Durante missão na Indonésia, presidente destaca o papel estratégico dos minerais críticos para a transição energética e reforça que o novo Conselho Nacional de Minerais Críticos colocará o Brasil em posição de liderança na economia verde
Em viagem à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o Brasil não pretende se limitar a ser um fornecedor de matérias-primas na nova ordem energética global. Ao participar de uma agenda voltada à cooperação em sustentabilidade e inovação, Lula afirmou que o país deve agregar valor às suas cadeias produtivas e garantir soberania sobre seus recursos estratégicos.
“Apesar de termos só 30% da riqueza mineral devidamente mapeada, já contamos com 10% das reservas mundiais de minerais críticos, essenciais para a transição energética. A criação de um Conselho Nacional de Minerais Críticos, vinculado à Presidência da República, será um passo para garantir a soberania”, disse o presidente.
A fala ocorreu em um contexto no qual o governo brasileiro intensifica sua diplomacia energética e ambiental, buscando atrair investimentos para setores de alto valor agregado, como o de minerais críticos, fundamentais para a produção de baterias, painéis solares, turbinas eólicas e veículos elétricos, pilares da economia de baixo carbono.
Conselho Nacional de Minerais Críticos: novo eixo estratégico da política industrial
O recém-criado Conselho Nacional de Minerais Críticos (CNMC), vinculado diretamente à Presidência da República, é considerado uma das principais apostas do governo para transformar o potencial mineral do Brasil em vetor de desenvolvimento industrial e tecnológico.
Composto por representantes de diversos ministérios, o órgão deverá articular políticas públicas para exploração sustentável, agregação de valor e incentivo à industrialização das cadeias de lítio, níquel, cobre, nióbio, terras raras e outros insumos essenciais à transição energética.
A iniciativa dialoga com o Programa de Aceleração da Transição Energética (PATE) e com a nova política industrial lançada pelo governo, que tem entre seus objetivos reduzir a dependência externa de insumos estratégicos e fortalecer o papel do Brasil como produtor e exportador de tecnologia limpa, e não apenas de commodities.
De acordo com técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME), o país já atraiu atenção de grandes grupos internacionais de mineração e energia, especialmente após a aprovação da Lei do Combustível do Futuro e a criação de marcos regulatórios mais previsíveis para exploração sustentável.
Recursos estratégicos e soberania energética
O discurso de Lula na Indonésia reforça a visão de que a transição energética é também uma disputa geopolítica. Com o avanço da eletrificação global, minerais críticos tornaram-se ativos estratégicos para a autonomia produtiva das nações. Países que dominarem a cadeia desses materiais, do mapeamento geológico ao refino e fabricação de tecnologias, terão maior poder de influência na economia verde.
Nesse sentido, o presidente ressaltou que o Brasil pretende garantir controle sobre a exploração e o beneficiamento desses recursos, evitando a repetição de ciclos históricos de exportação primária e dependência tecnológica.
A criação do CNMC é vista como uma ferramenta essencial para integrar ciência, inovação e política industrial, estimulando parcerias público-privadas e o investimento em pesquisa mineral.
Especialistas apontam que, com apenas 30% do território nacional mapeado, o país tem enorme potencial inexplorado, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde há concentração de jazidas de minerais críticos ainda não totalmente catalogadas.
Brasil e Indonésia: convergência estratégica em transição energética
A fala de Lula ocorre em um momento de aproximação diplomática entre Brasil e Indonésia, dois países que compartilham desafios e oportunidades semelhantes na exploração de recursos naturais. Ambos buscam equilibrar desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental, adotando políticas voltadas à agregação de valor e à redução da dependência de exportações primárias.
Na Indonésia, o governo também vem limitando a exportação de minério bruto, especialmente de níquel, para incentivar o desenvolvimento de cadeias industriais domésticas. A convergência com o Brasil pode resultar em cooperação tecnológica e comercial, fortalecendo a posição de ambos os países no cenário energético global.
Industrialização verde e transição justa
A mensagem central do presidente brasileiro é que a transição energética deve ser acompanhada de uma transição produtiva e social. O país pretende usar seus recursos minerais não apenas como vantagem comparativa, mas como instrumento de geração de empregos qualificados, desenvolvimento regional e inovação tecnológica.
O Conselho Nacional de Minerais Críticos será, segundo o governo, um dos pilares da estratégia de reindustrialização verde, conceito que alia competitividade econômica à sustentabilidade ambiental.



