Eletrobras aposta em inovação e IoT para garantir eficiência e confiabilidade do sistema HVDC de Itaipu

Com 40 anos de operação, o sistema de corrente contínua de Itaipu passa por um processo de modernização e ganha soluções inéditas de monitoramento em tempo real, impressão 3D e manutenção preventiva de baixo custo

A Eletrobras está promovendo uma ampla frente de ações voltadas à manutenção preditiva e preventiva do sistema de corrente contínua de alta tensão (HVDC) que conecta a Usina de Itaipu ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O conjunto de iniciativas combina inovação tecnológica, baixo custo e eficiência operacional, fatores essenciais para manter a disponibilidade e a segurança de um dos sistemas de transmissão mais estratégicos do país.

Com investimentos que já somam R$ 400 mil, as medidas abrangem as estações conversoras do Bipolo 2, localizadas nas subestações de Foz do Iguaçu (PR) e Ibiúna (SP). As ações ganham ainda mais relevância diante da modernização do Bipolo 1, que passa por uma reforma completa, incluindo a substituição de válvulas conversoras, sistemas de resfriamento, equipamentos de proteção, medição e controle.

De acordo com o diretor de Operação e Manutenção da Eletrobras Operação Sudeste, Francisco Arteiro, o desafio é manter a confiabilidade de um sistema que já é histórico para o setor elétrico brasileiro.

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“O HVDC de Itaipu está em funcionamento há cerca de 40 anos, sendo o primeiro da América Latina. Nosso objetivo é assegurar a disponibilidade de seus componentes, essenciais para o atendimento ao Sistema Interligado Nacional (SIN)”, afirma Arteiro.

Monitoramento inteligente com internet das coisas (IoT)

Entre as soluções desenvolvidas pela equipe técnica da Eletrobras, destaca-se um sistema de monitoramento de temperatura e umidade baseado em IoT (Internet das Coisas), criado para acompanhar as condições ambientais nas salas de válvulas das duas subestações.

A ferramenta possibilita a coleta e análise de dados em tempo real, utilizando a própria rede Wi-Fi das instalações, o que eliminou a necessidade de infraestrutura dedicada e reduziu significativamente os custos de implantação. Os terminais IoT utilizados foram adquiridos no mercado e são de baixo custo, enquanto as caixas de proteção do hardware foram produzidas por impressão 3D, reforçando o caráter inovador e sustentável da iniciativa.

O software que integra o sistema também foi desenvolvido internamente pela equipe da Eletrobras, com código aberto e interface customizável. Ele permite o acompanhamento de até 500 registros por sensor, com leituras a cada três segundos e alertas automáticos em caso de variações abruptas.

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Segundo a companhia, o sucesso do projeto levou à avaliação de sua replicação em outros ativos estratégicos, como a Usina de Tucuruí (PA) e o sistema de transmissão das hidrelétricas do rio Madeira (IE Madeira).

Inovação em isolamento elétrico e segurança operacional

Outra iniciativa de destaque foi a aplicação de uma fita isolante líquida nas fibras ópticas conectadas aos conversores 7 e 8 de Foz do Iguaçu. O procedimento surgiu a partir da constatação de que o polímero tradicional das fibras se degrada com o tempo, comprometendo a isolação elétrica e aumentando o risco de inflamabilidade.

Ensaios realizados no Laboratório de Alta Tensão da Eletrobras comprovaram que a solução melhora a resistência elétrica e a suportabilidade à diferença de potencial, representando um avanço inédito no setor elétrico nacional. A medida reforça o compromisso da empresa com a inovação aplicada à segurança e à confiabilidade de seus ativos críticos.

Manutenções preventivas e diagnóstico avançado

As ações de manutenção preventiva no HVDC de Itaipu também incluem a substituição de 64 mil capacitores, instalação de mantas de borracha em fibras ópticas próximas às válvulas conversoras e aplicação de vulcanização a temperatura ambiente (RTV) nas canaletas dos conversores do Bipolo 2 e nas buchas de parede.

Os técnicos da Eletrobras ainda realizaram inspeções termográficas, medições acústicas e análises laboratoriais do óleo isolante dos transformadores, além de avaliações sobre níveis de temperatura e umidade nas salas dos conversores, um esforço contínuo para evitar falhas, antecipar riscos e prolongar a vida útil dos equipamentos.

Modernização em curso até 2029

O Bipolo 1, atualmente em processo de modernização, deverá ter suas obras concluídas em 2026, com operação assistida até 2029. Em dezembro de 2024, entrou em operação a primeira unidade modernizada, o conversor 4 de Foz do Iguaçu, marcando o início de uma nova fase de eficiência e confiabilidade para o sistema HVDC de Itaipu.

A iniciativa reafirma a estratégia da Eletrobras de investir em tecnologia, inovação e manutenção inteligente, consolidando sua liderança na gestão de ativos de transmissão e reforçando seu papel essencial no avanço da transição energética e na segurança do suprimento elétrico brasileiro.

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