CMSE reforça transparência e precisão de dados do setor elétrico em nova deliberação sobre termelétricas merchant

Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico destaca recuperação gradual dos reservatórios, operação segura do SIN e avanço em leilões que ampliam a infraestrutura elétrica

O Ministério de Minas e Energia (MME) realizou, nesta quarta-feira (5/11), a 312ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), destacando o início do período úmido e a manutenção das condições de segurança no fornecimento de energia elétrica em todo o país. O encontro também ressaltou R$ 5,53 bilhões em investimentos contratados em outubro para expansão da transmissão e reforço da confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Segundo o MME, as chuvas registradas na segunda quinzena de outubro já começam a favorecer a recuperação dos principais reservatórios das hidrelétricas, especialmente nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Sul, que concentram a maior capacidade de armazenamento do país.

“A atuação integrada das instituições do setor elétrico tem sido fundamental para garantir o bom funcionamento do sistema em todo o país. As medidas deliberadas aqui reforçam nosso compromisso com a transparência, a confiabilidade das informações e a eficiência na gestão do setor”, afirmou João Daniel Cascalho, secretário Nacional de Energia Elétrica. “Seguimos trabalhando para assegurar um fornecimento estável para todos os consumidores brasileiros”, completou.

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Cenário hidrológico: melhora gradual e recuperação esperada dos reservatórios

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Energia Natural Afluente (ENA) agregada do SIN ficou em 66% da média de longo termo (MLT) em outubro, o 5º menor valor dos últimos 95 anos. A previsão para novembro indica melhora progressiva, com o retorno das chuvas típicas da estação.

O cenário superior para novembro aponta ENA de 74% da MLT no Sudeste/Centro-Oeste e 66% no Sul, com armazenamentos (EARmáx) previstos em 41,8% e 73,2%, respectivamente. No cenário inferior, os índices podem chegar a 40% no Sudeste/Centro-Oeste e 73% no Sul (veja tabela abaixo).

SubsistemaENA (% MLT) Cenário SuperiorENA (% MLT) Cenário InferiorEARmáx (%) Cenário SuperiorEARmáx (%) Cenário Inferior
Sudeste/Centro-Oeste74%40%41,8%37,2%
Sul66%73%73,2%77,4%
Nordeste37%27%44,9%42,5%
Norte44%44%63,8%61,6%
SIN (total)66% (5º menor em 95 anos)45% (menor em 95 anos)45,7%42,2%

Esses números indicam uma recuperação lenta, porém consistente, do armazenamento nacional, que fechou outubro com 50% da capacidade total dos reservatórios. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também apresentou projeções de chuvas dentro ou acima da média em parte das bacias do Sudeste e Sul, favorecendo o regime hidrológico no curto prazo.

ONS confirma segurança no atendimento e reforça planejamento até 2026

O ONS assegurou que, mesmo sob cenários de alta demanda e condições climáticas adversas, o sistema permanece em condição segura de operação até abril de 2026. Para situações extremas, está previsto o uso complementar de termelétricas merchant, que operam no mercado de curto prazo, e a operação otimizada das hidrelétricas do Rio São Francisco, além do aproveitamento estratégico do reservatório de Itaipu.

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Durante a reunião, a Secretaria Nacional de Energia Elétrica (SNEE) também iniciou o planejamento das ações preventivas voltadas à Copa do Mundo Feminina de 2027, com foco em garantir estabilidade durante o evento.

Leilões movimentam mais de R$ 5,8 bilhões e reforçam expansão da rede

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) apresentou o balanço dos leilões de 2025, com destaque para o Leilão de Transmissão realizado em outubro, que contratou R$ 5,53 bilhões em novos empreendimentos. Foram arrematados sete lotes, abrangendo 1.081 km de linhas, 2.000 MVA em transformação e sete compensações síncronas. O deságio obtido garantirá economia estimada de R$ 11,5 bilhões aos consumidores ao longo da vigência dos contratos.

Outro destaque foi o Leilão de Suprimento aos Sistemas Isolados, que mobilizará cerca de R$ 312 milhões em investimentos e levará energia a mais de 30 mil pessoas em comunidades remotas do Pará e Amazonas.

Entre as novidades, o CMSE destacou o primeiro projeto híbrido do setor elétrico associado a baterias (BESS), em Jacareacanga (PA), que contará com 30 MW de armazenamento e 18 MW de geração solar, configurando a maior bateria do país em operação.

Expansão da geração e avanços regulatórios

Somente em outubro, o setor elétrico adicionou 644 MW de capacidade instalada de geração centralizada, 47,6 km de linhas de transmissão e 800 MVA em capacidade de transformação. No acumulado de 2025, até outubro, o Brasil já totaliza 6.565 MW de novas usinas, 3.672 km de linhas e 8.587 MVA de transformação.

O Complexo Solar Boa Sorte, em Minas Gerais, foi um dos destaques recentes, com 485 MW já integrados ao SIN. Segundo o MME, esse crescimento reflete o fortalecimento da diversificação da matriz elétrica, impulsionando a participação das fontes renováveis.

Governo reforça integração e governança setorial

Além do panorama técnico, o CMSE destacou a realização do workshop sobre condicionantes operativos do SIN, que integra o Plano de Recuperação dos Reservatórios de Regularização (PRR). O evento reuniu representantes da ANEEL, ONS, ANA, EPE e TCU, discutindo formas de aprimorar a governança dos reservatórios e revisar instrumentos regulatórios e operacionais.

“As medidas aprovadas fortalecem a governança e a transparência dos dados que embasam as decisões do setor elétrico, garantindo um ambiente mais confiável e eficiente”, afirmou Cascalho.

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