Estimativas do Ineep apontam avanço na produção e solidez operacional, com destaque para aumento de 16,9% na produção total e EBITDA ajustado de R$ 65,6 bilhões, apesar da queda nos preços médios dos derivados
O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) projeta que a Petrobras encerrará o terceiro trimestre de 2025 (3T25) com mais um resultado robusto, consolidando o terceiro trimestre consecutivo de lucro líquido. Segundo estimativas, a estatal deve registrar R$ 34,1 bilhões de lucro líquido, R$ 124,8 bilhões em receita líquida e EBITDA ajustado de R$ 65,6 bilhões.
Os números indicam uma recuperação consistente após o prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre de 2024 (4T24), marcando uma sequência de resultados positivos desde o início de 2025, R$ 35,3 bilhões no 1T25 e R$ 17,7 bilhões no 2T25. A divulgação oficial do balanço da companhia está prevista para a próxima sexta-feira (7/11).
De acordo com o Ineep, o desempenho positivo reflete aumento na produção total de óleo, LGN e gás natural, que cresceu 16,9% em relação ao 3T24, impulsionada pela entrada em operação de 11 novos poços produtores no pré-sal, apenas entre julho e setembro. Com isso, já são 25 novos poços em 2025, fortalecendo a estratégia de expansão da companhia em campos de alta produtividade.
Produção em alta e maior eficiência operacional sustentam resultados
O Ineep destaca que a elevação na produção e o aumento das vendas internas foram determinantes para o bom desempenho trimestral. As vendas de derivados no mercado doméstico cresceram 1,9%, com destaque para os produtos de maior valor agregado, como diesel, querosene de aviação (QAV) e gasolina.
Apesar da redução de 7,7% nos preços médios dos derivados, que passaram de R$ 489,4 por barril no 3T24 para R$ 451,80 no 3T25, o avanço operacional compensou o efeito negativo das cotações. Esse equilíbrio entre volume produzido e controle de custos reforça a resiliência financeira e a eficiência da Petrobras, mesmo em um contexto de volatilidade internacional do petróleo.
A companhia também apresentou margem líquida de 27%, cinco pontos percentuais acima do trimestre anterior, e EBITDA 25% maior em relação ao 2T25, consolidando uma recuperação de rentabilidade após o ciclo de investimentos e reestruturações de 2024.
Lucro líquido e geração de caixa em patamares elevados
O balanço estimado pelo Ineep mostra que, no 3T25, a Petrobras deve registrar forte geração de caixa operacional, alcançando R$ 52,4 bilhões, alta de 25% em relação ao trimestre anterior. Já o fluxo de caixa livre é projetado em R$ 29,2 bilhões, crescimento de 52% frente ao 2T25.
O resultado é explicado pela melhora na eficiência operacional, controle de despesas financeiras e manutenção de altos níveis de produção, o que tem permitido à companhia manter forte capacidade de investimento e remuneração aos acionistas.
O Ineep estima ainda que a Petrobras deve distribuir R$ 13,1 bilhões em dividendos referentes ao trimestre, o que representa crescimento de 53% frente ao 2T25, ainda que 65% inferior ao 3T24, quando a empresa realizou uma distribuição extraordinária.
Mercado interno segue pressionado, mas exportações compensam
Na análise das receitas, o mercado interno continua sendo o principal desafio: o Ineep prevê queda de 13% nas vendas domésticas, que devem totalizar R$ 87,8 bilhões, ante R$ 100,6 bilhões no 3T24. Essa retração reflete menor demanda de derivados no mercado interno, especialmente de combustíveis industriais, além da competição crescente com importadores privados.
Por outro lado, o mercado externo apresentou crescimento de 5%, atingindo R$ 37 bilhões em receita. A valorização do dólar e o aumento do volume exportado de óleo cru e derivados sustentaram o resultado, compensando parcialmente a queda nos preços internacionais do barril de petróleo.
Contexto energético e perspectivas
O desempenho previsto pelo Ineep indica que a Petrobras está mantendo o foco em disciplina financeira e expansão sustentável da produção, com prioridade para o pré-sal, responsável por mais de 75% da produção total da companhia.
Esses resultados são alcançados em um contexto global de transição energética e flutuação das commodities, em que a estatal busca equilibrar investimentos em combustíveis fósseis e fontes renováveis. Com o aumento da geração de caixa, a empresa também ganha margem de manobra para investir em refino, biocombustíveis e gás natural, consolidando sua estratégia de longo prazo.
A expectativa do Ineep é de que o último trimestre de 2025 mantenha a trajetória positiva, impulsionado pela plena operação dos novos FPSOs e pelo avanço das exportações de óleo leve.



