Parceria fortalece posição do Ceará como hub global de energia limpa e consolida rota de exportação de hidrogênio verde entre Brasil e Alemanha
O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), no Ceará, deu mais um passo decisivo para consolidar sua posição como plataforma internacional de exportação de energia limpa. Nesta quinta-feira (17), os Portos de Pecém (Brasil) e Rostock (Alemanha) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) que amplia o Corredor Verde de Hidrogênio, conectando o Nordeste brasileiro ao norte da Europa e à região do Mar Báltico.
O novo acordo reforça a rede internacional do Pecém, que já mantém parcerias com o Porto de Roterdã, nos Países Baixos, e o Porto de Duisport, na Alemanha. Com isso, o corredor passa a abranger os principais destinos logísticos e industriais da Europa voltados à descarbonização e ao consumo de combustíveis sustentáveis.
Acordo estratégico amplia alcance do hidrogênio verde brasileiro
Com validade inicial de dois anos, o memorando busca desenvolver projetos conjuntos de infraestrutura, logística e intercâmbio tecnológico, com foco no transporte de hidrogênio verde, amônia verde e e-metanol, derivados essenciais para a descarbonização do setor energético e industrial europeu.
Para Max Quintino, presidente do Complexo do Pecém, o novo acordo consolida uma estratégia de longo prazo. “É mais um passo estratégico para consolidar o Pecém como um hub global de energia verde, fortalecendo nossa posição não apenas como polo industrial e logístico do Nordeste, mas também como protagonista mundial na transição energética. A parceria abre oportunidades concretas de desenvolvimento econômico e social para o Ceará e para o Brasil”.
O acordo também reforça o papel do Brasil como provedor de energia limpa em escala global, aproveitando o potencial solar e eólico do Nordeste para suprir a crescente demanda europeia por combustíveis de baixo carbono.
Nova rota fortalece conexão Brasil-Europa na transição energética
De acordo com André Magalhães, diretor comercial do Complexo do Pecém, o entendimento com Rostock amplia significativamente o alcance logístico e energético do Corredor Verde. “O acordo com o Porto de Rostock amplia o alcance do nosso Corredor Verde para o norte da Alemanha e para os países do Mar Báltico — como Dinamarca, Suécia, Finlândia, Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia. Essa nova rota irá conectar a produção, transporte e consumo de energia limpa, reforçando o papel do Pecém como hub global de energia verde e fortalecendo as cadeias sustentáveis entre o Brasil e a Europa.”
O Porto de Rostock, localizado no Estado de Mecklenburg-Western Pomerania, é uma das principais portas de entrada de energia para o norte europeu. Com infraestrutura avançada e planos de expansão voltados à importação e processamento de hidrogênio verde, o terminal alemão torna-se peça-chave na integração das cadeias energéticas transatlânticas.
Alemanha vê o Pecém como principal polo de hidrogênio do Brasil
Durante a assinatura, representantes alemães destacaram a importância estratégica da cooperação.
Segundo Jochen Schulte, secretário de Estado da Mecklenburg-Western Pomerania, a parceria entre Rostock e Pecém transcende fronteiras. “Rostock é um dos futuros portos de energia verde na Alemanha. Juntos, podemos garantir que a transição energética não pare nas fronteiras, mas seja pensada internacionalmente.”
Já Gernot Tesch, diretor executivo do Porto de Rostock, reforçou o caráter transformador do acordo. “Para nós, a cooperação com Pecém é uma parceria estratégica. Isso permitirá que Rostock expanda ainda mais seu papel como um importante porto de produção e importação de energia. Ao mesmo tempo, estamos conquistando acesso a um dos locais mais promissores de energia verde em todo o mundo. Esta é uma oportunidade que queremos moldar ativamente.”
Corredor Verde conecta Brasil à descarbonização europeia
A ampliação do Corredor Verde Brasil–Europa teve início em dezembro de 2024, quando Pecém e Roterdã firmaram um MoU com o Porto de Duisport. Desde então, o projeto vem se consolidando como uma das principais rotas internacionais para exportação de combustíveis sustentáveis.
O corredor tem como foco o transporte de hidrogênio verde, amônia e e-metanol, apoiando os objetivos da União Europeia de reduzir as emissões de carbono e aumentar a segurança energética até 2030. Além disso, o modelo visa impulsionar o desenvolvimento econômico e social do Nordeste brasileiro, transformando o potencial renovável da região em uma vantagem competitiva global.
A parceria também contribui para o reposicionamento geopolítico do Brasil como fornecedor estratégico de energia limpa, atraindo investimentos internacionais e fomentando a cadeia produtiva nacional de hidrogênio verde.



