Projeto de 724 km em linhas de transmissão de 500 kV conecta Amazonas a Roraima, garante receita anual superior a R$ 561 milhões e amplia a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN)
A Alupar Investimento S.A. e a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte) deram um passo importante para a infraestrutura energética brasileira. A Transnorte Energia S.A. (TNE), controlada em conjunto pelas duas companhias, recebeu do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a autorização para início da operação comercial de suas instalações de transmissão, que já estão disponíveis para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
A decisão, emitida nesta segunda-feira (16/09), confere à TNE o direito ao recebimento de Receita Anual Permitida (RAP) a partir de 16 de setembro de 2025, consolidando um dos maiores empreendimentos de transmissão da Região Norte.
Um projeto estratégico para a segurança energética
O empreendimento da TNE é composto por 724 quilômetros de linhas de transmissão em 500 kV, em circuito duplo, interligando a subestação Engenheiro Lechuga, no Amazonas, à nova subestação Equador e à subestação Boa Vista, em Roraima.
Com RAP de R$ 561,7 milhões para o ciclo tarifário 2025/2026, o projeto representa um marco para a integração energética da Amazônia, conectando o estado de Roraima ao SIN e garantindo maior confiabilidade no fornecimento de energia para a região. Até então, Roraima era o único estado brasileiro que não estava totalmente integrado à rede nacional, dependendo em parte de geração térmica local e de importações da Venezuela.
Importância para o Sistema Interligado Nacional
A autorização do ONS para a operação comercial confirma que as instalações estão prontas para contribuir com a estabilidade e a segurança do SIN, permitindo maior flexibilidade no despacho de energia e reduzindo custos operacionais relacionados ao atendimento da demanda em regiões isoladas.
Para o mercado, a entrada em operação da TNE representa um avanço significativo, uma vez que amplia a capacidade de transmissão entre os estados do Amazonas e de Roraima, viabilizando novos investimentos em geração renovável e fortalecendo a confiabilidade da rede em áreas estratégicas da Amazônia.
Receita assegurada e retorno para os investidores
De acordo com o comunicado ao mercado, a TNE passa a receber Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 561.697.027,21 referente ao ciclo tarifário 2025/2026. Esse montante é fundamental para garantir o retorno dos investimentos realizados e reforça a atratividade do projeto no contexto do setor elétrico brasileiro.
A RAP é um mecanismo regulatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) que assegura a remuneração das concessionárias de transmissão pela disponibilidade das instalações, independentemente da quantidade de energia efetivamente transportada.
Contexto e próximos desafios
A conclusão da linha de transmissão da TNE é resultado de anos de planejamento, licenciamento ambiental e execução de obras em uma das regiões mais desafiadoras do país, caracterizada por áreas de floresta densa e logística complexa. O projeto é considerado essencial não apenas para a segurança energética, mas também para o desenvolvimento econômico e social de Roraima, que passa a contar com uma infraestrutura robusta para atender o crescimento da demanda por energia nos próximos anos.
Com a operação comercial autorizada, o próximo passo é acompanhar a estabilização do sistema e os impactos positivos para os consumidores locais, que devem se beneficiar de uma matriz mais estável, limpa e competitiva, reduzindo a dependência de termelétricas a óleo diesel – historicamente mais caras e poluentes.
Integração energética: um avanço para o Brasil
A entrada em operação da Transnorte Energia é mais do que um marco para a Alupar e a Eletronorte: representa uma conquista para todo o setor elétrico brasileiro, ao consolidar a interligação completa do território nacional ao SIN.
Essa integração fortalece a resiliência da matriz energética e permite maior aproveitamento dos recursos renováveis do país, como a energia hidrelétrica e a geração solar em expansão.



