Boletim do Programa Mensal da Operação aponta níveis confortáveis de energia armazenada nas regiões Sul e Norte e manutenção da confiabilidade do sistema elétrico nacional
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou novas projeções sobre o comportamento dos reservatórios e da demanda de energia no país. De acordo com o Programa Mensal da Operação (PMO) referente à semana de 4 a 10 de outubro de 2025, os níveis de Energia Armazenada (EAR) devem se manter estáveis em todos os subsistemas do Sistema Interligado Nacional (SIN), cenário que reforça a segurança e a confiabilidade do fornecimento de eletricidade no país.
A análise indica que, após meses de estabilidade hidrológica, o Brasil entra no último trimestre de 2025 com uma situação confortável em termos de armazenamento e geração. As regiões Sul e Norte apresentam as melhores condições de energia armazenada, acima de 50% da capacidade, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste e o Nordeste permanecem em patamar equilibrado.
Reservatórios com níveis positivos consolidam estabilidade no sistema
Segundo o boletim do ONS, a região Sul deve encerrar outubro com 87,4% da capacidade de energia armazenada, o melhor desempenho do país. Na sequência, o Norte deve alcançar 68,4%, seguido pelo Nordeste com 49,2% e o Sudeste/Centro-Oeste com 46,4%.
Esse equilíbrio é resultado de um conjunto de fatores: a gestão eficiente das bacias hidrográficas, o monitoramento contínuo das afluências naturais e o uso complementar de outras fontes, como a geração térmica, eólica e solar, que garantem flexibilidade ao sistema elétrico brasileiro.
Para o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, a instituição mantém vigilância constante sobre as condições hidrológicas e a demanda nacional.
“Estamos acompanhando, em tempo real, os cenários dos reservatórios e preparados para atender plenamente a demanda da sociedade. Seguimos atentos às projeções futuras para adotar as medidas necessárias para permanecer com a continuidade da confiabilidade e da segurança do sistema”, afirma Rea.
A fala do dirigente reforça a confiança do setor elétrico em um cenário de estabilidade operacional, especialmente após os períodos de seca enfrentados entre 2021 e 2022, que exigiram maior atenção à gestão dos recursos hídricos e à diversificação da matriz energética.
Projeções indicam bom desempenho das afluências no Sul
O boletim também traz dados sobre a Energia Natural Afluente (ENA), indicador que mede a entrada de água nos reservatórios das hidrelétricas. A região Sul novamente se destaca, com previsão de 121% da Média de Longo Termo (MLT), um resultado considerado excelente para o período. O Norte vem em seguida com 58% da MLT, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste e o Nordeste devem registrar 52% e 37% da MLT, respectivamente.
Esse comportamento reforça o papel do Sul como principal amortecedor hidrológico do sistema nacional, ajudando a manter o equilíbrio entre oferta e demanda em períodos de menor chuva em outras regiões.
Demanda nacional de energia apresenta leve aceleração
No que se refere ao consumo, o ONS prevê crescimento moderado da carga de energia em quase todo o país, com exceção do Nordeste, que apresenta uma leve retração. As projeções indicam alta de 6,5% no Norte (8.814 MWmed), 0,6% no Sul (13.575 MWmed) e 0,3% no Sudeste/Centro-Oeste (46.401 MWmed). Já o Nordeste deve registrar queda de 1,2%, atingindo 13.529 MWmed.
No total, o Sistema Interligado Nacional (SIN) deve alcançar 82.318 MWmed, o que representa uma aceleração de 0,7% em relação à semana anterior. O crescimento é impulsionado principalmente pela retomada da atividade industrial e pela expansão de empreendimentos ligados à geração renovável, que têm ampliado a demanda por eletricidade em diversas regiões.
Custo de operação se mantém estável entre os subsistemas
O Custo Marginal de Operação (CMO), indicador que reflete o valor necessário para atender à próxima unidade de energia demandada, permanece estável na maioria dos subsistemas. Os valores são idênticos para Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Norte, fixados em R$ 302,19/MWh, enquanto o Nordeste apresenta custo inferior, de R$ 181,13/MWh.
A manutenção de um CMO equilibrado sinaliza um sistema operando de forma eficiente, sem necessidade de despacho adicional de termelétricas fora da ordem de mérito, o que também contribui para moderar pressões tarifárias ao consumidor final.
Perspectiva de segurança energética e novos desafios à frente
O cenário traçado pelo ONS reforça o momento de maturidade e resiliência do sistema elétrico brasileiro. Após uma década de fortes oscilações hídricas, o país conseguiu diversificar sua matriz, aprimorar a integração regional e garantir redundância energética, reduzindo riscos de racionamento.
Contudo, especialistas destacam que o desafio dos próximos anos será manter essa estabilidade diante das mudanças climáticas, que alteram padrões de chuva e temperatura, e preparar o sistema para a entrada da geração eólica offshore, que deve ampliar a complexidade da operação do SIN.
A expectativa é que, com o avanço da regulamentação da energia eólica no mar e o crescimento das fontes renováveis distribuídas, o ONS desempenhe papel cada vez mais estratégico na integração e no equilíbrio da matriz elétrica nacional.



