Cemig entra no radar do PROPAG: Minas Gerais propõe uso de participação na estatal para quitar dívida pública

Proposta do governo mineiro enviada ao Tesouro Nacional inclui ações da companhia no Programa de Pleno Pagamento de Precatórios; estrutura considera modelo de corporação previsto em projeto de lei estadual

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) comunicou ao mercado nesta quarta-feira (6/11) que o governo de Minas Gerais, seu acionista controlador, encaminhou à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) uma proposta de adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Precatórios (PROPAG), contemplando ativos destinados à amortização extraordinária da dívida pública estadual.

Entre os ativos mencionados está a participação societária do Estado na Cemig, o que reacende o debate sobre o futuro da estatal e o modelo de governança previsto no Projeto de Lei nº 3.053/2024, atualmente em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A companhia destacou que recebeu o Ofício SEDE/SECADJ nº 66/2025, por meio do qual o governo mineiro comunicou formalmente o envio da proposta ao Ministério da Fazenda. O documento integra as tratativas do Estado com a União em busca de soluções para o equacionamento fiscal e a redução do endividamento público.

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Cemig pode integrar programa federal de amortização de precatórios

O PROPAG, criado pelo governo federal, tem como objetivo permitir que estados e municípios quitem precatórios e dívidas judiciais de forma integral, utilizando ativos financeiros ou participações societárias como instrumentos de pagamento.

No caso de Minas Gerais, o governo propõe incluir parte de sua fatia acionária na Cemig como ativo de garantia, dentro de um modelo de corporativização da estatal, alinhado ao Projeto de Lei nº 3.053/2024, que prevê a transformação da companhia em uma corporação de capital pulverizado, sem acionista controlador definido.

A inclusão da Cemig no escopo da proposta indica um movimento estratégico do Estado para reorganizar seu portfólio de ativos, reduzir o passivo com precatórios e, ao mesmo tempo, atrair investimentos privados por meio de uma estrutura de governança mais moderna e transparente.

Modelo de corporação pode redefinir estrutura de controle

O Projeto de Lei nº 3.053/2024, encaminhado pelo governo mineiro à ALMG, estabelece as bases para que a Cemig adote o modelo de corporação, inspirado em companhias de capital pulverizado que não possuem um controlador majoritário.

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Na prática, essa estrutura retira o controle direto do Estado e distribui o poder decisório entre acionistas e mercado, com foco em eficiência operacional, transparência e governança corporativa.

Especialistas avaliam que a proposta representa um avanço no modelo de gestão das estatais brasileiras, mas também reabre discussões sobre o papel estratégico da Cemig na matriz energética nacional e na política energética de Minas Gerais.

Embora o governo estadual ainda não tenha divulgado detalhes sobre o percentual de ações que poderia ser destinado ao PROPAG, o movimento é visto como parte de um plano mais amplo de reestruturação fiscal, que também inclui ativos de outras empresas públicas estaduais.

Cemig mantém compromisso com transparência e governança

Em comunicado oficial, a Cemig reforçou seu compromisso de transparência e conformidade regulatória, assegurando que manterá acionistas e o mercado informados sobre o andamento das tratativas e eventuais impactos.

A companhia reiterou que qualquer decisão envolvendo sua estrutura societária seguirá as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as exigências legais aplicáveis ao mercado de capitais.

A nota divulgada ao mercado enfatiza que a Cemig continuará cumprindo suas obrigações de comunicação conforme estabelece a Resolução CVM nº 44/2021, que trata da divulgação de informações relevantes ao mercado.

Contexto político e impacto potencial no setor elétrico

A movimentação ocorre em um momento de reestruturação fiscal dos estados e de redefinição do papel das estatais no setor elétrico brasileiro. Com ações listadas na B3 e na Bolsa de Nova York (NYSE), a Cemig é uma das principais companhias integradas de energia do país, com atuação em geração, transmissão e distribuição.

A eventual adesão da empresa ao PROPAG e a adoção do modelo de corporação podem alterar significativamente sua estrutura de capital e de governança, influenciando estratégias de investimento, rating de crédito e percepção de mercado.

A proposta será analisada pela Secretaria do Tesouro Nacional, em conjunto com a equipe econômica do Ministério da Fazenda, e poderá passar por ajustes técnicos e jurídicos antes de eventuais desdobramentos no mercado.

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