Fundo de R$ 500 milhões vai apoiar cerca de 15 startups e pequenas empresas com soluções em energia renovável, armazenamento, combustíveis sustentáveis e captura de carbono, reforçando a política climática e industrial do Brasil
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram a seleção da Valetec como gestora do Fundo de Investimento em Participações (FIP) de Transição Energética e Descarbonização, uma iniciativa inédita voltada para o financiamento de tecnologias limpas no país.
A escolha da Valetec, divulgada em 20 de outubro, marca um avanço significativo na mobilização do mercado de capitais para acelerar a transição energética no Brasil. O fundo terá capital alvo de R$ 500 milhões, sendo R$ 240 milhões o mínimo necessário para iniciar as operações. O objetivo é investir em cerca de 15 micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) de base tecnológica que desenvolvam soluções em geração renovável, armazenamento, eletromobilidade, combustíveis sustentáveis e captura e uso de carbono (CCUS).
Em segundo lugar na seleção ficou o consórcio Ahead Ventures e Aecom, seguido pela Lightrock. A próxima etapa será a negociação contratual e regulamentar do fundo, além das diligências legais que antecedem o início efetivo das operações.
Mobilização inédita para financiar a descarbonização
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a importância da iniciativa dentro da política nacional de descarbonização e segurança energética:
“Avançamos em mais uma etapa, que representa um marco na atuação do BNDES em prol da descarbonização da economia brasileira. Estamos mobilizando o mercado de capitais para acelerar investimentos em tecnologias limpas, energias renováveis e soluções que garantam segurança energética ao país. Essa iniciativa reforça o compromisso do governo do presidente Lula com um futuro sustentável, competitivo e alinhado às metas climáticas globais.”
O FIP Transição Energética faz parte de uma estratégia integrada entre BNDES, Finep, Petrobras e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), buscando alavancar investimentos privados e públicos em projetos estratégicos de inovação verde.
Finep reforça foco em inovação e missão climática
O presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, ressaltou o recorde de propostas recebidas e a relevância do tema para as políticas públicas de inovação e sustentabilidade:
“Transição energética e descarbonização são temas atuais, com grandes impactos no futuro e que serão prioritários nas discussões da COP30. Este edital teve recorde de propostas recebidas para gestão deste FIP e agora nossa expectativa é que os recursos sejam aplicados nestas temáticas tão relevantes, reforçando o apoio do FNDCT, Finep e MCTI, alinhados à missão 5 da NIB.”
A missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB) tem como foco o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis e a redução das emissões de carbono da indústria nacional, o que torna o FIP um instrumento de política industrial e ambiental de alta relevância estratégica.
Petrobras busca acelerar soluções sustentáveis
A Petrobras, que poderá aportar até R$ 250 milhões (49% do fundo), vê o FIP como parte essencial de sua estratégia de transição energética. A diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da companhia, Angélica Laureano, afirmou:
“A consolidação desta etapa de seleção da gestora do fundo representa mais um passo concreto da Petrobras e reforça seu papel na liderança da transição energética justa. Ao apoiar empresas inovadoras, aceleramos soluções sustentáveis que contribuem para o desenvolvimento do Brasil.”
Além da Petrobras, a BNDESPar deve comprometer entre R$ 50 milhões e R$ 125 milhões (até 25% do fundo), enquanto a Finep disponibilizará até R$ 60 milhões com recursos do FNDCT. O restante poderá vir de investidores privados interessados nos setores-alvo, ampliando o impacto financeiro e tecnológico da iniciativa.
Apoio à inovação de base tecnológica
As empresas beneficiadas pelo FIP deverão apresentar soluções tecnológicas validadas e início de receitas recorrentes, podendo estar nas fases de capital semente ou aceleração de crescimento. O investimento será direcionado exclusivamente a empresas brasileiras, reforçando o papel do fundo no desenvolvimento da cadeia de inovação nacional.
Com foco em resultados de médio e longo prazo, o FIP busca impulsionar startups e empresas de base tecnológica capazes de contribuir para a descarbonização de processos industriais, a eletrificação da mobilidade e o uso eficiente de energia.
Um marco na política climática e industrial brasileira
A criação e estruturação do FIP de Transição Energética e Descarbonização reforçam a visão de que a sustentabilidade é também uma agenda de competitividade. Ao unir três das principais instituições de fomento e investimento do país, BNDES, Petrobras e Finep, o Brasil dá um passo relevante na direção de um modelo econômico baixo em carbono e orientado pela inovação.
O processo de diligência e aprovação ainda passará pelas alçadas competentes dos investidores âncoras, mas a expectativa é que os aportes ocorram de forma escalonada conforme as necessidades de capital das empresas selecionadas.



