Término do inverno reduziu demanda no SIN, mas expectativa é de crescimento em outubro com avanço da primavera e maior uso de refrigeração
O consumo de energia elétrica no Brasil recuou 3,5% em setembro de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando 68.953 megawatts médios (MWmed), segundo levantamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A queda é explicada principalmente pelas temperaturas mais amenas do fim do inverno, que reduziram o uso de equipamentos de climatização.
Com a chegada da primavera e o aumento das temperaturas, a expectativa do setor é de uma retomada gradual da demanda ao longo de outubro, impulsionada pelo uso mais intenso de ar-condicionado e ventiladores, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que concentram a maior carga do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Ambiente regulado sente mais o impacto da temperatura
A CCEE destacou que a variação climática continua sendo um dos fatores de maior peso na oscilação do consumo elétrico nacional. No ambiente regulado (ACR), que reúne residências, pequenos comércios e indústrias de médio porte, o consumo foi de 39.099 MWmed, o que representa queda de 4,6% em relação a setembro de 2024.
Esse recuo reflete a sensibilidade do segmento residencial e de serviços às condições meteorológicas, comportamento já observado em períodos de transição entre estações. O movimento reforça a importância do planejamento energético integrado e do monitoramento meteorológico, sobretudo para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que precisa ajustar a oferta de geração de acordo com a demanda prevista.
Mercado livre mantém estabilidade e sinaliza maturidade
No ambiente de contratação livre (ACL), onde grandes consumidores negociam energia diretamente com fornecedores, o consumo médio ficou em 29.854 MWmed, uma redução mais moderada de 2% frente ao mesmo mês de 2024.
Essa estabilidade indica a maturidade do mercado livre, que vem se consolidando como espaço de eficiência energética e previsibilidade orçamentária para indústrias e grandes grupos empresariais. Mesmo com a leve retração, a CCEE avalia que os contratos de longo prazo e a diversificação de fontes, com destaque para solar, eólica e PCHs, garantem maior resiliência ao segmento.
Para a Câmara de Comercialização, o acompanhamento detalhado do consumo é fundamental para orientar decisões de investimento, formulação de políticas públicas e expansão de infraestrutura elétrica. Os dados, apurados em tempo real pela instituição, funcionam como um termômetro da atividade econômica e do comportamento dos agentes de mercado.
Indústrias de minerais e têxteis puxam alta no ACL
Entre os 15 setores econômicos acompanhados pela CCEE no mercado livre, três segmentos apresentaram crescimento expressivo em setembro: Minerais Não Metálicos (+2,9%), Têxteis (+2,6%) e Manufaturados Diversos (+2,3%).
Esses resultados sinalizam recuperação industrial localizada, possivelmente associada à retomada de obras e à estabilização de custos energéticos. Por outro lado, as maiores retrações foram observadas nas indústrias de Veículos (-9,2%), Telecomunicações (-7,6%) e Serviços (-6,6%), refletindo a desaceleração pontual de setores intensivos em energia e a influência do cenário macroeconômico ainda conservador.
Desempenho regional revela contrastes na demanda
A análise regional da CCEE mostra um quadro desigual no consumo. Estados do Nordeste e Norte registraram crescimento, com destaque para o Maranhão (+6,9%), Acre (+4,3%) e Piauí (+3,5%), impulsionados pela expansão de pequenas e médias indústrias e pelo aumento da geração solar distribuída.
Em contrapartida, Espírito Santo (-14,8%), Rondônia (-13,5%) e Rio de Janeiro (-10,5%) apresentaram as maiores quedas. No caso fluminense, o desempenho negativo reflete a menor atividade industrial e ajustes no consumo corporativo, em linha com o cenário econômico do Sudeste.
Perspectivas: calor e mercado livre devem impulsionar outubro
Com o avanço da primavera, a CCEE projeta um crescimento gradual do consumo nas próximas semanas, sustentado pelo aumento das temperaturas e pela maior carga residencial. Além disso, o avanço da migração de consumidores para o mercado livre deve continuar fortalecendo a flexibilidade e a competitividade no setor.
O cenário indica que, embora setembro tenha representado uma pausa sazonal na demanda, o quarto trimestre tende a encerrar 2025 com sinal de retomada, apoiado em variáveis climáticas e estruturais que favorecem o equilíbrio entre oferta e consumo no sistema elétrico brasileiro.



