Pagrisa inicia injeção de energia de biomassa no sistema elétrico e consolida protagonismo na matriz renovável do Pará

Usina paraense é homologada como autoprodutora de energia e passa a exportar 2 MW/h para a rede da Equatorial, fortalecendo a segurança e a sustentabilidade elétrica da região

A Pagrisa (Pará Pastoril e Agrícola S/A) alcançou um marco importante em sua trajetória ao ser homologada como autoprodutora de energia elétrica a partir de biomassa. Na quarta-feira (29/10), a usina iniciou oficialmente a injeção de energia na rede da Equatorial Pará, com um volume de 2 megawatts-hora (MW/h) exportados para o sistema elétrico regional.

O feito representa um avanço estrutural na diversificação da matriz energética amazônica, reforçando o papel do setor sucroenergético como vetor de descarbonização e desenvolvimento regional. A energia gerada pela usina provém do bagaço da cana-de-açúcar, em um processo de cogeração que transforma resíduos agroindustriais em eletricidade limpa e renovável.

“Este é o resultado de investimentos contínuos em tecnologia e eficiência. A Pagrisa reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, transformando o que seria resíduo em um recurso valioso para a região”, afirmou o diretor vice-presidente da Pagrisa, Fernão Zancaner.

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Cogeração: tecnologia que une eficiência e sustentabilidade

O modelo de cogeração de energia elétrica utilizado pela Pagrisa é um dos pilares mais eficientes da economia circular aplicada ao setor sucroenergético. Nesse processo, o bagaço da cana-de-açúcar, subproduto do ciclo industrial, é queimado em caldeiras de alta eficiência, gerando vapor e eletricidade que abastecem tanto as operações internas da usina quanto o sistema público.

Além de garantir autossuficiência energética à operação, a Pagrisa agora contribui com excedentes limpos para a rede da Equatorial Pará, reduzindo a dependência de termelétricas fósseis e fortalecendo a resiliência elétrica regional.

A iniciativa alinha-se às metas nacionais de transição energética, previstas no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e nas diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME), que preveem o aumento da participação da bioeletricidade na matriz até 2033.

Com a homologação, a empresa integra o grupo crescente de autoprodutores de energia de biomassa, responsáveis por impulsionar o uso de fontes renováveis locais em regiões de alta disponibilidade agrícola.

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Pará se fortalece como polo bioenergético da Amazônia

O estado do Pará vem se consolidando como um dos polos mais promissores da bioeletricidade no Norte do país, impulsionado por empreendimentos do setor sucroenergético e de biocombustíveis.

A injeção de energia renovável pela Pagrisa em Ulianópolis contribui não apenas para o sistema elétrico regional, mas também para reduzir custos operacionais e emissões de carbono, promovendo sinergia entre energia e agricultura.

A integração de projetos como o da Pagrisa à rede da Equatorial Energia reforça o compromisso com a transição energética justa e descentralizada, capaz de combinar geração local, sustentabilidade e segurança do fornecimento.

Responsabilidade socioambiental e impacto regional

Com 58 anos de atuação, a Pagrisa é hoje uma das principais agroindústrias do Pará, empregando diretamente 1.700 pessoas e gerando cerca de 7.200 empregos indiretos, com impacto positivo na vida de mais de 28 mil habitantes da região de Ulianópolis (PA).

A empresa é a única agroindústria paraense do setor sucroalcooleiro, referência na produção de açúcar cristal, triturado e demerara, além do álcool 54º da marca Cauaxí. Recentemente, passou a diversificar suas atividades com o cultivo de soja e milho e a fabricação de equipamentos em fibra de vidro por meio da subsidiária Norte Fibras, especializada na produção de tubos, conexões, reservatórios e postes de energia.

Essas iniciativas reforçam o modelo de integração industrial sustentável, em que energia, agricultura e manufatura coexistem sob princípios de eficiência energética e baixo impacto ambiental.

Fernão Zancaner: energia limpa como legado do setor sucroenergético

O diretor vice-presidente da empresa, Fernão Zancaner, enfatiza que a aposta na autoprodução de energia renovável é uma decisão estratégica alinhada à visão de longo prazo da companhia.

“A Pagrisa reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, transformando o que seria resíduo em um recurso valioso para a região”, destacou Zancaner.

Com essa iniciativa, a usina não apenas reduz sua pegada de carbono, mas também atua como agente de estabilidade do sistema elétrico, contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda em uma região de desafios logísticos e alta variabilidade climática.

Biomassa: uma aliada da transição energética no Brasil

A biomassa tem ganhado protagonismo como uma das principais fontes complementares da matriz elétrica nacional. Segundo dados da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), o país possui potencial superior a 20 GW em capacidade instalada de bioeletricidade, com grande parte derivada da cana-de-açúcar.

No contexto amazônico, a utilização de resíduos agrícolas e florestais para geração descentralizada de energia representa um instrumento de segurança energética e política ambiental. Projetos como o da Pagrisa fortalecem a diversificação tecnológica, estimulam a indústria local de equipamentos e consolidam o papel do setor elétrico como vetor de desenvolvimento sustentável.

A energia do campo impulsionando o futuro

Ao transformar resíduos agroindustriais em eletricidade limpa, a Pagrisa simboliza uma nova fronteira da bioenergia brasileira, onde produção agrícola, inovação tecnológica e geração elétrica convergem para criar valor ambiental e econômico.

A homologação como autoprodutora de energia elétrica a partir de biomassa consolida a empresa como referência em sustentabilidade e eficiência energética no Norte do país, integrando-se ao esforço nacional por uma matriz mais verde, descentralizada e resiliente.

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