Documento estabelece novas linhas, subestações e reforços para todas as regiões do país, ampliando a segurança energética e preparando o sistema para a transição energética
O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou, no último dia 26 de setembro, a publicação da primeira emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) 2025, documento que define as próximas obras e reforços do sistema de transmissão a serem outorgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O plano, de caráter determinativo, contempla desde a construção de novas linhas de transmissão e subestações até a instalação de equipamentos que ampliarão a confiabilidade da rede elétrica nacional.
Expansão planejada para seis anos
Segundo o MME, o POTEE funciona como uma bússola para o crescimento ordenado do setor elétrico, com horizonte de planejamento de seis anos. A elaboração do documento resulta da consolidação dos estudos conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Plano de Ampliações e Reforços (PAR/PEL) produzido periodicamente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O objetivo é assegurar que o Sistema Interligado Nacional (SIN) acompanhe o aumento da demanda, a diversificação da matriz e as novas necessidades trazidas pela transição energética e pelas mudanças climáticas.
Entre os pontos de destaque está o reforço da malha elétrica nos estados do Acre e Rondônia. As obras indicadas para a região devem aumentar a resiliência do sistema diante dos efeitos climáticos extremos, ampliando significativamente a capacidade de importação e exportação de energia. De acordo com o MME, a medida praticamente dobrará os limites de transferência entre esses estados, garantindo maior confiabilidade no suprimento.
Interligação Brasil-Bolívia e novas linhas no Centro-Oeste
Outro avanço importante trazido pelo POTEE 2025 é o Estudo de Interligação Internacional Brasil-Bolívia (Etapa I). Realizado pela EPE, o estudo aponta soluções para ampliar a margem de conexão de novas fontes de geração no Mato Grosso do Sul. A proposta inclui a construção de dois novos pátios de 500 kV nas subestações Rio Brilhante e Chapadão, somando 3.600 MVA em capacidade de transformação, além de 860 km de linhas de transmissão em 500 kV.
Esse conjunto de obras insere um novo patamar de tensão na Rede Básica do estado, fortalecendo a infraestrutura do Centro-Oeste e permitindo o escoamento de novos empreendimentos de geração conectados ao SIN. Ainda na região, o plano determina a construção da subestação Matrinchã 2 (230/138 kV) e de 291 km de novas linhas de transmissão em Goiás, para atender a demanda de cidades como Barro Alto, Matrinchã e Firminópolis.
Sudeste: reforço estratégico em São Paulo e Minas Gerais
No Sudeste, o plano traz reforços importantes para regiões de alto consumo. Um dos estudos prevê a construção da linha Santos Dumont 2 – Leopoldina 2 (500 kV), visando eliminar sobrecarga na subestação de Santos Dumont (500/345 kV) e garantir maior estabilidade para a malha mineira.
Já em São Paulo, o destaque é a criação da subestação Santana (500/345 kV), no centro da capital, com foco no atendimento ao crescimento do mercado e ao suprimento de clientes de grande porte, como data centers, setor que vem puxando fortemente a demanda por energia elétrica.
Sul: ampliações em múltiplas frentes
No Sul do país, o POTEE 2025 reúne recomendações de quatro estudos diferentes. Entre as obras destacam-se:
- Construção da subestação Iguaçu 525/230 kV, no Paraná;
- Nova subestação Boa Vista do Buricá 2 (230/69 kV), no Rio Grande do Sul;
- Implantação da subestação Barigui 2 e novo pátio GIS em 138 kV em Uberaba;
- Reforços estruturais na malha da Região Metropolitana de Curitiba e do Litoral paranaense, com novas linhas em 525 kV e 230 kV.
Essas ampliações visam não apenas garantir a confiabilidade do sistema, mas também preparar a infraestrutura para suportar a integração de fontes renováveis e o crescimento do mercado regional.
Próximos passos: licitações e autorizações
Com a publicação do POTEE, a Aneel inicia os procedimentos para viabilizar a execução das obras, seja por meio de leilões de transmissão ou por autorizações específicas, conforme cada caso.
O documento estabelece, de forma clara, as prioridades do setor e a diretriz de que a expansão da rede deve acompanhar as mudanças tecnológicas e econômicas do país.



