Crise hídrica nos EUA expõe urgência de modernização da infraestrutura e abre espaço para soluções digitais

Pesquisa da Schneider Electric revela que dois terços dos líderes americanos veem as atualizações na infraestrutura de água como prioridade crítica, mas a execução ainda é lenta

A crescente escassez de água e o envelhecimento das redes de abastecimento nos Estados Unidos estão elevando a preocupação com os riscos à infraestrutura nacional. Um novo estudo conduzido pela Schneider Electric, líder global em gestão de energia e automação, revela um dado alarmante: 75% dos líderes municipais e mais da metade dos executivos empresariais americanos acreditam que os riscos hídricos já superam todas as outras ameaças à infraestrutura.

Contudo, a pesquisa também mostra um descompasso entre percepção e ação. Apesar de reconhecerem o problema, metade dos líderes não acredita que os sistemas atuais estejam preparados para as demandas futuras, um alerta contundente em meio à expansão industrial e aos impactos das mudanças climáticas.

Água: recurso estratégico e vulnerável

Os Estados Unidos lideram o ranking global de consumo de água per capita, com 1.802 galões por pessoa, de acordo com o Instituto de Pesquisa de Sustentabilidade da Schneider Electric. O país perde 7 bilhões de galões de água tratada por dia, o equivalente a uma semana de abastecimento de Nova York, devido a vazamentos e rupturas em tubulações. São 260 mil rompimentos anuais, ou um a cada dois minutos, o que gera US$ 6,4 bilhões em receita perdida pelas concessionárias e US$ 2,6 bilhões em custos de reparos para as cidades.

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Esses números ilustram o que especialistas já chamam de “crise invisível”, uma infraestrutura antiga e subdimensionada para o crescimento populacional, a urbanização e a intensificação da produção industrial.

Setor industrial amplia pressão sobre os recursos hídricos

O levantamento da Schneider destaca o papel da manufatura americana, responsável por mais de 75% do consumo de água em 60 condados. Com a relocalização de fábricas e a digitalização da produção, a demanda por água tende a crescer ainda mais.

“A água não é somente essencial para a vida, é a espinha dorsal da força econômica dos Estados Unidos. Atualmente, os EUA enfrentam uma grave crise hídrica impulsionada pela redução do fornecimento e por uma infraestrutura obsoleta”, afirma Sophie Borgne, presidente do Segmento de Água e Meio Ambiente da Schneider Electric. “A gestão eficaz da água não é uma tarefa fácil, agravada pelas pressões climáticas e populacionais, mas temos uma oportunidade clara e uma responsabilidade coletiva de adotar a automação e estratégias hídricas mais inteligentes para evitar colocar em risco o crescimento econômico e a resiliência urbana.”

A declaração de Borgne evidencia uma mudança de paradigma, a água como ativo estratégico para a competitividade econômica e a sustentabilidade urbana, um tema que também começa a ganhar força no Brasil diante das tensões hídricas em regiões industriais.

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Descompasso entre estratégia e execução

O estudo, conduzido em parceria com a empresa de pesquisa NewtonX, ouviu 201 líderes americanos, entre gestores municipais e executivos de grandes corporações. O resultado revela uma contradição, embora nove em cada dez líderes municipais e seis em cada dez empresariais dizem ter uma estratégia hídrica, mas apenas 10% a implementam de forma consistente.

As principais barreiras são restrições orçamentárias, falta de dados em tempo real, pressões operacionais e riscos de segurança cibernética. A pesquisa mostra ainda uma divergência de prioridades, onde prefeitos classificam a gestão da água como prioridade média, enquanto líderes corporativos priorizam redução de custos e investimentos em inteligência artificial (IA) e transformação digital.

Essa desconexão entre visão e prática compromete a resiliência hídrica e reforça a necessidade de planejamento integrado entre o setor público e o privado.

Tecnologia como aliada da eficiência hídrica

Soluções digitais já demonstram resultados positivos. Ferramentas como detecção de vazamentos em tempo real e gêmeos digitais proporcionam economias entre 5% e 10% para quase metade dos líderes municipais e 40% dos executivos empresariais.

Modelos baseados em inteligência artificial ajudam a identificar até 60% da água não contabilizada, possibilitando o reuso e a redução de desperdícios. Ainda assim, a adoção em larga escala enfrenta desafios como custo de modernização e lacunas técnicas, especialmente em pequenas cidades.

Conroe, Texas: um exemplo de transformação

Entre as iniciativas mais promissoras, destaca-se o projeto de Conroe (Texas), uma das cidades que mais crescem nos EUA. Em 2024, o município anunciou um investimento de US$ 50 milhões para modernizar sua infraestrutura hídrica com o EcoStruxure Automation Expert, plataforma aberta da Schneider Electric.

A solução automatiza 19 estações de tratamento de água e serve como modelo para redes hídricas resilientes, digitais e escaláveis, um caso que demonstra como a tecnologia pode se tornar um pilar da segurança hídrica e da estabilidade econômica.

Gestão digital da água: de risco oculto a vantagem estratégica

A Schneider Electric tem ampliado seu papel como parceira tecnológica de governos e empresas na digitalização da infraestrutura hídrica, transformando a gestão da água de um passivo operacional em um ativo estratégico.

As soluções inteligentes da companhia, que incluem análise preditiva, automação e gêmeos digitais, permitem reduzir perdas, aumentar a confiabilidade e elevar a performance operacional.

À medida que o planeta enfrenta eventos climáticos extremos e pressões sobre os recursos naturais, o debate sobre infraestrutura hídrica sustentável tende a se intensificar, e os resultados do estudo da Schneider Electric funcionam como alerta e roteiro para a transição digital do setor.

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