Silveira defende uso de energia nuclear para data centers e descarbonização da Amazônia

Ministro afirma que pequenos reatores nucleares (SMRs) podem aliviar o sistema de transmissão e apoiar a expansão da infraestrutura digital no país

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, voltou a defender o uso da energia nuclear como vetor estratégico para o crescimento do setor elétrico e a digitalização da economia brasileira. Em evento promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, o ministro destacou o potencial dos pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) como solução para o abastecimento energético de data centers e para a descarbonização de regiões remotas, como a Amazônia.

“Não é possível que não possamos usar energia nuclear para os data centers. Não podemos admitir isso em um país que tem urânio em abundância e que domina a tecnologia nuclear. Vamos chegar com os small reactors perto do consumo, isso vai aliviar linhas de transmissão”, afirmou Silveira.

A declaração reforça a crescente atenção do governo federal ao papel da energia nuclear na matriz de baixo carbono brasileira, em um momento de aceleração da demanda elétrica impulsionada por centros de processamento de dados, inteligência artificial e computação em nuvem.

- Advertisement -

Energia nuclear e a nova fronteira dos data centers

A expansão da infraestrutura digital no país tem pressionado o sistema interligado nacional (SIN), principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste, onde estão concentrados os maiores data centers. Esses complexos consomem energia em larga escala e demandam fornecimento contínuo e estável, características que tornam a energia nuclear uma alternativa estratégica.

Com os SMRs, o Brasil poderia desenvolver uma geração distribuída de alta potência e zero carbono, próxima aos polos consumidores, reduzindo perdas na transmissão e reforçando a confiabilidade do sistema elétrico.

Os pequenos reatores modulares se diferenciam das usinas convencionais por terem escala menor, custo reduzido e implantação mais rápida. Além disso, são projetados para operar com altos padrões de segurança e flexibilidade, podendo atender tanto grandes empreendimentos industriais quanto regiões isoladas.

De acordo com especialistas do setor, o uso dos SMRs representa uma oportunidade inédita de diversificação tecnológica e descarbonização profunda, especialmente em países como o Brasil, que dominam o ciclo do combustível nuclear e possuem reservas expressivas de urânio.

- Advertisement -

Descarbonização da Amazônia e uso estratégico dos SMRs

Durante o seminário, Alexandre Silveira também destacou o potencial da energia nuclear para descarbonizar a Amazônia Legal, região que ainda depende de geração térmica a diesel em comunidades isoladas.

“A energia nuclear, por meio de SMRs, pode ser usada para descarbonizar a Amazônia”, afirmou o ministro, reforçando o papel da tecnologia como instrumento de transição energética justa e soberania nacional.

Atualmente, o sistema isolado da Amazônia representa um dos maiores desafios do setor elétrico. Mais de 200 localidades dependem de usinas movidas a combustíveis fósseis, cujo custo de operação é elevado e altamente emissor de gases de efeito estufa.

A implantação de pequenos reatores nucleares em pontos estratégicos poderia substituir parte dessas térmicas, oferecendo suprimento contínuo, previsível e livre de carbono, além de reduzir o custo de transporte de combustível e o impacto ambiental nas rotas fluviais.

Brasil e o reposicionamento da política nuclear

O discurso do ministro ocorre em um contexto de retomada do debate sobre a energia nuclear no Brasil, com avanços regulatórios e técnicos em curso. O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) estudam novos modelos de parcerias público-privadas para ampliar a capacidade do parque nuclear nacional.

Além de Angra 3, cuja conclusão segue como prioridade da Eletronuclear, o governo analisa novos projetos baseados em SMRs, que poderiam ser implantados em regiões estratégicas próximas a polos de consumo industrial e logístico.

A aposta no potencial nuclear brasileiro também se alinha às tendências globais. Países como Estados Unidos, Canadá e França têm avançado na regulamentação e no licenciamento de pequenos reatores, enxergando neles uma solução para garantir segurança energética e acelerar a neutralidade climática.

Energia nuclear e o desafio da transição energética

A defesa da energia nuclear por Silveira reflete a busca por equilíbrio na matriz elétrica nacional, que é predominantemente renovável, mas altamente dependente da hidrologia. Com a variabilidade climática crescente, a diversificação de fontes firmes e limpas se torna essencial para a resiliência e estabilidade do sistema.

Além de complementar as fontes solar e eólica, a energia nuclear tem fator de capacidade superior a 90%, o que permite garantir oferta contínua e previsível. Nesse sentido, os SMRs podem funcionar como backbone energético para novos polos tecnológicos e industriais, sem ampliar a pressão sobre o sistema de transmissão existente.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias