Série histórica inédita no país mostra estabilidade geológica e padrões climáticos coerentes com a Amazônia; estudos seguem por toda a vida útil do empreendimento
A AXIA Energia divulgou um panorama abrangente sobre os resultados acumulados ao longo de 15 anos de monitoramento sísmico e climatológico na bacia do Rio Madeira, área de influência direta da UHE Santo Antônio, em Porto Velho (RO). Os dados, provenientes de um dos mais longos e detalhados programas de acompanhamento ambiental da região Norte, reforçam a estabilidade geológica do local e a manutenção dos padrões climáticos típicos da Amazônia, mesmo diante de variações naturais e fenômenos globais.
Os estudos foram iniciados ainda antes da conclusão da usina, o que permitiu estabelecer uma linha de base robusta para diagnóstico e comparação. Segundo a empresa, o objetivo sempre foi assegurar segurança operacional, atender às exigências regulatórias e gerar conhecimento científico sobre a dinâmica natural da região do Madeira, um dos sistemas hidrográficos mais complexos e sensíveis do país.
Além disso, a manutenção do monitoramento por mais de uma década fortalece a transparência ambiental do empreendimento e subsidia decisões estratégicas de longo prazo para o setor elétrico, especialmente no contexto de mudanças climáticas e eventos extremos.
Monitoramento sísmico reforça segurança da barragem e não registra eventos induzidos pela hidrelétrica
Desde 2010, a AXIA Energia acompanha de forma contínua o comportamento sísmico da região em um raio de 400 km ao redor da hidrelétrica. Os dados são coletados na área industrial da usina e em pontos complementares, como a Estação da Hidrelétrica Samuel e a Rede Sismográfica Brasileira.
A empresa enfatizou que o monitoramento geológico é uma etapa essencial na construção e operação de grandes reservatórios, uma vez que alterações na massa d’água e infiltrações podem modificar a pressão exercida sobre as rochas.
Esse contexto foi reforçado pelo consultor técnico responsável pelo Monitoramento Sismológico da Hidrelétrica Santo Antônio, Dr. João Willy Rosa, autor de estudos de referência na área e professor titular de Geofísica da Universidade de Brasília (UnB).
“O estudo de eventos sísmicos é necessário na construção de todas as hidrelétricas, pois a pressão exercida pelo peso da massa de água do reservatório sobre as rochas, além de possíveis infiltrações, podem provocar alterações no comportamento do solo da região”, explicou Dr. João.
A AXIA Energia destacou ainda que o diferencial do programa reside no fato de ter sido iniciado antes mesmo do enchimento do reservatório. Essa particularidade aumentou a precisão comparativa entre o período pré e pós-operação.
Com base na série histórica acumulada, que inclui análises de 15 anos, o Dr. Rosa complementou. “Até o momento não tivemos nenhum registro de sismicidade que possa ter sido induzido pela existência da hidrelétrica. E o mais positivo é que a região é monitorada desde antes do enchimento do reservatório, e nesses 15 anos não foi identificada nenhuma alteração. Neste aspecto, a barragem e o entorno do empreendimento permanecem seguros e inalterados”.
Climatologia confirma padrões amazônicos e influencia por fenômenos como El Niño e variações oceânicas
Paralelamente ao acompanhamento sísmico, o programa climatológico acompanha, desde 2012, variáveis como vento, temperatura, radiação solar, umidade, pressão atmosférica e índices pluviométricos. As medições são feitas em estações instaladas em Vila Nova de Teotônio e no distrito de Calama, a 180 km da usina.
A AXIA Energia ressalta que o objetivo é avaliar como esses parâmetros evoluem antes, durante e após a operação da hidrelétrica, correlacionando possíveis variações a eventos regionais ou fenômenos globais.
As conclusões da série histórica mostram que os padrões climáticos permanecem coerentes com as Normais Climatológicas do INMET (1961–1990). Pequenos desvios observados em determinados períodos foram atribuídos a fenômenos climáticos amplos, como El Niño e o aquecimento das águas do Atlântico Norte e Sul, influências recorrentes em toda a Amazônia Legal.
Para contextualizar a importância desse trabalho, a AXIA Energia destacou que compreender e antecipar variações climáticas é essencial diante dos efeitos crescentes da mudança do clima. Na sequência, o gerente de Sustentabilidade da Hidrelétrica Santo Antônio, André Vasques, reafirmou o papel dos dados no processo de adaptação.
“Compreender os padrões do ambiente e identificar fenômenos atípicos, mesmo que pequenos, é fundamental também na busca de alternativas viáveis de adaptação às mudanças climáticas”, conclui Vasques.
Monitoramentos seguem ativos e farão parte de toda a vida útil do empreendimento
A AXIA Energia informou que os programas de monitoramento, sísmico e climatológico, continuarão sendo executados durante toda a vida útil da Usina Santo Antônio, em conformidade com as diretrizes do licenciamento ambiental vigente.
A continuidade do trabalho é vista como um pilar para a segurança operacional, para o fortalecimento dos diagnósticos ambientais e para a evolução de políticas públicas em energia e meio ambiente.
Com 15 anos de dados contínuos, metodologia rigorosa e acompanhamento técnico especializado, a Usina Hidrelétrica Santo Antônio se consolida como referência nacional na integração entre geração hidrelétrica e monitoramento de fenômenos naturais.



