McKinsey projeta que combustíveis fósseis continuarão dominando a matriz energética global após 2050

Relatório alerta que crescimento da demanda por eletricidade e data centers nos EUA e OCDE limitará avanço de renováveis e comprometerá metas climáticas

Um novo estudo da McKinsey & Company aponta que petróleo, gás e carvão continuarão a ser componentes centrais da matriz energética mundial muito além de 2050. Embora a participação de combustíveis fósseis caia de 64% do consumo atual para entre 41% e 55% em 2050, a redução é mais lenta do que projeções anteriores, evidenciando os desafios da transição para fontes limpas.

Segundo o relatório, o crescimento da demanda por eletricidade, especialmente nos setores industrial e de construção, impulsionará a continuidade do uso de fósseis, mesmo com a expansão das energias renováveis.

Acelerador de demanda: data centers e tecnologia digital

Um dos fatores que mais contribuirá para o aumento da demanda por energia são os data centers, especialmente nos Estados Unidos. A McKinsey estima que a energia consumida por essas instalações crescerá quase 25% ao ano até 2030, enquanto globalmente o crescimento médio será de 17% ao ano entre 2022 e 2030, com destaque para os países da OCDE.

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Diego Hernandez Diaz, sócio da McKinsey, comentou sobre essa dinâmica. “Essa foi provavelmente a nossa maior mudança de pensamento sobre a evolução do sistema energético. Não esperamos que a demanda de petróleo se estabilize até a década de 2030.”

Essa observação reforça que a digitalização e a expansão tecnológica têm impacto direto no consumo de energia global, elevando a necessidade de soluções que conciliem crescimento econômico e metas de descarbonização.

Gás natural e carvão: perspectivas até 2050

O relatório indica que o gás natural continuará crescendo em importância na geração elétrica, enquanto o carvão poderá manter níveis relativamente altos de consumo, sobretudo em regiões onde a segurança energética e os custos competitivos são prioridade.

Hernandez Diaz explica a perspectiva. “Combinado com a economia regional e global de alguns combustíveis fósseis, isso nos leva a ver até 55% da pilha global de energia sendo formada por combustíveis fósseis em 2050.”

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Essa previsão mostra que a transição energética global será gradual e que a dependência de fósseis permanecerá significativa, exigindo estratégias complementares de eficiência e mitigação de emissões.

Renováveis têm potencial, mas desafios permanecem

A McKinsey estima que as energias renováveis poderiam fornecer de 61% a 67% do mix energético global em 2050, mas destaca que a adoção de combustíveis alternativos será limitada antes de 2040, a menos que haja exigências regulatórias e políticas governamentais mais robustas.

O estudo evidencia ainda que fatores geopolíticos e políticas que priorizam acessibilidade e segurança energética frequentemente se sobrepõem às metas climáticas estabelecidas pelo Acordo de Paris, moldando de forma direta o futuro energético global.

Impacto nas metas de emissões líquidas zero

O uso contínuo de combustíveis fósseis representa um desafio crítico para o cumprimento das metas globais de emissões líquidas zero de gases de efeito estufa. Embora a redução parcial do consumo de petróleo, gás e carvão seja esperada, o ritmo lento da transição e a crescente demanda por energia dificultam a trajetória rumo a um sistema energético sustentável.

O relatório da McKinsey reforça a necessidade de políticas públicas claras, investimento em eficiência energética e expansão de fontes renováveis, especialmente em setores de alta demanda como indústria, construção e tecnologia digital.

Conclusão: um cenário de transição lenta e complexa

A projeção da McKinsey indica que, apesar do avanço das energias limpas, os combustíveis fósseis continuarão a desempenhar papel dominante na matriz energética global até 2050, exigindo soluções estratégicas para conciliar crescimento econômico, segurança energética e metas climáticas.

O estudo serve como alerta para governos, reguladores e empresas do setor elétrico sobre a urgência de políticas e tecnologias que acelerem a transição sem comprometer o fornecimento de energia.

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