Consumo de energia elétrica cai 1% em agosto, puxado por indústria e comércio

Residências mantêm alta no consumo, enquanto mercado livre segue em expansão e já responde por quase metade da demanda nacional

O consumo de energia elétrica no Brasil registrou retração de 1% em agosto de 2025, totalizando 45.662 gigawatts-hora (GWh), segundo a mais recente edição da Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica. O resultado marca a retomada da tendência de queda observada entre abril e junho, interrompida por uma alta pontual em julho.

Entre as classes consumidoras, apenas as residências apresentaram crescimento, com avanço de 1,5% frente a agosto de 2024. Já os segmentos industrial (-1,7%), comercial (-1,5%) e “outros” (-4,0%) registraram retração, refletindo um cenário econômico de menor ritmo de atividade.

Desempenho regional

A análise regional mostra uma dinâmica desigual no consumo de eletricidade. As regiões Norte (+1,8%), Nordeste (+1,1%) e Centro-Oeste (+0,8%) registraram crescimento, impulsionadas por fatores climáticos e aumento da demanda residencial.

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Já o Sul (-4,0%) e o Sudeste (-1,5%) tiveram retração. No caso da região Sul, a queda acentuada é explicada pela alta base comparativa com agosto de 2024, quando o Rio Grande do Sul concentrou um consumo elevado devido à contabilização tardia de unidades afetadas pelas enchentes ocorridas entre maio e julho daquele ano.

No acumulado de 12 meses, o consumo nacional somou 563.173 GWh, crescimento de 1,1% frente ao período anterior, evidenciando uma trajetória ainda positiva no médio prazo.

Mercado livre cresce e se aproxima do regulado

O destaque do mês foi novamente o mercado livre de energia, que totalizou 21.364 GWh em agosto, o equivalente a 46,8% do consumo nacional. O segmento cresceu 4,4% em comparação com agosto de 2024, consolidando sua posição como motor da transformação no setor elétrico brasileiro.

O número de consumidores livres também impressiona: avanço de 45,9% em apenas um ano. A abertura do mercado, que desde janeiro de 2024 permite a entrada de todos os consumidores do grupo A (alta tensão), vem acelerando o processo de migração de empresas do mercado regulado para o livre.

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Regionalmente, o Norte foi a área com maior expansão no consumo (+9,1%), enquanto o Centro-Oeste liderou em número de novos consumidores livres (+70,0%).

Mercado regulado perde espaço

O mercado regulado, atendido pelas distribuidoras, respondeu por 53,2% do consumo nacional em agosto, com 24.298 GWh. O segmento, no entanto, sofreu retração de 5,3% no consumo, mesmo com aumento de 1,3% no número de consumidores.

No recorte regional, o Nordeste apresentou a menor retração (-1,9%), enquanto o Norte teve o maior crescimento no número de consumidores cativos (+3,6%). Ainda assim, a tendência é clara: a abertura do mercado e as condições mais atrativas de negociação têm estimulado cada vez mais migrações para o Ambiente de Contratação Livre (ACL).

Tendências para os próximos meses

O recuo no consumo em agosto reflete tanto os efeitos da desaceleração econômica quanto a sazonalidade em diferentes regiões do país. Por outro lado, o crescimento no mercado livre indica que a modernização do setor elétrico e a busca por maior previsibilidade de custos continuam em ritmo acelerado.

Com quase metade da energia consumida já contratada no ACL, especialistas apontam que a tendência de migração deve se intensificar nos próximos anos, especialmente com a expectativa de abertura total do mercado de energia a partir de 2028.

Conclusão

Apesar da queda de 1% no consumo de energia elétrica em agosto de 2025, o setor segue em transformação. O avanço do mercado livre, a expansão regional desigual e o crescimento no consumo residencial indicam um cenário em que fatores econômicos, regulatórios e climáticos caminham lado a lado na definição do perfil de demanda nacional.

Para empresas e consumidores, entender essas mudanças é fundamental para planejar estratégias de consumo e contratação de energia em um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico.

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