Secretário de Transição Energética, Gustavo Ataíde, destacou que a entrada das baterias no sistema elétrico nacional será guiada pela competitividade de preços, sem necessidade de subsídios, consolidando o armazenamento como peça-chave no atendimento à demanda de ponta
O Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou que deve realizar ainda em 2025 o primeiro leilão de armazenamento de energia elétrica do país. A medida foi anunciada pelo secretário de Transição Energética, Gustavo Ataíde, durante a terceira audiência pública da Medida Provisória 1304, que trata de incentivos à expansão da infraestrutura energética nacional.
Segundo Ataíde, o leilão marcará um novo ciclo de modernização do setor elétrico brasileiro, com foco em garantir segurança energética e otimizar o atendimento à demanda de ponta, especialmente nos horários de maior consumo.
“As baterias entrarão no mercado nacional com viabilização por otimização de preço. O planejamento para 2035 prevê uma relevante inserção dessa modalidade na matriz elétrica”, afirmou o secretário.
A fala reforça o papel estratégico do armazenamento no contexto da transição energética, permitindo maior flexibilidade operacional ao sistema e ampliando a integração de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.
Armazenamento ganha protagonismo na transição energética
O armazenamento de energia, sobretudo via baterias de íon-lítio e sistemas de bombeamento reverso, é considerado um dos pilares da modernização do setor elétrico global. No Brasil, o tema tem ganhado força nas discussões técnicas e regulatórias desde 2023, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) passaram a incorporar o tema nas projeções de expansão da matriz.
Com a iniciativa anunciada pelo MME, o Brasil entra definitivamente na rota dos países que apostam no armazenamento como infraestrutura crítica para garantir estabilidade e eficiência no fornecimento de energia. O modelo de leilão em preparação deverá priorizar projetos que atuem no atendimento de ponta, aliviando o sistema nos momentos de maior estresse de carga.
O planejamento setorial indica que, até 2035, os sistemas de armazenamento poderão atuar de forma complementar às usinas de geração eólica e solar, equilibrando a oferta e contribuindo para a redução do despacho térmico, medida essencial para o alcance das metas de descarbonização.
Competitividade sem subsídios: novo paradigma para o setor
Durante a audiência, Gustavo Ataíde também enfatizou que o armazenamento de energia não dependerá de subsídios governamentais para avançar no país.
“Não há necessidade de subsídios e incentivos adicionais para o armazenamento de energia. O drive de expansão será o sinal de preço”, afirmou o secretário.
A declaração reflete uma mudança de postura em relação à introdução de novas tecnologias no setor elétrico, tradicionalmente dependentes de incentivos para se tornarem viáveis. Segundo o MME, a competitividade global dos sistemas de armazenamento já permite sua inserção de forma sustentável, especialmente diante da queda expressiva nos custos das baterias nos últimos anos.
O posicionamento indica que o governo pretende deixar que o mercado e a dinâmica de preços guiem os investimentos, estimulando a eficiência econômica e inovação tecnológica sem comprometer o equilíbrio tarifário dos consumidores.
Um novo marco para a matriz elétrica brasileira
Com o lançamento do leilão previsto ainda para este ano, o armazenamento de energia deve consolidar-se como a nova fronteira de investimento no setor elétrico brasileiro. A expectativa é que a medida gere oportunidades para empresas nacionais e internacionais, atraindo fabricantes de baterias, desenvolvedores de soluções digitais e integradores de sistemas.
Além de aprimorar o gerenciamento da oferta de energia, os projetos de armazenamento poderão reduzir perdas, aliviar congestionamentos na transmissão e aumentar a confiabilidade do sistema elétrico, especialmente em regiões com elevada penetração de renováveis.
O Brasil, que já se destaca por ter uma matriz elétrica composta por mais de 80% de fontes limpas, passa a integrar uma nova fase da transição energética, na qual armazenamento e digitalização se tornam essenciais para garantir eficiência, estabilidade e competitividade de longo prazo.
Perspectiva até 2035: integração plena das baterias ao sistema
O planejamento energético até 2035 elaborado pelo MME prevê que os sistemas de armazenamento terão papel relevante na composição da matriz, atuando tanto no gerenciamento de picos de demanda quanto na estabilização de redes inteligentes.
A projeção acompanha o movimento global de aceleração do setor, impulsionado pelo avanço tecnológico, pela queda nos custos de produção e pela maior demanda por fontes limpas. Para o Brasil, o desafio será criar condições regulatórias claras e estáveis para viabilizar a integração eficiente dessas soluções ao sistema interligado nacional (SIN).



