Estudo do Instituto E+ Projeta Economia Bilionária com Armazenamento por Baterias e Maior Flexibilidade no SIN

Resultados preliminares apresentados na COP30 indicam que 4 GW de baterias no Sudeste reduziriam em R$ 360 milhões o custo de operação do sistema entre 2024 e 2038

Um estudo conduzido pelo Instituto E+ Transição Energética indica que a ampliação da flexibilidade operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio da integração de sistemas de armazenamento por baterias pode resultar em economia significativa para o país. Resultados preliminares apresentados durante evento do Instituto E+ na COP30 mostram que a inclusão de 4 GW de armazenamento na região Sudeste geraria redução média de R$ 360 milhões no custo total de operação, no período entre 2024 e 2038, além de queda de R$ 14/MWh no Custo Marginal de Operação (CMO) do subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

As conclusões iniciais fazem parte do estudo Otimização da Flexibilidade e Critérios de Rateio no Sistema Elétrico Nacional, desenvolvido pelo Instituto E+ com apoio técnico da MRTS, HPPA e Ampere Consultoria. O trabalho será concluído no primeiro semestre de 2026 e deve embasar recomendações estruturantes para aprimorar os critérios de suprimento de flexibilidade, a remuneração de serviços ancilares e o planejamento da expansão do sistema.

Antes de detalhar os números e impactos econômicos, o Instituto E+ enfatizou o papel central da flexibilidade para viabilizar uma maior inserção de fontes renováveis na matriz. Nesse contexto, o diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+, Clauber Leite, sintetizou a importância dos resultados preliminares.

- Advertisement -

“Esses resultados reforçam o potencial econômico da flexibilidade, traduzindo-se em uma maior inserção de fontes renováveis com economia para o consumidor”, destacou Leite.

Flexibilidade: atributo crítico para a segurança do SIN

O estudo destaca que o aumento da participação das fontes eólica e solar exige aprimoramentos na capacidade do sistema de responder rapidamente a rampas de carga, que já ultrapassam 14 GW em apenas uma hora. Embora as hidrelétricas continuem sendo o principal recurso de flexibilidade do país, o Instituto E+ alerta que restrições ambientais, hidráulicas e de usos múltiplos da água limitam seu papel.

Nesse cenário, ganha força a diversificação de tecnologias capazes de oferecer flexibilidade, como sistemas de armazenamento por baterias (BESS), resposta da demanda, agregadores de carga e novos serviços ancilares. O estudo mostra que a combinação desses Recursos Energéticos Distribuídos (REDs) com as hidrelétricas pode ampliar a eficiência do sistema e permitir a inserção segura de renováveis variáveis em larga escala.

Aprimoramentos necessários: preços, modelos e quantificação

As análises iniciais apontam que a modernização dos sinais econômicos de curto prazo e dos modelos computacionais é essencial para que o SIN opere de forma mais flexível. O relatório recomenda:

- Advertisement -
  • aperfeiçoamentos nos preços que orientam o acionamento de recursos flexíveis;
  • criação de métricas adequadas à quantificação da flexibilidade;
  • melhor representação das restrições físicas de usinas hidrelétricas nos modelos de planejamento;
  • ampliação da participação da demanda na operação.

Reforçando o caráter técnico da iniciativa, Clauber Leite apontou que o principal foco do trabalho é criar incentivos adequados e garantir uma remuneração justa às fontes flexíveis do sistema, como hidrelétricas e resposta da demanda. Ele explicou a base metodológica necessária.

“O principal objetivo é propor metodologias para aprimorar a gestão da flexibilidade no SIN e definir critérios de rateio dos benefícios associados aos serviços de flexibilidade e ancilares, de forma a garantir uma remuneração justa às fontes flexíveis, como as hidrelétricas e a resposta da demanda, e criar incentivos adequados ao seu provimento”, afirmou Leite.

