América Latina se consolida como pilar global do hidrogênio verde, aponta relatório da Allianz Commercial

Com abundância de fontes renováveis e mais de US$ 100 bilhões em investimentos anunciados, região se posiciona como protagonista da transição energética global às vésperas da COP30 em Belém

A corrida mundial pela descarbonização entra em uma nova fase. Segundo o relatório Hidrogênio: oportunidades, usos e riscos na transição energética, divulgado pela Allianz Commercial, o hidrogênio verde está prestes a se tornar uma das soluções mais relevantes da transição energética global, e a América Latina surge como peça-chave dessa revolução.

O documento analisa o papel crescente do hidrogênio na substituição de combustíveis fósseis em indústrias de difícil abatimento e no transporte pesado, setores que historicamente lideram as emissões de gases de efeito estufa. Produzido a partir da eletrólise da água com energia renovável, o hidrogênio verde é visto como uma alternativa escalável e estratégica para atingir a neutralidade de carbono nas próximas décadas.

Com a COP30 marcada para Belém (PA) em 2025, o relatório reforça que o continente latino-americano terá papel central nas discussões e investimentos que moldarão o futuro energético do planeta.

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Região concentra mais de US$ 100 bilhões em investimentos

De acordo com o levantamento, a demanda global por hidrogênio deve aumentar cinco vezes até 2050, com a produção limpa alcançando 60% do total já em 2035. Esse movimento é impulsionado por mais de 1.500 projetos ativos em todo o mundo, um salto de sete vezes em apenas três anos.

A América Latina ocupa posição de destaque nesse cenário: o relatório estima US$ 107 bilhões em investimentos anunciados, o segundo maior volume global. O continente reúne uma das matrizes mais renováveis do planeta, com energia solar no Chile, eólica no Brasil e hidrelétrica em diversos países, fatores que reduzem custos e elevam a competitividade do hidrogênio verde produzido localmente.

Segundo Anthony Vassallo, Global Head of Natural Resources da Allianz Commercial, essa combinação de abundância e tecnologia coloca a região em um patamar privilegiado. “O hidrogênio é uma peça central no quebra-cabeça da transição energética, e o vasto potencial de energia renovável da América Latina a torna uma candidata privilegiada para se tornar um hub global de produção de hidrogênio verde. A COP30 em Belém será uma plataforma crucial para a região mostrar seu compromisso com a sustentabilidade e atrair os investimentos necessários para acelerar esse desenvolvimento em todo o continente.”

Desafios técnicos e de segurança acompanham a expansão

Apesar das oportunidades, a Allianz Commercial alerta para os desafios técnicos e riscos operacionais associados à manipulação e ao armazenamento do hidrogênio. Devido às suas propriedades físicas, o combustível é altamente inflamável e exige protocolos rigorosos de segurança, principalmente em instalações industriais e projetos de transporte.

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O relatório identifica riscos como incêndio, explosão e fragilização de materiais, exigindo planos robustos de prevenção e mitigação. Para a companhia, o avanço do setor deve vir acompanhado de gestão de riscos profissionalizada e cobertura securitária específica.

Segundo Harald Dimpflmaier, Regional Head of Natural Resources Underwriting da Allianz Commercial. “As seguradoras têm um papel fundamental a desempenhar no desenvolvimento da economia do hidrogênio, viabilizando investimentos e inovação, e fornecendo aconselhamento e orientação em gestão de riscos. Estamos desenvolvendo ativamente produtos sob medida para cobrir riscos de construção, fases operacionais e interrupção de negócios associados a projetos de hidrogênio, alavancando nossa expertise global de projetos como GET H2 Nukleus na Alemanha.”

Setor de seguros ganha protagonismo na economia do hidrogênio

A expansão da economia do hidrogênio cria também um novo nicho de oportunidades para o mercado de seguros. O estudo estima que a demanda global por coberturas especializadas pode superar US$ 3 bilhões até 2030, abrangendo tanto novas instalações industriais quanto usuários finais que adotem o combustível em suas operações.

Essas soluções vão desde seguros de construção e operação até coberturas para interrupção de negócios e riscos ambientais. A necessidade de adaptação das apólices tradicionais para um combustível emergente como o hidrogênio exige das seguradoras modelos de avaliação de risco mais sofisticados e cooperação com os clientes desde as etapas iniciais dos projetos.

Para Pietro Berardinelli, Senior Risk Consultant, Natural Resources da Allianz Commercial, essa abordagem preventiva é decisiva. “A natureza evolutiva da tecnologia do hidrogênio, combinada com as complexidades do estabelecimento de novas cadeias de suprimentos, significa que uma avaliação de risco cuidadosa e estratégias robustas de prevenção de perdas são primordiais. O nosso objetivo é trabalhar em estreita colaboração com clientes na América Latina desde os estágios iniciais de seus projetos, garantindo que a segurança seja integrada em todas as fases de desenvolvimento.”

Rumo à COP30: oportunidade de liderança global

À medida que o mundo se aproxima da COP30, a América Latina se consolida como referência global em energia limpa e inovação em hidrogênio verde. O evento em Belém simboliza mais do que uma conferência climática, representa o amadurecimento de uma agenda regional focada em sustentabilidade, independência energética e competitividade industrial.

O relatório da Allianz Commercial reforça que a transição energética não é apenas tecnológica, mas também econômica e social, e depende da integração entre governos, empresas e seguradoras para garantir um crescimento seguro e sustentável.

Com um cenário global favorável, recursos naturais abundantes e forte presença de empresas internacionais, a América Latina tem condições de liderar a próxima revolução energética, uma que une hidrogênio verde, inovação e segurança como pilares da nova economia global.

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