Aquisição de 64,8% das ações por R$ 5,1 bilhões marca nova fase de expansão e reposicionamento estratégico da empresa no mercado de geração renovável
A Ventos Alísios Participações Societárias deu um passo decisivo na consolidação de sua presença no setor de geração renovável ao adquirir 403 milhões de ações ordinárias da Serena Energia (SRNA3), equivalentes a 64,8% de seu capital social, em oferta pública de aquisição (OPA) realizada para o fechamento de capital da companhia.
A operação, confirmada nesta quarta-feira (5) por meio de fato relevante, movimentou R$ 5,10 bilhões, considerando o preço de R$ 12,63 por ação, e coloca a Ventos Alísios em posição majoritária, com 96,1% da participação total da Serena após a conclusão do leilão.
Com o resultado, a companhia deixará de integrar o segmento Novo Mercado da B3, convertendo seu registro de companhia aberta da categoria “A” para categoria “B”, movimento que simboliza uma mudança estratégica no perfil de governança e no modelo de capitalização da empresa.
Transação consolida avanço da Ventos Alísios no setor de renováveis
A aquisição é vista como parte de um reposicionamento estratégico da Ventos Alísios, que vem ampliando sua atuação em geração de energia limpa com foco em ativos eólicos e solares de alta eficiência.
Com o novo controle, a empresa busca acelerar o crescimento da Serena Energia e potencializar investimentos em projetos greenfield e brownfield no Brasil e nos Estados Unidos.
De acordo com comunicado anterior da Serena, a transação visa à “simplificação da estrutura corporativa e organizacional da companhia, conferindo maior flexibilidade na gestão financeira e operacional das suas operações, aumentando, portanto, sua capacidade de realizar novos investimentos”.
A Serena Energia atua na geração e comercialização de energia elétrica a partir de fontes renováveis, com presença em múltiplos estados e portfólio diversificado de projetos. Com a entrada da Ventos Alísios como acionista controladora, a expectativa é de fortalecimento do caixa e ampliação do acesso a novas frentes de financiamento e inovação tecnológica.
Fechamento de capital: tendência entre empresas de energia
O fechamento de capital tem se tornado uma estratégia cada vez mais comum entre empresas de energia renovável. A saída da bolsa permite maior liberdade de gestão, menor exposição regulatória e agilidade em decisões de investimento, aspectos fundamentais em um momento de rápida transformação no mercado energético.
Nos últimos anos, o setor tem passado por um ciclo de reestruturações, com companhias optando por fusões, aquisições e privatizações parciais como forma de otimizar portfólios e aumentar competitividade.
A decisão da Serena de deixar o Novo Mercado reflete essa tendência: ao reduzir a exigência de capital pulverizado e simplificar sua governança, a empresa passa a ter maior autonomia para executar projetos de longo prazo e negociar novas parcerias estratégicas sem as amarras do mercado acionário tradicional.
Especialistas do mercado avaliam que o movimento também prepara terreno para novas emissões privadas, voltadas a investidores institucionais e fundos de infraestrutura interessados em ativos de geração sustentável.
Nova governança e próximos passos
Com 96,1% do capital sob controle da Ventos Alísios, permanecerão em circulação 24 milhões de ações da Serena, o equivalente a 3,9% do capital social, garantindo liquidez residual no mercado.
A companhia deverá, nos próximos meses, revisar sua estrutura de governança e atualizar o planejamento estratégico, incluindo a expansão de seu portfólio e a modernização de suas operações.
A expectativa é de que a nova controladora direcione esforços à integração de ativos e à digitalização de processos, com foco em eficiência, sustentabilidade e geração de valor de longo prazo, pilares que têm guiado o avanço do setor de energia renovável no Brasil.