Modelos mais precisos e apoio às instituições do setor

Um dos eixos centrais da pesquisa é aprimorar os modelos que simulam a operação do sistema em curto prazo, etapa decisiva para dimensionar a necessidade de contratação de recursos flexíveis. O estudo propõe que o NEWAVE e outras ferramentas oficiais representem com maior precisão as restrições individuais e horários das usinas hidrelétricas.

Ao detalhar o avanço metodológico, Juliana Pontes de Lima, coordenadora do estudo no Instituto E+, pontuou que o aprimoramento é essencial para mensurar a contribuição real das hidrelétricas para a flexibilidade do SIN. Ela ressaltou a importância desse dado para a gestão energética

“O objetivo deste aprimoramento é fazer com que o modelo reflita de forma mais fiel a contribuição das hidrelétricas para a flexibilidade do sistema, apoiando assim o ONS na operação do SIN”, destacou Pontes.

Segundo o Instituto E+, as propostas do estudo poderão apoiar o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no desenvolvimento de um critério nacional de suprimento de flexibilidade, que deverá ser submetido ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Benchmark internacional e métricas inovadoras

A pesquisa também inclui um amplo benchmark de sistemas como CAISO, PJM, AEMO, MIBEL e Chile, referências globais na integração de renováveis variáveis. Com base nesses modelos, foram propostas métricas adaptadas ao contexto brasileiro, incluindo:

  • IRRE – Expectância de Insuficiência de Recurso de Rampa
  • EDF – Expectativa de Déficit de Flexibilidade
  • Constrained-off – percentual de renováveis cortadas por insuficiência de flexibilidade
  • Variação do CMO e Redução do Custo Total de Operação
  • Curva do Pato (Curva do Tuiuiú)

Segundo o Instituto E+, esses indicadores fornecem bases técnicas para comparar tecnologias, estabelecer critérios operativos e orientar a contratação de recursos.

Resultados econômicos: economia para o consumidor e ganhos sistêmicos

As simulações preliminares reforçam que a expansão do armazenamento pode reduzir custos sistêmicos e viabilizar maior participação de renováveis. Entre os principais ganhos estão:

  • economia média de R$ 360 milhões no custo total de operação entre 2024 e 2038;
  • redução de R$ 14/MWh no CMO do subsistema Sudeste/Centro-Oeste;
  • maior aproveitamento de geração renovável em períodos de excesso;
  • menor necessidade de despacho térmico.

Para o Instituto E+, os resultados comprovam o valor econômico da flexibilidade e apontam direções claras para modernizações regulatórias, operativas e metodológicas.

Brasil preparado para liderar a próxima fase da transição energética

O estudo conclui que o Brasil reúne condições excepcionais para se tornar referência global na integração eficiente de renováveis, combinando matriz majoritariamente renovável, forte interconexão e ampla experiência operativa.

Entre as recomendações apresentadas estão:

  • incorporação das métricas de flexibilidade nos estudos da EPE;
  • adoção dos indicadores pelo ONS para despacho e sinalização de preços;
  • aprimoramento do NEWAVE para melhor representar a dinâmica horária das usinas.

As próximas etapas incluem análises quantitativas adicionais, diagnóstico aprofundado das necessidades de flexibilidade e propostas para contratação de recursos, sempre em diálogo contínuo com MME, EPE e ONS.

Destaques da Semana

Eficiência e Consolidação: O Novo Horizonte do Financiamento de Renováveis na América Latina

Em entrevista exclusiva, José Prado, sócio do Machado Meyer,...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Mercado livre avança e já responde por 42% do consumo de energia no Brasil, aponta estudo da CCEE

Estudo sobre o mercado brasileiro de energia mostra crescimento...

Conflito entre EUA e Irã eleva riscos para o mercado global de energia, avalia FGV Energia

Escalada militar no Golfo Pérsico reacende temor de choque...

Artigos

Últimas Notícias