Apagão nacional expõe fragilidades e reforça urgência por modernização e armazenamento de energia no Brasil, alerta CEO da Fotus

Para José João Cunha Filho, CEO da Fotus, o blecaute desta terça-feira (14) evidencia a necessidade de fortalecer a resiliência da rede elétrica, investir em tecnologias de monitoramento e ampliar o uso de baterias (BESS) e geração distribuída para garantir segurança e autonomia ao sistema

O apagão que atingiu parte do país nesta terça-feira (14) voltou a acender um alerta importante sobre a vulnerabilidade da infraestrutura elétrica brasileira. O episódio, causado por um incêndio em uma subestação de alta tensão no Paraná, teve efeitos em cascata e deixou milhões de consumidores sem energia por várias horas, um retrato claro de como falhas localizadas ainda geram impactos sistêmicos em um sistema interligado que carece de redundância e modernização.

Para José João Cunha Filho, CEO da Fotus Distribuidora Solar, o evento oferece um aprendizado valioso e reforça a necessidade de repensar a estrutura de confiabilidade do setor. “O apagão que atingiu boa parte do país nesta terça-feira (14) reforça a importância de investimentos contínuos em resiliência e modernização do sistema elétrico nacional. Embora eventos dessa natureza tenham causas pontuais, como o incêndio registrado em uma subestação de alta tensão no Paraná, seus efeitos em cadeia evidenciam como falhas localizadas podem impactar milhões de consumidores quando não há redundância suficiente na transmissão.”

Modernização e resiliência: monitoramento e manutenção são prioridades

De acordo com Cunha Filho, o mapeamento constante dos pontos críticos da rede é um dos pilares para evitar novos episódios de apagão. Ele defende uma abordagem proativa, que combine tecnologia e prevenção. “O episódio destaca a necessidade de mapeamento constante dos pontos críticos da rede, com foco em contingência e manutenção preventiva. O uso de sensores inteligentes, monitoramento em tempo real e inspeções preditivas são práticas que ajudam a detectar anomalias antes que elas se tornem falhas sistêmicas, reduzindo o risco de interrupções em larga escala.”

- Advertisement -

A adoção de sensores IoT, inteligência artificial e plataformas de monitoramento remoto permite que concessionárias identifiquem riscos em tempo real e atuem de forma preditiva, evitando danos maiores.

Além disso, Cunha Filho destaca que testes de estresse e simulações periódicas são fundamentais para fortalecer a capacidade de resposta do sistema. “Outra medida essencial é a realização periódica de simulações de estresse e testes de resiliência, que permitem avaliar a capacidade de resposta do sistema a eventos inesperados e ajustar protocolos operacionais com base em cenários reais.”

Armazenamento de energia: o papel estratégico das baterias (BESS)

Entre as soluções mais promissoras para aumentar a segurança energética, o CEO da Fotus destaca o armazenamento de energia por baterias (BESS – Battery Energy Storage Systems). A tecnologia vem ganhando espaço no Brasil e é vista como essencial para criar uma rede mais autônoma, inteligente e descentralizada.

“Além dessas práticas, é fundamental considerar o papel estratégico do armazenamento de energia por baterias (BESS) na construção de uma rede mais segura e autônoma. A tecnologia permite criar ilhas energéticas, unidades independentes capazes de manter o fornecimento mesmo em situações de instabilidade do sistema interligado”, destaca Cunha.

- Advertisement -

Essas chamadas “ilhas energéticas”, microgrids com geração e armazenamento próprios, são capazes de operar de forma isolada quando há falhas no sistema principal. O executivo lembra que esse tipo de estrutura já é uma realidade em países que priorizam a transição energética descentralizada, e pode ser aplicada em larga escala no Brasil.

“Hospitais, data centers, indústrias e até residências equipadas com sistemas de armazenamento poderiam garantir operação contínua durante o apagão, utilizando a energia previamente acumulada”, explica Cunha.

Geração distribuída e planos de contingência: o caminho para uma matriz mais segura

Além do armazenamento, a geração distribuída (GD) também desempenha um papel estratégico na resiliência do sistema. O crescimento da energia solar nas residências e empresas brasileiras tem contribuído para aliviar a demanda sobre o sistema interligado, reduzindo os impactos de interrupções em larga escala.

Para o CEO da Fotus, a construção de uma matriz elétrica mais segura e confiável passa pela integração de tecnologias, inovação e planejamento de contingência. “Ressalto, ainda, a importância de planos de contingência bem estruturados para clientes críticos, integrando geração, monitoramento e armazenamento. A construção de uma matriz elétrica mais segura e confiável passa por ações preventivas, inovação tecnológica e coordenação entre agentes do setor, com foco em manter o país energizado mesmo diante de eventos inesperados.”

Transição energética e o futuro da segurança elétrica no Brasil

Os blecautes nacionais, embora pontuais, evidenciam que o país precisa acelerar investimentos em infraestrutura, digitalização e descentralização. O uso combinado de energia solar, baterias e redes inteligentes (smart grids) é um caminho inevitável para garantir estabilidade, eficiência e segurança energética no longo prazo.

Com a expansão da geração distribuída e o avanço das tecnologias de armazenamento, o Brasil tem a oportunidade de reduzir vulnerabilidades e se tornar referência em resiliência elétrica na América Latina. Mas, como alerta Cunha Filho, o desafio não é apenas técnico — é também estratégico e de governança.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias