ONS projeta estabilidade dos reservatórios e melhora nas afluências no Sudeste/Centro-Oeste

Boletim do Programa Mensal de Operação aponta equilíbrio entre oferta e demanda no SIN, com destaque para o aumento das afluências e controle operacional que assegura o atendimento energético no final do período seco.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta estabilidade nos níveis dos reservatórios em todas as regiões do país na última semana operativa de outubro, segundo o boletim do Programa Mensal de Operação (PMO). O relatório cobre o período de 25 a 31 de outubro de 2025 e indica que o sistema elétrico brasileiro encerra o mês com níveis satisfatórios de energia armazenada (EAR), resultado direto da gestão eficiente da operação e das condições hidrológicas compatíveis com o fim da estação seca.

Os números reforçam a tendência de equilíbrio observada ao longo do segundo semestre. A região Sul deve registrar o maior nível de armazenamento, com 92,1%, seguida pelo Norte (68,4%), Nordeste (48,8%) e Sudeste/Centro-Oeste (45,2%), principal subsistema do país.

Melhora nas afluências do Sudeste/Centro-Oeste reforça segurança hídrica

O destaque do boletim é o aumento da Energia Natural Afluente (ENA) no Sudeste/Centro-Oeste, região que concentra cerca de 70% da capacidade de armazenamento de água do Sistema Interligado Nacional (SIN). As projeções indicam que o subsistema pode fechar o mês com 58% da Média de Longo Termo (MLT), sinalizando recuperação das vazões após semanas de comportamento abaixo da média.

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O subsistema Sul mantém o melhor desempenho hidrológico, com ENA estimada em 88% da MLT, enquanto o Norte deve alcançar 51% e o Nordeste, 36%. Esse comportamento equilibrado das afluências indica um cenário de regularidade na recarga dos reservatórios, o que contribui para manter a operação do SIN dentro dos parâmetros de segurança e confiabilidade energética.

Política operativa garante estabilidade no atendimento do SIN

De acordo com o diretor de Operação do ONS, Christiano Vieira, o cenário atual reflete o êxito das decisões estratégicas adotadas na condução do sistema.

“Os dados estão compatíveis com o final do período seco. A estabilidade verificada no armazenamento reflete os resultados favoráveis da política operativa que vem sendo realizada e assegura o atendimento das demandas do Sistema Interligado Nacional (SIN)”, destaca Vieira.

A fala reforça a importância da gestão integrada da operação, que combina previsões hidrológicas, despacho de geração térmica e estratégias de otimização dos reservatórios. O ONS tem buscado equilibrar a oferta de energia com as condições climáticas e de demanda, evitando riscos de déficit e garantindo o uso eficiente dos recursos disponíveis.

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Demanda apresenta queda no Sudeste, mas cresce no Norte e Nordeste

O boletim do ONS também traz uma revisão das projeções de demanda de carga no SIN, com redução média de 2% em relação à semana anterior. O comportamento é puxado principalmente pelo recuo nas regiões Sudeste/Centro-Oeste (-4%) e Sul (-4%), que devem registrar cargas médias de 44.412 MWmed e 12.960 MWmed, respectivamente.

Em contrapartida, o Norte e o Nordeste apresentam crescimento de 6,9% (8.842 MWmed) e 1,6% (13.914 MWmed). O avanço nessas regiões reflete o ritmo de expansão econômica local, o aumento das temperaturas e a maior penetração de atividades produtivas intensivas em energia.

Esse cenário reforça a heterogeneidade do consumo elétrico brasileiro, com o Sudeste apresentando sinais de desaceleração industrial e o Norte/Nordeste impulsionados por novas cargas, sobretudo nas áreas de mineração, agroindústria e serviços.

Custo Marginal de Operação mantém-se em patamar estável

O Custo Marginal de Operação (CMO), indicador que reflete o custo econômico de geração no sistema, permanece em níveis estáveis, confirmando a ausência de pressões significativas sobre o despacho térmico.

Para a próxima semana operativa, o CMO está em R$ 302,79/MWh nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, R$ 257,13/MWh no Nordeste e R$ 353,03/MWh no Norte. A variação entre as regiões reflete a disponibilidade local de geração renovável e as condições de intercâmbio de energia entre os submercados.

A manutenção de valores equilibrados sinaliza eficiência na operação e controle de custos sistêmicos, favorecendo o planejamento de agentes e consumidores no mercado de energia.

Operação entra no período úmido com base sólida

Com a proximidade da estação chuvosa, o ONS entra no próximo ciclo com reservatórios bem posicionados e condições favoráveis de operação. A estabilidade observada em outubro reduz o risco de acionamento adicional de térmicas e cria margem para o reaproveitamento do potencial hidrelétrico nos próximos meses.

A convergência entre hidrologia, planejamento e coordenação operativa coloca o sistema em um patamar seguro para enfrentar eventuais variações de demanda e de regime de chuvas, consolidando o papel do ONS como eixo central da segurança elétrica nacional.

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