Entrega de 120 novos veículos a bateria reforça liderança da capital paulista em transporte público sustentável e contribui para reduzir 10,4 mil toneladas de CO₂ por ano
A capital paulista consolidou sua posição como referência em mobilidade de baixa emissão ao anunciar a chegada de 120 novos ônibus elétricos, elevando a frota total para 961 veículos eletrificados, entre ônibus a bateria e trólebus. A iniciativa faz parte de um plano de expansão que levará 1.200 ônibus elétricos às ruas da cidade ainda em 2025, reforçando o compromisso de reduzir a emissão de gases poluentes e modernizar o transporte público.
O anúncio foi feito pelo prefeito Ricardo Nunes durante o seminário “Caminhos para a Eletromobilidade Urbana em São Paulo”, realizado no Memorial da América Latina em 23 de setembro. O evento reuniu representantes do governo, da indústria e da sociedade civil para discutir infraestrutura, financiamento e segurança na transição energética.
“Aqui em São Paulo, já partimos para a execução. Na última segunda-feira (22), entregamos mais 120 ônibus elétricos, totalizando 760 veículos. Somando os trólebus, já são 961 ônibus eletrificados em circulação na cidade. Estamos avançando de forma consistente”, afirmou o prefeito.
Nunes reforçou que até o final deste ano, a capital paulista contará com 1.200 ônibus elétricos, consolidando a maior frota do país.
Benefícios ambientais e econômicos
A entrega recente permitirá que São Paulo evite 10,4 mil toneladas de CO₂ por ano, o equivalente ao plantio de 6,4 mil árvores para cada ônibus. Além disso, cada veículo elétrico evita o consumo anual de 35 mil litros de diesel, impactando positivamente nas metas climáticas da cidade e reduzindo custos operacionais do sistema.
O prefeito também destacou benefícios à saúde pública, citando estudo da Rede C40 de Cidades, que indica que a substituição da frota a diesel por veículos elétricos pode evitar até 388 mortes prematuras na cidade.
“Estamos saindo de um produto altamente tóxico, poluente e caro, que é o diesel, para um transporte limpo, silencioso e mais barato. Isso significa mais saúde e qualidade de vida para todos os paulistanos”, completou Nunes.
O prefeito ressaltou ainda a economia significativa por veículo, com custo operacional mensal de R$ 5 mil, contra R$ 25 mil de ônibus a diesel, gerando R$ 240 mil anuais de economia por unidade.
Indústria nacional impulsiona crescimento
O seminário contou com a participação de Ricardo Bastos, presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), que destacou o papel estratégico da indústria nacional na expansão da eletromobilidade.
“A indústria de veículos eletrificados no Brasil está mais forte do que nunca. Estamos produzindo veículos pesados e leves no país, gerando empregos e fomentando a economia. O que São Paulo está fazendo é um exemplo para o Brasil e traz benefícios diretos: geração de empregos, mais saúde e cuidado com o meio ambiente”, afirmou Bastos.
Durante o painel sobre Planejamento da Frota de Ônibus Elétricos, a diretora de Pesados da ABVE, Iêda Oliveira, informou que existem atualmente mais de 370 ônibus elétricos em linha de produção no Brasil, prontos para atender a crescente demanda.
“Hoje vemos operadores que desejam ampliar sua frota e até eletrificar toda a operação. A experiência prática comprova as vantagens do modelo: custos reduzidos, maior disponibilidade da frota e boa aceitação tanto pelos operadores quanto pelos passageiros”, explicou a executiva.
Infraestrutura e normas técnicas
Outro ponto crucial abordado no seminário foi a necessidade de alinhamento de normas técnicas e segurança na instalação de infraestrutura de recarga, mediado por Clemente Gauer, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Segurança da ABVE.
“A expansão da frota de veículos elétricos precisa caminhar junto com a atualização das normas de segurança e da infraestrutura das edificações. Estamos discutindo com o Corpo de Bombeiros e o governo estadual como integrar os carregadores de forma segura e viável, sem criar barreiras que desestimulem a adoção da tecnologia. É fundamental alinhar inovação, custo e regulamentação para garantir que essa transição seja feita de maneira responsável e sustentável”, reforçou Gauer.
Participaram do painel representantes do Secovi, Sinduscon e Corpo de Bombeiros, discutindo a viabilidade técnica e a segurança das operações, além de estratégias para integrar carregadores às edificações urbanas de forma eficiente.



