Leilão A-5 habilita 63 projetos hidrelétricos e reforça expansão da geração hídrica no Brasil

ANEEL aprova lista de usinas participantes do certame de energia nova, que totalizam quase 800 MW em potência contratada; PCHs representam mais de 80% dos projetos habilitados

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) habilitou oficialmente 63 usinas de geração hidrelétrica para o Leilão de Energia Nova A-5 de 2025, conforme publicação no Diário Oficial da União desta terça-feira (28). O certame, realizado em 22 de agosto em parceria com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), é voltado à contratação de energia proveniente de novos empreendimentos hidrelétricos, com início de suprimento previsto para 2029.

De acordo com o Despacho nº 3.169/2025, assinado pelo presidente da Comissão Permanente de Leilões da ANEEL, foram aprovadas 53 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), oito Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) e duas Usinas Hidrelétricas (UHEs). No total, a potência contratada soma 795,74 MW, fortalecendo a expansão da matriz renovável brasileira e a presença da fonte hídrica no portfólio de geração.

Predominância das PCHs e papel estratégico para o mercado regulado

As Pequenas Centrais Hidrelétricas, com potência entre 5 MW e 30 MW, seguem desempenhando papel fundamental no equilíbrio da oferta descentralizada de energia elétrica no país. Representando mais de 80% das usinas habilitadas, as PCHs continuam a ser uma alternativa competitiva para suprimento do Ambiente de Contratação Regulada (ACR), especialmente em regiões com infraestrutura consolidada e disponibilidade de recursos hídricos.

- Advertisement -

Além de contribuírem para a segurança energética, as PCHs têm destaque em desenvolvimento local, geração de empregos diretos e indiretos e baixa pegada ambiental, reforçando a importância da geração distribuída de base hidráulica dentro da estratégia de expansão energética.

Entre as empresas habilitadas, figuram nomes tradicionais e novos entrantes do setor. Projetos como Águas de Ouro, Caratuva, Itararé, Frei Galvão, Piratuba, Nova Trento e Volta Grande compõem a lista publicada pela ANEEL. Os preços de lance variam entre R$ 314,40/MWh e R$ 403,87/MWh, conforme a proposta de cada empreendimento.

Empresas e grupos habilitados refletem diversidade do setor

A lista de habilitados inclui desde companhias regionais até grandes players nacionais, evidenciando o dinamismo do segmento hídrico. Entre as participantes, destacam-se:

  • Atiaia Energia, com o projeto Tucano M1 (169 lotes, R$ 389,97/MWh);
  • Companhia Siderúrgica Nacional (CSN Cimentos Brasil S.A.), com a UHE Bugres;
  • Celesc Geração S.A., com o projeto Caveiras;
  • Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), com o projeto Edgard de Souza;
  • Minas PCH S.A. e CRERAL, com a PCH Foz do Prata;
  • Vale do Turvo Hidrelétrica Ltda., com os empreendimentos Lixiguana e Fazenda Velha;
  • Prospecto Participações e Negócios Ltda., em parceria com FR Incorporadora, responsável pela PCH São Bento.

A habilitação dessas empresas demonstra o interesse renovado do mercado pela fonte hídrica, em um momento de transição energética e retomada dos investimentos em infraestrutura de geração de base.

- Advertisement -

Regulação e planejamento: ANEEL reforça compromisso com a expansão sustentável

O Leilão A-5 é parte do planejamento da expansão de geração elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e executado pela ANEEL em conjunto com a CCEE e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). O objetivo é garantir a segurança do abastecimento elétrico no médio prazo e diversificar a matriz, combinando fontes renováveis firmes, como a hídrica, com a crescente participação de solar e eólica.

Em nota técnica que embasou o despacho, a ANEEL ressaltou que a habilitação das usinas cumpre integralmente os critérios do edital e as exigências técnicas e ambientais. O processo inclui a análise de documentação jurídica, financeira e de outorga, assegurando que apenas empreendimentos com condições reais de execução participem do certame.

O Despacho nº 3.169/2025 reforça, portanto, o papel da agência reguladora como agente de credibilidade e previsibilidade para o setor elétrico. O procedimento faz parte de um conjunto de medidas que buscam atrair investimentos e garantir previsibilidade de oferta, aspectos fundamentais para a estabilidade do Ambiente de Contratação Regulada (ACR).

Investimentos e perspectivas de longo prazo

Com a habilitação das 63 usinas, a expectativa é que o Leilão A-5 mobilize investimentos superiores a R$ 5 bilhões até 2029, entre obras civis, equipamentos, transmissão e suporte logístico. Os projetos devem gerar milhares de empregos diretos e indiretos, sobretudo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde se concentra a maior parte dos empreendimentos habilitados.

Para o setor elétrico, o resultado representa um avanço estratégico na recomposição da capacidade hídrica nacional, em um momento em que o país busca maior resiliência do sistema frente à variabilidade das fontes intermitentes. A expansão equilibrada entre hidrelétricas, solares e eólicas continua sendo um dos pilares do planejamento energético brasileiro, sustentado por metas de neutralidade de carbono e segurança operacional.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias