EPE e EnergyC mapeiam as competências e carreiras que vão moldar o futuro do setor de energia

Estudo inédito identifica cinco habilidades essenciais para a transição energética e reforça a importância do capital humano na inovação e na sustentabilidade do setor

O futuro da energia será definido tanto pela tecnologia quanto pelas pessoas. Essa foi a mensagem central do lançamento do Caderno “Carreiras e Lideranças do Futuro”, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em parceria com a EnergyC, hub de inovação e capacitação voltado ao setor. O evento aconteceu no dia 3 de novembro, no auditório da EPE, no Rio de Janeiro, com transmissão ao vivo pelo YouTube da instituição.

O estudo é um mapeamento inédito das competências e carreiras emergentes na transição energética, voltado a orientar profissionais, empresas e instituições de ensino sobre as habilidades mais demandadas em um mercado em transformação acelerada. A publicação está disponível no site da EnergyC.

Transição energética: uma transformação humana, não apenas tecnológica

Durante a abertura, Heloisa Borges, diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, destacou que o processo de transição energética vai muito além das inovações técnicas, é uma transformação essencialmente humana.

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“A transição energética que vivenciamos, a velocidade e o ritmo dessa transição, não é só uma transformação tecnológica. Precisamos essencialmente de pessoas. É uma transformação humana. Pessoas que planejam, que inovam, que operam e que lideram esse processo”, afirmou.

Heloisa ressaltou ainda o papel estratégico da EPE como instituição pública de Estado na construção de futuros possíveis para o setor energético. “A EPE tem o dever de pensar o futuro do setor energético. Isso inclui não apenas projetar elétrons ou moléculas, mas também desenvolver o capital humano que vai viabilizar essa transição.”

As falas refletem o novo paradigma do setor, em que capacitação, diversidade e inteligência analítica se tornam pilares tão fundamentais quanto infraestrutura e investimentos.

As cinco competências que definem o profissional do futuro da energia

O Caderno Carreiras e Lideranças do Futuro apresenta as chamadas Energy Skills, cinco competências essenciais que sintetizam as exigências do novo ecossistema energético global:

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  1. Análise de dados e inteligência artificial
  2. Liderança e gestão
  3. Regulação local e política global
  4. Visão sistêmica e sustentabilidade
  5. Inovação e empreendedorismo

Essas habilidades representam a convergência entre tecnologia, planejamento e impacto social, preparando profissionais para liderar a transição energética com uma visão integrada.

“O futuro energético é refletido nas mudanças sociais, ambientais, econômicas e tecnológicas. Capacitar profissionais preparados é tornar os desafios em oportunidades para o planejamento possível”, afirmou Luiz Miranda, fundador da EnergyC. “Unimos as principais tendências tecnológicas e as habilidades essenciais para o setor de energia — como inteligência artificial, big data, redes de cibersegurança e fluência tecnológica”, completou.

O estudo se baseia em referências internacionais, como o Future of Jobs Report 2025, traduzindo tendências globais para o contexto energético brasileiro.

Diversidade, liderança e aceitação social como motores da inovação

O evento também contou com dois painéis de debate que ampliaram o diálogo intersetorial sobre competências e cultura organizacional no setor de energia.

Na primeira mesa, Heloisa Borges, Thiago Ivanoski (diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE) e os analistas Kevyn Nogueira e Thais Accioly abordaram o papel do planejamento energético e a importância de integrar múltiplas perspectivas e competências.

“Nenhum planejamento se desenvolve se não houver aceitação da sociedade. Nenhuma tecnologia pode ser adotada sem considerar o social”, destacou Kevyn Nogueira, reforçando a necessidade de aliar inovação à legitimidade social.

Na sequência, Thais Accioly destacou o papel transformador da diversidade e dos programas de formação de jovens profissionais. “Participar de programas como o Jovens de Energia me deu a oportunidade de conhecer líderes mulheres e suas experiências em um setor ainda predominantemente masculino. É inspirador ver essa mudança acontecer.”

Essas reflexões dialogam com um movimento mais amplo de diversificação das lideranças, considerado estratégico para o futuro do setor, que precisa ser tanto digital quanto inclusivo.

Novas lideranças para um setor em transição

A segunda mesa reuniu nomes de diferentes segmentos do mercado: Ianara Bomfim (Solutic Group), Arthur Plotz (Demarest), Fernanda Delgado (ABIHV) e Marcio Felix (ABPIP/EnP). Os participantes discutiram as novas formas de liderança, a integração entre inovação e regulação, e os caminhos possíveis para fortalecer a transição energética brasileira a partir do desenvolvimento de competências.

O encontro consolidou o papel da EPE como articuladora de conhecimento estratégico e da EnergyC como plataforma de desenvolvimento de talentos para o setor.

Desde 2020, a EnergyC já impactou mais de 5 mil jovens, envolveu 117 organizações e contribuiu para a criação de 24 novas empresas, com foco em diversidade, sustentabilidade e inovação.

Capital humano como vetor da transição energética

O lançamento do caderno marca um ponto de convergência entre política pública, inovação tecnológica e formação de pessoas, sinalizando que o sucesso da transição energética no Brasil dependerá tanto de infraestrutura e regulação quanto de competências humanas adaptadas ao novo cenário.

O estudo é também um convite ao diálogo entre empresas, universidades e governo, para alinhar formação, demanda de mercado e propósito. Como resume o espírito do evento: a energia do futuro não é apenas limpa, é humana, inclusiva e inteligente.

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