Tecnologia conecta pequenas plantas solares por inteligência artificial e promete eficiência, otimização e expansão do setor fotovoltaico no Brasil
A geração distribuída no Brasil já ultrapassa 41 GW de capacidade instalada, com um crescimento anual de cerca de 25%, segundo dados do setor. Esse modelo, que permite que pequenas usinas produzam energia próxima ao ponto de consumo, vem se consolidando como um pilar da transição energética brasileira.
Agora, o setor se prepara para a implementação das usinas virtuais, também conhecidas como Virtual Power Plants (VPPs). Trata-se de uma tecnologia que conecta múltiplas plantas menores para operarem como se fossem uma única unidade integrada, coordenada por softwares avançados e inteligência artificial.
“As usinas virtuais permitem que pequenas plantas solares trabalhem de forma coordenada, aumentando a eficiência e reduzindo custos operacionais. Esse modelo cria uma infraestrutura inteligente que pode transformar o mercado de geração distribuída no Brasil”, destaca Wesley Ferreti, Head de Soluções Digitais na Automa.
SunOp e a tecnologia brasileira que conecta usinas
A empresa brasileira Automa, especializada em softwares para o setor elétrico, já prepara sua plataforma SunOp para operar nesse novo cenário. Atualmente, a plataforma monitora 250 MW de geração distribuída no país, integrando mais de 80 usinas solares.
O sistema combina inteligência artificial e automatismos de religamento, gerenciando plantas solares de forma autônoma e otimizada. Essa abordagem permite que, no futuro próximo, as VPPs brasileiras funcionem de forma eficiente, oferecendo flexibilidade e segurança à operação do sistema elétrico.
Experiência internacional: lições da Alemanha e Austrália
As usinas virtuais já são uma realidade em países como Alemanha e Austrália, onde têm se mostrado uma solução eficaz para a integração de geração distribuída. Além de melhorar a eficiência energética, as VPPs possibilitam controle remoto de grandes volumes de geração pulverizada, tornando a operação mais segura e econômica.
Especialistas afirmam que o Brasil, com sua expansão acelerada de energia solar e políticas de incentivo à geração distribuída, está bem posicionado para adotar esse modelo com sucesso, trazendo benefícios tanto para o setor elétrico quanto para consumidores residenciais e comerciais.
Mercado de VPPs no Brasil e perspectivas futuras
De acordo com estudo da Cognitive Market Research, o mercado brasileiro de VPPs foi avaliado em US$ 41,76 milhões em 2024. A previsão é de crescimento contínuo nos próximos anos, impulsionado por fatores como:
- Aumento da adoção de recursos energéticos distribuídos, incluindo painéis solares e baterias;
- Necessidade de modernização da infraestrutura elétrica para atender à crescente demanda por energia renovável;
- Busca por redução de custos operacionais e maior eficiência energética.
“O Brasil tem um grande potencial para VPPs, não apenas pela expansão solar, mas também pela capacidade de inovação tecnológica do setor. Esse modelo pode mudar a forma como geramos, distribuímos e consumimos energia no país”, conclui Ferreti.



