SNPTEE 2025 reforça liderança do Brasil na transição energética e consolida evento como o maior da América Latina

Com mais de 3 mil participantes, edição no Recife destacou o papel estratégico do setor elétrico diante da superoferta de renováveis e da necessidade de integração entre pesquisa, indústria e operação

O XXVIII Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (SNPTEE) reafirmou sua relevância como o maior e mais importante encontro técnico do setor elétrico na América Latina. Realizado entre os dias 19 e 22 de outubro, no Recife Expo Center, o evento reuniu mais de 3 mil participantes de 14 países e 238 cidades, consolidando-se como um marco para o debate sobre os rumos da transição energética brasileira.

Promovido pelo CIGRE-Brasil e organizado pela Eletrobras, agora Axia Energia, o SNPTEE movimentou a economia local e o ecossistema do setor. Segundo a organização, foram gerados mais de 1.300 empregos diretos e cerca de 4 mil indiretos durante a preparação e realização do evento, uma demonstração do impacto econômico e institucional do seminário.

Nordeste no centro da transição energética

A escolha de Recife para sediar o SNPTEE não foi casual. O Nordeste se consolidou como o epicentro das discussões sobre os desafios da expansão das fontes renováveis, especialmente a eólica e a solar.

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Para João Carlos Mello, presidente do CIGRE-Brasil, a região simboliza o novo momento do setor elétrico nacional. “O SNPTEE reafirma seu papel estratégico ao promover a integração entre pesquisa, setor industrial e operação, de forma a preparar o setor para os desafios atuais, como a superoferta de energia renovável, que exige uma nova postura colaborativa”.

O dirigente ressaltou ainda que trazer o seminário de volta ao Nordeste, após 16 anos, reforça a importância de se discutir modelos de operação e expansão mais coordenados, capazes de absorver o crescimento acelerado das renováveis e garantir a segurança energética.

Brasil em posição de liderança global

Com quase 90% da matriz elétrica proveniente de fontes renováveis, o Brasil desponta como protagonista natural na transição energética mundial. No entanto, Mello alertou que é necessário alinhar inovação, políticas públicas e viabilidade econômica para consolidar essa posição de liderança.

“O Brasil tem a chance de liderar a transição energética global com um modelo próprio. Estamos preparados para eletrificar nossa economia, mas ainda precisamos garantir que o avanço tecnológico e as políticas públicas caminhem de forma coordenada”, afirmou.

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Essa reflexão permeou diversos painéis e discussões do evento, em um momento em que o país busca fortalecer sua infraestrutura de transmissão e aprimorar os mecanismos de integração das fontes intermitentes, sem comprometer a confiabilidade do sistema.

Debates, fóruns e integração entre gerações

O XXVIII SNPTEE teve uma programação robusta, com 518 informes técnicos, 33 palestras, 3 fóruns e 16 grupos de estudo, abordando desde modernização da rede elétrica até digitalização e novos modelos de mercado.

O Fórum de CEOs reuniu mais de 30 líderes empresariais, que discutiram tendências e oportunidades para o setor. Já o Fórum de Mulheres apresentou um dos momentos mais marcantes do seminário: o painel “Correntes em disputa: tensões e soluções para um setor em transformação”, que utilizou a histórica rivalidade entre Thomas Edison (defensor da corrente contínua) e Nikola Tesla (da corrente alternada) como metáfora para os dilemas contemporâneos da engenharia elétrica brasileira.

Outro destaque foi o Fórum Acadêmico, que contou com a participação de 30 universidades e centros de pesquisa, além de incentivar a formação de novas lideranças por meio de programas como o NGN – New Generation Network.

Feira de negócios e inovação fortalecem o ecossistema

Paralelamente às palestras, o SNPTEE abrigou uma feira de negócios internacional com 98 expositores, reunindo empresas, startups e instituições de diferentes países. O espaço foi dedicado à geração de parcerias e oportunidades comerciais, que devem se estender além do período do evento, fortalecendo a cadeia produtiva de energia elétrica.

O encerramento foi marcado por uma cerimônia de premiação dos melhores trabalhos técnicos e de inovação, reconhecendo contribuições relevantes para o avanço do setor. A celebração culminou em um show da cantora Elba Ramalho, no Mirante do Paço, simbolizando o encontro entre tecnologia, cultura e integração regional.

SNPTEE 2025: um marco para o futuro do setor elétrico

Ao encerrar a edição, João Carlos Mello destacou o impacto do evento para o desenvolvimento do setor. “O SNPTEE confirmou seu papel fundamental para o futuro do setor elétrico brasileiro e latino-americano e para o fomento de negócios, troca de conhecimento e o desenvolvimento de lideranças capacitadas para os desafios de hoje e amanhã”.

A próxima edição do SNPTEE já tem data marcada: 2027, em Foz do Iguaçu (PR), e deve manter o compromisso de consolidar o Brasil como protagonista técnico e institucional na transformação do setor elétrico global.

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