Redução e aumento de potência instalada, reconfiguração de unidades geradoras e ajustes operacionais ocorrem enquanto Cade analisa aquisição da distribuidora pela Âmbar Energia
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou um conjunto de alterações técnicas em três usinas termelétricas da Roraima Energia, em Boa Vista, após pedidos formais da distribuidora. As decisões, publicadas nas edições de 14 e 17 de novembro do Diário Oficial da União, reconfiguram a potência instalada, o número de unidades geradoras (UGs) e as potências líquidas declaradas de ativos que são essenciais para o atendimento do sistema elétrico local, o único estado do país ainda isolado do Sistema Interligado Nacional (SIN).
As mudanças ocorrem em um momento de forte atenção regulatória sobre a companhia, que passa por um processo de venda para a Âmbar Energia, do grupo J&F. O avanço das tratativas depende agora da análise concorrencial conduzida pelo Cade, que solicitou informações adicionais antes de dar continuidade ao processo.
Readequação expressiva na UTE Senador Arnon Afonso Farias de Mello – Floresta
A principal mudança aprovada pela agência diz respeito à UTE Senador Arnon Afonso Farias de Mello, Floresta, que teve sua potência instalada reduzida de 85,9 MW para 36,6 MW, uma queda significativa que altera de forma relevante o perfil operacional da planta.
O despacho autoriza ainda a diminuição do número de unidades geradoras, de 43 para 34. Apesar da redução robusta de capacidade, a potência líquida declarada permanece em 35 MW, o que sugere uma reorganização interna da usina, possivelmente relacionada à otimização do parque gerador, modernização de equipamentos ou ajustes operacionais para maior eficiência.
A UTE Floresta é uma das principais térmicas da capital e desempenha papel estratégico em um sistema isolado altamente dependente do despacho térmico contínuo para atendimento à carga.
UTE Distrito I perde potência, mas amplia número de geradores
Outro ajuste aprovado pela Aneel envolve a UTE Distrito I. A usina teve sua potência instalada reduzida de 21,6 MW para 20,8 MW, queda considerada marginal. Em contrapartida, o número de unidades geradoras aumentou de 13 para 18.
Como resultado, a potência líquida declarada passa a ser de 20 MW, pouco abaixo dos 20,1 MW anteriormente registrados. O aumento de UGs é interpretado como um possível movimento de modularização da planta, permitindo maior flexibilidade operacional em um sistema que exige resposta rápida a oscilações de carga, característica comum em sistemas isolados.
UTE Distrito II recebe reforço de capacidade e mais unidades geradoras
Na direção oposta, a UTE Distrito II teve um leve aumento de potência instalada, de 21,3 MW para 21,8 MW. O número de unidades geradoras também subiu, de 13 para 17, enquanto a potência líquida declarada permanece em 20 MW.
Embora o incremento seja modesto, a alteração contribui para melhorar a estabilidade e a confiabilidade do suprimento local, reforçando a importância das térmicas na composição do parque gerador de Roraima, ainda dependente quase exclusivamente de geração a óleo diesel e gás.
Aneel confirma ausência de pendências e valida pedidos da distribuidora
Em suas publicações, a Aneel destacou que não existem inadimplências ou pendências regulatórias associadas à Roraima Energia que pudessem impedir a aprovação das solicitações. O aval reforça a conformidade documental da distribuidora em meio a um período de transição societária e readequações operacionais.
As aprovações costumam ser necessárias para adequar as usinas às condições de operação real, às exigências ambientais ou a estratégias de manutenção e performance.
Alterações ocorrem durante processo de venda da Roraima Energia à Âmbar
As mudanças vêm à tona em um momento estratégico: a venda da Roraima Energia à Âmbar, anunciada recentemente, inclui também um conjunto de termelétricas anteriormente pertencentes à Oliveira Energia, ativos responsáveis por prover praticamente toda a energia consumida no estado.
A operação, porém, está sob análise do Cade. O órgão antitruste determinou a realização de uma instrução complementar e solicitou informações adicionais à Âmbar devido a potenciais riscos concorrenciais, considerando o elevado nível de concentração da geração térmica na região.
O desfecho da análise deve influenciar o mercado de geração local, que é simultaneamente estratégico e sensível, pois qualquer mudança operacional ou societária impacta diretamente o custo de suprimento, a segurança energética e o regime de despacho.
Impactos esperados para o sistema isolado de Roraima
Embora as alterações aprovadas não modifiquem substancialmente as potências líquidas declaradas das plantas, os ajustes podem afetar aspectos operacionais relevantes, entre eles:
- confiabilidade e disponibilidade das usinas;
- modularidade e velocidade de resposta na operação;
- custos de geração, especialmente em térmicas movidas a diesel;
- adequação das plantas às exigências regulatórias e ambientais;
- planejamento de longo prazo para redução de custos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).
Com a redução de capacidade em um ativo-chave como a UTE Floresta e o aumento de UGs em outras plantas, o setor acompanha de perto como essas mudanças serão absorvidas pela operação local e como dialogam com a futura gestão da Âmbar, caso a aquisição seja aprovada.



