Estudo mostra que turnover médio chega a 16,6% e aponta que cultura organizacional, liderança e inteligência artificial serão pilares da gestão de pessoas na nova era da energia
O setor de energia vive uma transformação sem precedentes. A digitalização, o avanço da inteligência artificial (IA) e as novas demandas da transição energética estão redefinindo o papel das empresas e, sobretudo, das pessoas que as fazem funcionar.
Uma pesquisa conduzida pela FESA Group, consultoria especializada em recrutamento e gestão de executivos, revela que reter talentos qualificados e manter a competitividade em remuneração são hoje os principais desafios das companhias do setor elétrico, respondendo juntos por 50% das preocupações das empresas consultadas.
O levantamento, realizado em 2025 com 17 empresas do setor elétrico, mapeou as principais tendências e dificuldades em gestão de pessoas, em um momento em que o setor se torna mais dinâmico, competitivo e tecnológico.
Rotatividade alta e insatisfação preocupam empresas do setor
De acordo com a pesquisa, o setor apresenta um turnover médio anual de 16,65%, com os maiores índices de saída concentrados nas áreas técnicas e de projetos, justamente aquelas essenciais para a operação e a inovação em energia. Mais da metade das saídas (55,5%) foram voluntárias, um indicador de que muitos profissionais deixam as empresas por insatisfação ou busca de melhores oportunidades no mercado.
A saúde mental aparece como a principal causa de absenteísmo, seguida por faltas e atrasos. Esses dados reforçam a necessidade de estratégias voltadas ao bem-estar, engajamento e clima organizacional, um desafio cada vez mais presente em um setor que historicamente se apoia em estruturas técnicas e hierárquicas.
Cultura, engajamento e liderança: o novo tripé da gestão de pessoas em energia
Mais da metade dos entrevistados (56,2%) apontaram cultura e engajamento como os aprendizados mais relevantes dos últimos dois anos. A pesquisa mostra que fortalecer vínculos internos e disseminar valores corporativos tornou-se tão importante quanto investir em novas tecnologias. Logo atrás, aparecem os programas de retenção de longo prazo (21,9%) e a digitalização com uso de IA (17,2%), que já começam a moldar a nova realidade das empresas do setor.
“O setor de energia está no centro da transição tecnológica e, ao mesmo tempo, precisa manter pessoas qualificadas e engajadas. O desafio é unir inovação e uma cultura organizacional sólida para sustentar o crescimento, além de investir no desenvolvimento de lideranças e na motivação dos times”, afirma Débora Celeti, Associate & Partner da FESA Group, responsável por conduzir processos de recrutamento e seleção para o setor de energia.
A fala de Celeti traduz a principal mensagem da pesquisa: a transformação do setor elétrico exige tanto tecnologia quanto gestão humana eficiente. Segundo o estudo, 48,5% das empresas planejam investir no desenvolvimento de líderes e no fortalecimento da motivação das equipes, sinalizando um movimento de valorização das lideranças e do capital humano como fator competitivo.
Escassez de mão de obra e desalinhamento de expectativas elevam a rotatividade
O relatório também identifica fatores estruturais que alimentam a rotatividade: a escassez de profissionais qualificados, a ausência de políticas de desenvolvimento interno e o desalinhamento entre expectativas de carreira e proposta de valor das empresas.
Para enfrentar esses desafios, a FESA recomenda que as organizações invistam em programas de capacitação, fortaleçam suas lideranças e revisem sua proposta de valor ao colaborador, promovendo mais flexibilidade, reconhecimento e oportunidades de crescimento.
Essas ações, segundo a consultoria, não apenas ajudam a reduzir a saída de talentos, mas também melhoram o engajamento e o desempenho organizacional, fatores cruciais em um mercado em plena abertura e transformação, especialmente com o avanço do mercado livre de energia e o crescimento da geração distribuída.
IA e automação: tendências que exigem novas competências
Ao olhar para o futuro, o levantamento aponta que inteligência artificial e automação são as principais tendências para os próximos anos, citadas por 31,2% das empresas. Em seguida, aparecem atração e retenção de talentos (21,9%) e planejamento sucessório (18,8%).
A presença crescente de ferramentas digitais, automação de processos e análise de dados exige novas habilidades e perfis profissionais, marcando uma virada no modelo de gestão de pessoas no setor elétrico.
Essa transição, segundo Débora Celeti, deve ser guiada por líderes preparados e por culturas organizacionais capazes de equilibrar inovação tecnológica e humanização do trabalho. O desafio, portanto, não é apenas digitalizar, mas transformar a mentalidade corporativa para reter talentos em um ambiente em constante mudança.
O futuro da gestão no setor elétrico: tecnologia com propósito humano
A pesquisa da FESA Group deixa claro que o futuro das empresas de energia será definido por quem conseguir equilibrar tecnologia, propósito e pessoas.
Em um setor pressionado por metas de descarbonização, abertura de mercado e inovação digital, a gestão de pessoas torna-se um diferencial competitivo tão estratégico quanto os investimentos em geração e infraestrutura.
Empresas que conseguirem alinhar cultura, liderança e transformação digital estarão mais preparadas para enfrentar a próxima década, e para atrair os profissionais que farão a transição energética acontecer.



