Com investimento de R$ 3,7 bilhões, projeto amplia a capacidade de escoamento de energia renovável no Norte de Minas e reforça a infraestrutura crítica para a transição energética brasileira
A ISA Energia Brasil concluiu a energização parcial do Projeto Piraquê, um dos maiores empreendimentos greenfield atualmente em construção no setor de transmissão. Localizado entre Minas Gerais e Espírito Santo, o projeto soma R$ 3,7 bilhões em investimentos regulatórios previstos pela Aneel e representa um reforço estratégico para o escoamento de energia renovável da região Norte de Minas Gerais, área de expansão acelerada de geração solar e eólica.
A entrega do Bloco 1 habilita a transmissora a receber cerca de 30% da Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 343,1 milhões (ciclo 2025/2026), marcando um avanço importante no cronograma e aproximando a companhia da conclusão total, prevista para 2027. O conjunto energizado envolve três subestações e duas linhas de transmissão, somando 142 km de extensão.
Infraestrutura energizada: subestações estratégicas e 142 km de novas linhas
A etapa concluída contempla a implantação da Subestação Janaúba 6 (500 kV), a ampliação das subestações Jaíba (500/230 kV, 2.750 MVA) e Janaúba 3 (500 kV), além da construção de duas linhas de transmissão em 500 kV circuito duplo:
- LT Janaúba 6 – Janaúba 3: 40 km e 82 torres;
- LT Jaíba – Janaúba 6: 102 km e 208 torres.
Esses ativos reforçam o anel elétrico da região, ampliam a confiabilidade operativa e permitem maior flexibilidade no despacho energético, reduzindo sobrecargas e minimizando a necessidade de esquemas especiais de proteção.
A execução incorporou soluções tecnológicas de menor impacto ambiental, incluindo o uso de drones para lançamento de cabos condutores, prática que reduz supressão vegetal e acelera frentes de trabalho em áreas sensíveis.
Especialista destaca avanço para a segurança e confiabilidade da rede
Ao comentar o marco, o diretor-executivo de Projetos da ISA ENERGIA BRASIL, Dayron Urrego, ressaltou a importância da energização para a malha elétrica da região e para o avanço do empreendimento.
“A energização do Bloco 1 representa um marco do Projeto Piraquê, essencial para a expansão da infraestrutura elétrica e o escoamento eficiente de energia limpa no País. A entrada em operação dessas novas instalações permite o fechamento do anel na Subestação Jaíba, o que vai elevar a confiabilidade da rede elétrica, com a redução de sobrecargas e a eliminação da necessidade de sistemas especiais de proteção”, explica Dayron Urrego.
A fala reforça o caráter estruturante do projeto para a matriz elétrica brasileira, sobretudo em uma região onde a expansão de renováveis depende da disponibilidade de infraestrutura de transmissão para permitir novos outorgamentos e evitar congestionamentos.
Execução avança com 86% de progresso físico
Com o Bloco 1 concluído, a ISA Energia Brasil concentra esforços na construção dos Blocos 2 e 3, que somam novas subestações e linhas de transmissão de longa distância, peças fundamentais para o escoamento de energia entre Minas Gerais e Espírito Santo.
As próximas entregas incluem:
- Subestações
- Implantação da SE Capelinha 3 (500 kV);
- Ampliação da SE Governador Valadares 6 (500 kV);
- Ampliação das SEs João Neiva 2, Viana 2 e Viana, no Espírito Santo.
- Linhas de Transmissão em Minas Gerais
- LT Janaúba 6 – Capelinha 3 C1: 221 km;
- LT Janaúba 6 – Capelinha 3 C2: 221 km;
- LT Capelinha 3 – Governador Valadares 6 C1: 135 km;
- LT Capelinha 3 – Governador Valadares 6 C2: 135 km.
- Linhas no Espírito Santo
- LT 500 kV João Neiva – Viana 2: 77 km;
- LT 345 kV Viana 2 – Viana: 7 km.
Esses trechos, quando concluídos, formarão um corredor de transmissão de cerca de 938 km, somando sete linhas de 500 kV e uma de 345 kV, uma das maiores malhas lineares em implantação simultânea no país.
Projeto Piraquê: uma das maiores obras de transmissão da década
Arrematado no Lote 3 do Leilão nº 01/2022 da Aneel, o Projeto Piraquê é considerado crucial para escoar geração renovável, sobretudo solar e eólica, reforçar o Sistema Interligado Nacional (SIN) na região Sudeste, descongestionar corredores elétricos hoje operando próximos ao limite e aumentar a segurança operacional em polos que recebem empreendimentos de grande porte.
O projeto também gera impactos socioeconômicos relevantes, com 7.307 empregos diretos e indiretos durante as obras, volume expressivo para municípios do Norte de Minas, historicamente carentes de investimentos estruturantes.



