Queimadas em setembro já igualam todo o período seco de 2025 e colocam ativos de energia em risco

Relatório da Climatempo mostra avanço dos focos para áreas próximas a linhas de transmissão, usinas e obras de infraestrutura, ampliando ameaça ao setor elétrico

O Brasil enfrenta um cenário alarmante de queimadas em setembro de 2025. Apenas nos primeiros 23 dias do mês, foram registrados 761 focos de incêndio, praticamente o mesmo volume contabilizado em todo o período seco do ano — de 1º de junho a 31 de agosto, quando ocorreram 794 ocorrências.

Os dados são da Climatempo, maior empresa de consultoria meteorológica da América Latina, e revelam uma intensificação sem precedentes, especialmente no estado de São Paulo.

Risco ampliado para infraestrutura energética

O agravamento do problema não se restringe a áreas remotas ou desabitadas. De acordo com Ana Clara Marques, meteorologista da Climatempo, as queimadas chegaram perigosamente perto de ativos estratégicos.

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“As queimadas em setembro não ficaram restritas a áreas desabitadas ou remotas, mas avançaram para regiões próximas a áreas de transmissão e distribuição de energia, usinas de geração e obras de infraestrutura, aumentando a exposição de ativos estratégicos de nossos clientes”, afirmou.

A proximidade dos focos com linhas de transmissão e instalações de geração reforça a necessidade de monitoramento contínuo, já que qualquer dano a esses sistemas pode comprometer a segurança energética e gerar prejuízos bilionários.

Crescimento explosivo dos alertas

O Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo (SMAC) registrou um crescimento expressivo nas ocorrências. Houve aumento de 369,6% nos alertas de queimadas em comparação à soma do trimestre seco (junho, julho e agosto).

Segundo Marques, o salto demonstra como o auge da estação seca intensifica os riscos. “O salto reforça como o auge da estação seca potencializa os riscos e aproxima os focos de incêndio de locais que impactam diretamente a operação das empresas”, explicou.

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A combinação de altas temperaturas, baixa umidade e vegetação ressecada formou o cenário perfeito para a propagação das chamas. Embora a primavera traga expectativa de melhora, a irregularidade das chuvas ainda deve manter a situação em estado de alerta.

Inteligência meteorológica como aliada estratégica

Para reduzir riscos e proteger ativos, a Climatempo tem utilizado inteligência meteorológica de ponta. O SMAC se tornou uma ferramenta essencial para o setor energético ao oferecer alertas antecipados que permitem resposta mais rápida e eficiente.

“Com o SMAC, as empresas ampliam a cobertura de alertas, identificam focos com mais agilidade e ganham tempo de resposta, assegurando segurança operacional e continuidade dos negócios frente às adversidades climáticas”, destacou a meteorologista.

Essa tecnologia, aliada ao CT-MERGEFIRE (Inteligência Climatempo), integra informações de múltiplos satélites com filtros avançados, eliminando ruídos e inconsistências. O resultado é uma detecção mais precisa dos focos de incêndio, fortalecendo tanto a prevenção ambiental quanto a tomada de decisões estratégicas pelas companhias.

Impactos para o setor elétrico e infraestrutura crítica

Além dos prejuízos ambientais e sociais, as queimadas próximas a áreas urbanas e de infraestrutura elétrica aumentam o risco de interrupções no fornecimento de energia, acidentes e danos em ativos de alto valor. Para concessionárias, geradoras e distribuidoras, a previsão e o monitoramento em tempo real são cada vez mais indispensáveis.

Eventos como queimadas, tempestades, ventanias e raios já fazem parte do rol de ameaças monitoradas pelo SMAC. A tecnologia permite análises contínuas e envio de informações em tempo real para as empresas, garantindo maior resiliência frente às mudanças climáticas.

Perspectivas para os próximos meses

Embora o retorno gradual das chuvas de primavera traga algum alívio, especialistas alertam que a tendência é de incidência crescente de extremos climáticos nos próximos anos. A combinação entre mudanças no regime de chuvas e maior pressão sobre os ecossistemas coloca empresas e governos diante da necessidade de investir em tecnologia e prevenção.

Nesse contexto, a mensagem da Climatempo é clara: a inteligência meteorológica se tornou uma aliada estratégica não apenas para proteger ativos e serviços, mas também para garantir a segurança da população e a continuidade do desenvolvimento econômico.

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