Com reservatórios em níveis satisfatórios e expansão do sistema de transmissão, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) assegura estabilidade do fornecimento e foca em medidas de longo prazo para gestão sustentável da matriz elétrica
O Brasil entra no último trimestre de 2025 com um cenário energético considerado seguro e equilibrado. A avaliação é do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), que se reuniu nesta quarta-feira (8) para analisar as condições do Sistema Interligado Nacional (SIN) ao fim do período seco.
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios das hidrelétricas apresentaram uma evolução positiva e dentro do esperado, consolidando uma condição mais favorável em comparação com o ano anterior. As projeções indicam que o atendimento energético está garantido até março de 2026, o que reforça a estabilidade do sistema frente aos desafios climáticos e de demanda.
Planejamento e resiliência no Sistema Interligado Nacional
Mesmo com os resultados positivos, o CMSE destacou que a operação segue exigindo atenção e planejamento, especialmente diante de possíveis cenários de baixa geração eólica e condições hidrológicas desfavoráveis.
O ONS prevê, para situações mais críticas, a necessidade de acionamento adicional de usinas térmicas e o uso mais acentuado do reservatório de Itaipu, além da maximização da geração nas hidrelétricas do Rio São Francisco.
Essas medidas fazem parte da estratégia preventiva de garantir a confiabilidade do sistema, que também inclui planos especiais de operação para grandes eventos nacionais, como a Prova Nacional Docente (PND) e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O Comitê solicitou que o ONS apresente relatórios detalhados sobre o desempenho do sistema durante essas datas.
Governança hídrica e integração institucional ganham destaque
Além das condições operacionais, o CMSE reforçou o compromisso com a gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos. Em setembro, o MME promoveu o Workshop “Fortalecimento da Governança da Gestão Integrada dos Reservatórios do Setor Elétrico”, evento que reuniu especialistas e representantes de órgãos do setor elétrico e ambiental.
A ação faz parte do Plano de Recuperação dos Reservatórios de Regularização de Usinas Hidrelétricas do País (PRR), que busca aprimorar a articulação entre instituições e fortalecer a cooperação intersetorial. O objetivo é garantir uma governança hídrica mais eficiente, essencial para a segurança energética e o equilíbrio ambiental.
Cenário hidrometeorológico: alerta e prudência
As análises meteorológicas apresentadas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que o país atravessa uma fase de transição entre o período seco e o chuvoso, com comportamento climático típico dessa época do ano.
Em setembro, a Energia Natural Afluente (ENA) ficou abaixo da média histórica na maioria dos subsistemas, exceto na região Sul. O índice agregado foi de 74% da Média de Longo Termo (MLT), com destaque para o Sul, que atingiu 108%, e o Nordeste, com apenas 43%.
As projeções para outubro indicam que o volume de chuvas deve permanecer abaixo da média em diversas bacias, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste. Mesmo assim, o ONS estima que os níveis de armazenamento nos reservatórios permaneçam dentro de uma faixa considerada segura — entre 47% e 50% da capacidade máxima do SIN.
Expansão e novos marcos de integração energética
O relatório do CMSE também celebrou avanços na expansão da geração e da transmissão de energia. Somente em setembro, foram adicionados 1.400 MW de nova capacidade instalada, além de 1.430 km de linhas de transmissão.
Um marco importante foi o início da operação comercial da linha Manaus–Boa Vista, com 725 km de extensão em circuito duplo de 500 kV, que interligou o estado de Roraima ao SIN pela primeira vez. O projeto reforça a integração energética nacional e reduz a dependência de geração local a diesel, além de contribuir para a descarbonização da matriz elétrica brasileira.
No Acre, a ANEEL apresentou avanços na interligação elétrica de Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, regiões que recentemente passaram a ser atendidas pelo SIN. A agência relatou ações voltadas à redução de desligamentos forçados e ao aprimoramento da confiabilidade operacional das instalações locais.
Monitoramento contínuo e compromisso com a segurança energética
O CMSE reafirmou seu papel estratégico de monitorar permanentemente as condições de abastecimento e operação do sistema elétrico nacional, adotando medidas preventivas para manter o equilíbrio entre oferta e demanda de energia.
As deliberações da 311ª reunião serão consolidadas em ata e publicadas oficialmente, garantindo transparência e acompanhamento público das decisões.
Com reservatórios estabilizados, expansão da infraestrutura e reforço institucional na gestão hídrica, o Brasil segue em um momento de solidez energética e planejamento integrado, consolidando-se como uma das matrizes elétricas mais limpas e resilientes do mundo.



