Operador Nacional do Sistema ajusta previsões para demanda e afluências, indicando menor queda no consumo, mas reforçando alerta para condições hidrológicas nas principais bacias do país
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, nesta sexta-feira (19), seu mais recente boletim de acompanhamento do setor, trazendo importantes revisões para as projeções de carga de energia elétrica e afluências hidrológicas no mês de setembro. Os novos números apontam para uma queda de 1,9% na carga do Sistema Interligado Nacional (SIN), chegando a 79.678 megawatts médios, resultado levemente melhor do que a retração de 2,3% prevista na semana anterior.
Segundo o órgão, a melhora na projeção de demanda reflete uma leve recuperação do consumo em algumas regiões, ainda que o cenário continue influenciado por fatores como temperaturas mais amenas, sazonalidade e comportamento do mercado de energia.
Ajustes nas afluências e alerta para o Sul
Em contrapartida, o ONS revisou para baixo as estimativas de chuvas que devem chegar às usinas hidrelétricas da região Sul ao longo do mês. As chamadas afluências, que representam a energia natural afluente (ENA), foram recalculadas para 92% da média histórica, ante os 119% previstos na semana anterior. Essa redução indica que a expectativa de chuvas na região está mais baixa, o que pode impactar a recuperação dos reservatórios.
O boletim também trouxe ajustes para outras regiões do país. No Sudeste/Centro-Oeste, a projeção passou de 59% para 60% da média histórica, enquanto no Nordeste houve queda de 47% para 44%. Para o Norte, a estimativa foi mantida em 60%.
Reservatórios em níveis controlados
Apesar das variações nas afluências, o nível de armazenamento do Sudeste/Centro-Oeste, considerado o principal subsistema para a geração de energia do Brasil, deve encerrar setembro em 51,1%, ligeiramente abaixo dos 51,6% previstos na semana anterior. Essa região concentra grande parte das hidrelétricas de acumulação, que funcionam como uma espécie de “bateria natural” para o sistema elétrico nacional.
Especialistas avaliam que, embora a revisão das chuvas no Sul exija atenção, os níveis atuais de reservatórios ainda garantem segurança operativa, principalmente com o reforço das termelétricas e da geração renovável complementar, como eólica e solar.
Contexto de mercado e planejamento
Os dados do ONS são fundamentais para orientar a operação do sistema elétrico e as estratégias de comercialização de energia no mercado livre. A projeção de carga é um indicador importante para distribuidoras, geradores e comercializadores, pois influencia a programação da geração, o despacho de usinas e o equilíbrio entre oferta e demanda.
Analistas destacam que, mesmo com a leve melhora na expectativa de consumo, o quadro ainda é de cautela, especialmente diante da volatilidade climática. Episódios de estiagem ou chuvas abaixo da média podem alterar rapidamente o cenário, exigindo ajustes de curto prazo na operação do sistema.
Perspectivas para o restante do ano
Com a proximidade do período úmido, que geralmente começa a partir de outubro, a expectativa é de melhora gradual das afluências, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis pela maior parte da geração hidrelétrica do Brasil. Ainda assim, o ONS alerta que a transição entre a seca e a estação chuvosa deve ser acompanhada com atenção, para garantir o atendimento à crescente demanda do final de ano.



