Sensor inovador desenvolvido por Unicamp e UnB avança em testes internacionais e se aproxima de aplicação industrial

Dispositivo não-invasivo mede fração gás-líquido em dutos e promete otimizar operações, reduzir custos e aumentar a segurança na indústria de petróleo.

Uma parceria entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por meio do Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO), e a Universidade de Brasília (UnB) está prestes a transformar a forma como a indústria de petróleo monitora seus escoamentos. O projeto desenvolveu um sensor não-invasivo capaz de medir, a partir da vibração de dutos, a fração de gás e líquido em fluxos multifásicos, uma informação estratégica para otimizar operações, reduzir desperdícios e aumentar a segurança operacional.

A Petrobras, que encomendou o desenvolvimento da tecnologia, considera essa medição prioritária para superar desafios estratégicos em produção, transporte e refino. Diferentemente de métodos tradicionais, o sensor clamp-on é instalado externamente ao duto, sem contato direto com o fluido, eliminando riscos associados a sondas radioativas ou equipamentos internos.

Avanço significativo no nível de prontidão tecnológica

O projeto alcançou níveis avançados de TRL (Technology Readiness Level), graças a testes em condições muito próximas às de plantas industriais. Segundo o professor Marcelo Souza de Castro, diretor do CEPETRO e coordenador do projeto, “Conseguimos testar a tecnologia em condições inéditas, muito próximas às de uma planta real, chegando a 110 bar de pressão com diferentes fluidos e vazões elevadas. Isso nos permite sair de um TRL de bancada (3 ou 4) para níveis de 5 ou 6, já em ambiente próximo ao de campo”.

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Os testes foram realizados em parceria com a Expro, empresa global de serviços para energia, contratada pela Petrobras. Após avaliar diferentes tecnologias, a Expro optou pela patente desenvolvida pela Unicamp em colaboração com a UnB, visando transformar a pesquisa acadêmica em produto comercial.

Inovação acadêmica com aplicação prática

O sensor resultou de extensas pesquisas, incluindo a dissertação de mestrado de Adriano Todorovic Fabro, da UnB, que levou à patente depositada no Brasil e nos Estados Unidos. Fabro destaca que “O sensor é do tipo clamp-on, instalado por fora do duto, sem necessidade de contato com o fluido, o que representa uma alternativa muito mais segura e menos invasiva do que métodos tradicionais baseados em sondas radioativas”.

Ele também ressalta o caráter deep tech do projeto: “Foi a primeira vez que mostramos, na literatura, a relação entre a fração de gás-líquido e o comportamento de vibração em dutos. Isso abre caminho para aplicações práticas com grande impacto”.

Testes internacionais validam eficácia

O sensor passou por ensaios no National Engineering Laboratory TÜV SÜD, em Glasgow, Escócia, permitindo testar tubulações de até 10 polegadas sob altas pressões, simulando cenários offshore que não poderiam ser reproduzidos no Brasil. Castro explica: “Os resultados preliminares foram muito animadores e reforçam o interesse da Petrobras e da Expro em avaliar a transformação da pesquisa em produto comercial”.

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O avanço é significativo não apenas do ponto de vista tecnológico, mas também regulatório, pois demonstra que o sensor já pode atender às normas de segurança e operação de plataformas de petróleo.

Universidade e indústria: um modelo de cooperação

Para os pesquisadores, o projeto também é um exemplo de fortalecimento da relação entre universidade e indústria. “No Brasil, ainda temos dificuldade em transformar descobertas acadêmicas em produtos. Atrair o interesse de uma multinacional do porte da Expro mostra a relevância do que estamos desenvolvendo”, afirma Castro.

Fabro complementa: “A universidade desempenha papel essencial em reduzir o risco tecnológico para a indústria, oferecendo soluções inovadoras a partir de pesquisa científica robusta. Nesse caso, conseguimos não apenas gerar artigos e patentes, mas também avançar na direção de aplicações concretas”.

Com essa inovação, a Unicamp e a UnB não apenas contribuem para a eficiência e segurança da indústria de petróleo, mas também fortalecem o ecossistema de inovação tecnológica no Brasil, criando um modelo replicável para futuras pesquisas aplicadas.

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