratégicos para o sistema elétrico nacional.
IA preditiva e histórico operacional transformam a gestão da manutenção
O novo centro permite monitoramento integral em tempo real, aliado a uma estrutura inédita de manutenção baseada em comportamento, e não apenas em ciclos fixos. Isso possibilita decisões mais rápidas e assertivas, reduzindo custos e diminuindo o risco de falhas.
A iniciativa também consolida um histórico de mais de 15 anos de dados operativos, utilizado para construir indicadores robustos de confiabilidade, performance e estado de integridade dos equipamentos.
Ao explicar a relevância do projeto, o diretor de Geração Hídrica da EDP na América do Sul, Icaro Barros, destacou que o uso intensivo de dados e IA provoca uma mudança qualitativa na gestão das usinas. Antes da fala, a empresa contextualizou que o objetivo central é elevar a eficiência e permitir previsões cada vez mais precisas sobre o comportamento dos ativo.
“O objetivo é otimizar o processo de operação e manutenção das nossas hidrelétricas, tendo uma base maior e mais confiável de dados que permite prever falhas ou problemas, e tornar decisões mais assertivas. É um passo decisivo na modernização da gestão de ativos e na aplicação de inteligência artificial à operação de usinas hidrelétricas, essencial para atender os novos desafios do setor”, afirmou Barros.
A fala reforça o movimento de digitalização da geração hídrica em um momento em que o sistema elétrico nacional exige mais flexibilidade operativa para integrar a crescente oferta de fontes renováveis intermitentes, como eólicas e solares.
Três módulos estruturam a arquitetura tecnológica do centro
A entrada em operação do Centro de Predição ocorreu em três etapas complementares:
1. Módulo 1 (Estatística de falhas e análise histórica): Utiliza dados de longo prazo para identificar padrões de falhas em equipamentos e prever comportamentos futuros. Permite estimar frequência, causas e componentes mais sensíveis.
2. Módulo 2 (Regras de especialistas com análise automatizada): Integra conhecimento de engenheiros e operadores experientes a sistemas de IA. As regras definidas por especialistas são aplicadas automaticamente a cenários reais, ampliando a precisão da detecção de desvios.
3. Módulo 3 (Inteligência artificial de última geração): Emprega algoritmos treinados para detectar anomalias e irregularidades sutis, muitas vezes imperceptíveis à análise humana. É o módulo que dá o salto tecnológico mais relevante, permitindo antecipar sinais críticos com maior antecedência.
Os três módulos atuam em sinergia, emitindo alertas em tempo real para auxiliar equipes de operação e manutenção na tomada de decisão.
Hidrelétricas da EDP seguem entre as melhores do Brasil
O avanço tecnológico reforça o desempenho já reconhecido das hídricas da EDP. Segundo ranking divulgado pela Aneel em março, as usinas Peixe Angical e Lajeado estão entre as melhores hidrelétricas do país.
A UHE Peixe Angical foi classificada como a melhor do Brasil, atingindo nota máxima em todos os critérios avaliados, Meio Ambiente, Gestão da Operação, Manutenção, Segurança e Indicadores de Desempenho. Já a UHE Lajeado conquistou o terceiro lugar, com nota geral de 99,95.
A modernização impulsionada pelo novo Centro de Predição reforça a competitividade da empresa e amplia sua capacidade de manter níveis elevados de performance regulatória e operacional.
Tecnologia preditiva fortalece o papel das hidrelétricas na transição energética
A digitalização avançada da operação hídrica aumenta a confiabilidade das usinas e permite respostas mais rápidas a variações na carga, momentos de hidrologia crítica e integrações com renováveis de menor previsibilidade.
Dessa forma, as hidrelétricas reforçam seu papel como fonte de flexibilidade para o sistema. Esta flexibilidade é um componente essencial para a segurança energética brasileira no atual horizonte de expansão renovável.



