Baterias: a chave para a flexibilidade e segurança do setor elétrico

Por Alexandre Azevedo, Diretor de Desenvolvimento de Negócios da EDF power solutions

O setor elétrico brasileiro vive um momento de profunda transformação, impulsionado pela crescente e essencial participação de fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar. Embora cruciais para a descarbonização, a variabilidade dessas fontes traz um desafio crítico à operação do Sistema Interligado Nacional (SIN): a necessidade imperativa de flexibilidade.

Para garantir que a frequência do sistema permaneça estável em 60 Hz, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisa manter um equilíbrio constante entre a oferta de geração e a demanda de carga. Eventos recentes, como a necessidade de cortar quase 98% da geração passível de corte em determinado momento do último Dia dos Pais, devido à carga reduzida, sublinham a urgência por soluções que possam responder a essa dinâmica.

É neste cenário que os Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias (BESS) emergem como ativos estratégicos, fornecendo exatamente a flexibilidade necessária. Os BESS atuam de forma dual, podendo ser tanto uma carga (consumindo para carregar as baterias) quanto uma geração (injetando energia na descarga).

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A adoção de baterias transcende a simples reserva de energia. Elas são um grande aliado das renováveis ao contribuir significativamente para a redução do curtailment, ou seja, o corte de geração. Ao criar demanda por energia durante o carregamento, os BESS diminuem a necessidade de impor cortes nos projetos eólicos e solares de geração centralizada, um problema que tem desafiado a operação e afastado novos investimentos.

Adicionalmente, os BESS podem oferecer outros serviços vitais ao sistema, como a redução de restrições elétricas na rede e o fornecimento de inércia sintética, compensação de reativo e capacidade de grid forming. Embora o custo seja um ponto de questionamento, estudos indicam que, para o atendimento da ponta de carga (o objetivo do leilão de reserva de capacidade), as baterias podem ser mais competitivas do que as térmicas. É fundamental reconhecer que não se trata de uma rivalidade: BESS e térmicas são fontes complementares, entregando produtos diferentes – térmicas podem gerar por dias, enquanto baterias o fazem por algumas horas.

O potencial do BESS está claro, mas sua plena integração e viabilização dependem de avanços regulatórios e de mercado. A Consulta Pública (CP) 39/2023 da ANEEL representou um passo importante na regulação do BESS, mas a questão da cobrança da Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) ainda se coloca como um entrave, pois a ANEEL propõe cobrar TUST consumo no carregamento e TUST geração no despacho, encarecendo a tecnologia.

Por outro lado, a CP 176/2024 do MME demonstrou o interesse do governo em lançar um Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) dedicado a esta tecnologia. Este leilão é visto como o pontapé inicial, pois trará o necessário eixo de receita fixa para a viabilização dos projetos e estimulará a estruturação de uma cadeia de suprimentos nacional, o que, por sua vez, tende a diminuir o custo de implantação.

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A portaria do leilão é esperada para o final de 2025, com a expectativa de realização no primeiro semestre de 2026. Com a evolução da regulação e a consolidação de um mercado, os players poderão explorar e ser remunerados pelos diversos serviços que a tecnologia de baterias pode prestar, fomentando o mercado nacional, a exemplo do que já ocorreu em outros países, como o Reino Unido.

Na EDF power solutions, o desenvolvimento de soluções flexíveis é um dos eixos centrais de nosso plano Ambitions 2035. Temos vasta experiência com o desenvolvimento de projetos de baterias em diversas geografias, incluindo América do Norte, Europa, África, Ásia e Oceania. Atuamos tanto no modelo stand-alone quanto no modelo cocolocalizado, associado a uma planta de geração.

Estamos prontos para aplicar nossa expertise global para contribuir com a segurança energética do Brasil, afastando o risco de apagões e promovendo uma integração mais eficiente das energias renováveis. O armazenamento em baterias não é apenas uma tecnologia; é o catalisador da flexibilidade que o futuro elétrico brasileiro exige.

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