Ministério de Minas e Energia propõe regras para contratação de Sistemas de Armazenamento de Energia (SAEs) no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026. Contratos terão duração de 10 anos, com início de suprimento previsto para agosto de 2028
O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu consulta pública para discutir a inclusão dos Sistemas de Armazenamento de Energia (SAEs) no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026, em um movimento considerado decisivo para a modernização da matriz elétrica brasileira. A consulta ficará aberta por 20 dias, período no qual agentes do setor, associações e especialistas poderão enviar contribuições técnicas.
O objetivo é estruturar as diretrizes regulatórias e comerciais que permitirão a participação do armazenamento de energia em leilões de capacidade, consolidando essa tecnologia como um novo pilar do sistema elétrico nacional.
LRCAP 2026: foco em flexibilidade e segurança energética
O LRCAP foi criado para garantir reserva de potência e segurança do suprimento elétrico, em um contexto de crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. Agora, o MME propõe incluir os SAEs como agentes aptos a competir nos certames, reconhecendo seu papel essencial no equilíbrio dinâmico entre geração e demanda.
De acordo com a proposta em consulta, os projetos contratados terão prazo de 10 anos e início de operação comercial em 1º de agosto de 2028. O risco de despacho ficará a cargo do empreendedor, o que reforça a responsabilidade dos investidores quanto à operação eficiente e à disponibilidade do serviço contratado.
A inclusão dos SAEs no LRCAP representa uma mudança estrutural na forma como o sistema elétrico brasileiro é planejado, permitindo armazenar excedentes de geração renovável e suprir a demanda nos horários de pico, reduzindo a necessidade de acionamento de usinas térmicas mais caras e poluentes.
Requisitos técnicos para os projetos de armazenamento
A minuta em discussão define que os Sistemas de Armazenamento de Energia deverão atender a três condições técnicas fundamentais:
- Capacidade de recarga completa em até seis horas;
- Compromisso de entrega da potência máxima durante quatro horas diárias;
- Potência mínima superior a 30 megawatts (MW).
Esses parâmetros refletem um modelo de operação voltado à flexibilidade do sistema, com tempo de resposta rápido e autonomia suficiente para suportar variações de geração renovável ao longo do dia.
Especialistas do setor avaliam que a adoção desses critérios cria uma base técnica sólida para a expansão do armazenamento, estimulando investimentos em tecnologias como baterias de íon-lítio, sistemas híbridos e soluções de hidrogênio verde.
Brasil se prepara para nova era da gestão de energia
Com a abertura da consulta pública, o MME sinaliza um novo estágio na agenda de transição energética, abrindo espaço para tecnologias que aumentam a confiabilidade e a eficiência do sistema elétrico.
Atualmente, o Brasil conta com mais de 245 GW de capacidade instalada, sendo 83% de origem renovável. No entanto, a intermitência das fontes solar e eólica tem exigido soluções inovadoras de flexibilidade operacional, papel que o armazenamento desempenha com excelência.
O avanço regulatório do LRCAP 2026 deverá abrir caminho para projetos de armazenamento em escala comercial, com potencial de atrair novos players e estimular a industrialização de soluções nacionais, especialmente no contexto da nova política industrial verde do governo federal.
Consulta pública e próximos passos
As contribuições poderão ser enviadas ao MME durante os próximos 20 dias, e a expectativa é de que o resultado final da consulta sirva de base para a portaria que definirá o edital do LRCAP 2026, a ser publicado em 2026.
Após a homologação das regras, o setor elétrico deve assistir à primeira contratação de capacidade de armazenamento no país, um marco histórico que coloca o Brasil na mesma rota de inovação energética já seguida por mercados maduros como Estados Unidos, Austrália e União Europeia.
Impacto esperado para o setor elétrico
A inserção do armazenamento no LRCAP tem potencial para revolucionar a gestão da rede elétrica, proporcionando benefícios como:
- Maior estabilidade do sistema interligado;
- Redução dos custos com despacho térmico;
- Integração mais eficiente de fontes renováveis;
- Otimização dos fluxos de energia entre regiões;
- Maior segurança frente a eventos climáticos extremos.
Ao permitir que o armazenamento participe dos mecanismos de capacidade, o governo dá um passo decisivo para viabilizar uma matriz elétrica mais limpa, resiliente e digital, com benefícios diretos tanto para os consumidores quanto para o equilíbrio do sistema como um todo.



