Setor busca previsibilidade, redução de custos e sustentabilidade, consolidando liderança na transição energética no Brasil
O setor de shopping centers no Brasil se destaca como protagonista na transição para o mercado livre de energia, movimento que permite maior autonomia na contratação de fornecedores, redução de custos e acesso a fontes renováveis.
Segundo estudo da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), cerca de 92% dos empreendimentos já migraram para o modelo, que oferece flexibilidade contratual e previsibilidade orçamentária em meio à volatilidade do mercado regulado.
Economia e controle de custos como prioridade
A migração para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) proporciona aos shoppings a capacidade de negociar diretamente com geradores e comercializadores de energia elétrica, garantindo condições personalizadas e economia significativa. Em média, os empreendimentos podem reduzir até 40% nos custos de energia, impactando positivamente a operação e a competitividade do setor.
Para Georgimar Oliveira, administrador do Shopping Bougainville, em Goiânia, a mudança representa não apenas economia, mas valorização do negócio. “O consumo de energia hoje é o maior custo do empreendimento. No mercado livre de energia conseguimos melhorar nossa performance frente ao custo do lojista, agregando valor às suas operações.”
A previsibilidade oferecida pelo mercado livre permite que os shoppings planejem investimentos de longo prazo, destinando recursos à inovação, à experiência do consumidor e à modernização das operações, essenciais para enfrentar a concorrência do e-commerce e fortalecer o varejo físico.
Sustentabilidade como diferencial competitivo
Outro fator que tem impulsionado a adesão ao mercado livre é a busca por energia limpa e renovável. Segundo a Abrasce, 87% dos shoppings já utilizam fontes renováveis, como energia solar, eólica e biomassa, alinhando-se às metas ambientais do setor e à crescente demanda de consumidores conscientes.
O diretor de Varejo e Marketing da Serena, Cícero Lima, destaca os benefícios da combinação entre economia e sustentabilidade. “Os aumentos tarifários no mercado cativo impactam diretamente a competitividade de empresas em diversos setores. A migração para o ambiente livre permite não apenas previsibilidade orçamentária, mas também acesso a fontes renováveis e contratos customizados. Na Serena, contamos com uma plataforma 100% digital, que nos ajuda a entender o perfil de consumo de energia de cada empresa e, dessa forma, conseguimos apresentar possibilidades de economia que podem chegar a até 35%.”
Além de reduzir a pegada de carbono, a adoção de energia renovável reforça a imagem dos shoppings como líderes em responsabilidade ambiental, atraindo lojistas e clientes que valorizam práticas sustentáveis. Grandes grupos já anunciaram compromissos de operar 100% com energia limpa nos próximos anos, acompanhando tendências globais de descarbonização.
Expansão do mercado livre e impactos setoriais
O modelo adotado pelos shoppings serve de referência para outros setores do varejo, como supermercados, redes de atacarejo e hospitais privados, que também têm migrado para o mercado livre em busca de economia e sustentabilidade. Atualmente, o mercado livre representa cerca de 40% do consumo total de energia elétrica no Brasil, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Segundo Lima, a expansão recente do mercado livre abriu novas oportunidades. “Todo esse avanço é resultado da abertura gradual do mercado livre, que, a partir de janeiro de 2024, passou a permitir que todos os consumidores ligados em alta tensão pudessem escolher seus fornecedores. Essa ampliação abre caminho para que, nos próximos anos, consumidores residenciais e pequenas empresas também possam aderir ao modelo, consolidando uma nova dinâmica no setor elétrico brasileiro.”
Perspectivas para o futuro
A migração para o mercado livre consolida-se como estratégia-chave para shoppings e outros empreendimentos, oferecendo previsibilidade de custos, eficiência operacional e redução da pegada de carbono.
O movimento reforça a importância da energia renovável e da sustentabilidade como diferencial competitivo e evidencia o potencial do Brasil em liderar a transição energética no setor comercial.



