Diretor-geral do ONS será o primeiro brasileiro a presidir a associação que reúne os maiores operadores de sistemas elétricos do mundo; mandato marca reconhecimento internacional da capacidade técnica e da relevância do Brasil na transição energética
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Marcio Rea, foi eleito, por unanimidade, vice-presidente do GO15 em 2026 e presidente em 2027, em decisão anunciada nesta segunda-feira, 27 de outubro. O GO15 é uma das mais importantes entidades do setor elétrico global, reunindo os maiores operadores de sistemas de energia do mundo, responsáveis por mais da metade da demanda global de eletricidade.
A eleição de Rea representa um marco para o Brasil e para o ONS, consolidando o reconhecimento internacional da capacidade técnica e da governança do operador brasileiro. Fundado em 2004, o GO15 tem como missão promover a cooperação entre operadores de sistemas elétricos para aprimorar a confiabilidade, a segurança e a eficiência das redes em um contexto de transformações profundas na matriz energética global.
“Vivemos um momento de profundas transformações”, diz Rea
Ao comentar a eleição, Marcio Rea destacou o papel estratégico do intercâmbio técnico internacional em um momento em que o setor elétrico passa por mudanças estruturais.
“Vivemos um momento de profundas transformações. A transição energética, a descentralização da geração, a digitalização e o avanço das tecnologias de armazenamento e inteligência artificial estão redefinindo a forma como operamos nossos sistemas. Este intercâmbio de conhecimento pode ser extremamente importante para enfrentar os desafios”, afirmou o diretor-geral do ONS.
A fala reforça a importância da cooperação multilateral entre operadores na busca por soluções que conciliem segurança energética, flexibilidade operacional e sustentabilidade ambiental.
GO15: uma rede global de operadores
O GO15 (Reliable and Sustainable Power Grids Organization) é formado atualmente por 16 operadores de sistemas elétricos de diferentes regiões do mundo, incluindo América, Europa, Ásia, África e Oceania. Entre seus membros estão instituições de referência, como RTE (França), PJM (Estados Unidos), State Grid Corporation (China), National Grid (Reino Unido) e CENACE (México).
O grupo atua como plataforma de troca de experiências e boas práticas em temas críticos como integração de energias renováveis, resposta à demanda, planejamento de redes interconectadas, resiliência frente a eventos climáticos extremos e uso de inteligência artificial na operação.
A cada ano, o GO15 promove encontros técnicos e estratégicos que reúnem lideranças globais do setor elétrico para discutir tendências, desafios regulatórios e inovações tecnológicas que impactam a operação dos sistemas de potência.
Relevância do Brasil na governança energética global
A eleição de um representante brasileiro para a presidência do GO15 ocorre em um momento em que o país ganha destaque internacional na agenda de transição energética. O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 80% da geração proveniente de fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica e solar.
A atuação do ONS tem sido fundamental para integrar essas fontes de forma segura e eficiente, sobretudo em um contexto de maior variabilidade e descentralização da geração. O operador também vem avançando em projetos de digitalização, automação e modernização da operação, alinhados às tendências globais de sistemas elétricos inteligentes (smart grids).
Ao assumir o comando do GO15, Marcio Rea deverá ampliar a visibilidade do Brasil em fóruns internacionais de governança energética, contribuindo para a construção de modelos de operação mais resilientes e sustentáveis.
Cooperação internacional e desafios tecnológicos
A liderança brasileira na associação deve intensificar o intercâmbio técnico em temas estratégicos, como integração de energias renováveis variáveis, armazenamento de energia, uso de dados em tempo real e inteligência artificial aplicada à operação do sistema elétrico.
Esses são desafios compartilhados por todos os países que caminham em direção à transição energética, processo que exige coordenação, inovação e governança multilateral para garantir estabilidade e segurança no fornecimento.
Nesse contexto, a eleição de Rea reflete não apenas o reconhecimento da competência técnica do ONS, mas também a convergência de agendas globais e nacionais em torno da modernização do setor elétrico.



