Certame contratou 384,5 MW médios, o equivalente a 67,4 TWh em 20 anos, consolidando o protagonismo da geração hídrica distribuída e de pequeno porte na segurança energética nacional
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) homologou nesta terça-feira (11/11) o resultado do Leilão de Energia Nova A-5, consolidando 63 empreendimentos de fonte hidrelétrica com potência instalada de até 50 MW. O resultado reforça a confiança do governo e do mercado na geração hídrica de pequeno e médio porte, que tem desempenhado papel estratégico na diversificação da matriz elétrica brasileira.
O certame, realizado em 22 de agosto pela ANEEL em parceria com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), resultou na contratação de 384,5 MW médios, somando 67,4 TWh ao longo dos 20 anos de suprimento previstos nos contratos.
Com a homologação, o setor elétrico brasileiro ganha novo fôlego em um momento de intensificação da agenda de transição energética e de necessidade de reforço da segurança de suprimento.
Pequenas Centrais Hidrelétricas voltam ao centro da política energética
Dos projetos homologados, 53 são Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), além de oito centrais geradoras hidrelétricas e duas usinas hidrelétricas. O resultado reafirma o protagonismo das PCHs, cuja relevância vai além da oferta de energia firme: elas também promovem geração distribuída regional, reduzem perdas na transmissão e fortalecem economias locais.
Esses empreendimentos se tornaram peças-chave da política energética brasileira, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, onde há grande potencial hidrológico ainda disponível. Para o setor, o leilão representa um sinal de estabilidade regulatória e continuidade dos investimentos em fontes renováveis com alta previsibilidade operacional.
A homologação reforça a confiança dos investidores
A decisão da ANEEL de homologar o resultado e adjudicar os projetos marca o encerramento de uma etapa fundamental do processo licitatório e traz segurança jurídica aos investidores e agentes financiadores. No total, as usinas habilitadas deverão começar a entregar energia dentro de cinco anos, prazo padrão dos leilões A-5, que permitem planejamento de longo prazo para construção e operação.
Além disso, duas usinas adicionais, Guarani e Ribeirão Bonito, pertencentes às empresas Guarani Geração de Energia Elétrica SPE Ltda. e Rio Turvo Energética Ltda., foram habilitadas nesta mesma data e devem ser homologadas em breve.
Com isso, o conjunto de empreendimentos hidrelétricos viabilizados pelo A-5 deve superar a marca de 400 MW médios contratados, reforçando a expansão de uma fonte que segue sendo o pilar da matriz elétrica brasileira.
Energia firme e competitiva em um contexto de transição
Embora o Brasil viva um ciclo de forte crescimento das fontes solar e eólica, a energia hidrelétrica continua essencial para a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). As PCHs, em particular, oferecem flexibilidade, previsibilidade e capacidade de armazenamento natural, características fundamentais para compensar a intermitência das renováveis variáveis.
Nesse contexto, o Leilão A-5 cumpre dupla função: estimula o investimento em geração renovável de base e contribui para o equilíbrio do portfólio energético nacional. Com contratos de 20 anos, o certame também dá previsibilidade de receita aos investidores, ampliando a atratividade do setor para novos aportes.
Além dos ganhos ambientais e energéticos, os projetos hidrelétricos do A-5 devem gerar centenas de empregos diretos e indiretos, especialmente durante as fases de construção e operação, impulsionando economias locais e fortalecendo cadeias produtivas regionais.



