Novos Fact Sheets analisam riscos climáticos para as duas principais fontes renováveis do país e indicam medidas para fortalecer a resiliência do sistema elétrico
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou nesta semana dois novos Fact Sheets da série dedicada a avaliar os impactos das mudanças climáticas sobre o setor elétrico brasileiro. Os documentos concentram-se na geração eólica e solar, fontes que vêm ganhando protagonismo na matriz elétrica e que, por dependerem diretamente de variáveis climáticas, estão entre as mais vulneráveis às transformações do planeta.
A publicação faz parte da segunda etapa do “Roadmap para Fortalecimento da Resiliência do Setor Elétrico em resposta às Mudanças Climáticas”, que integra a ação de curto prazo CP17 do Plano de Recuperação dos Reservatórios de Regularização de Usinas Hidrelétricas (PRR).
Na primeira fase, a EPE já havia lançado uma Nota Técnica e um caderno-síntese, que trouxeram uma ampla revisão bibliográfica sobre a relação entre clima e geração elétrica. Agora, os novos documentos aprofundam o debate com foco na produção de energia a partir do vento e da radiação solar.
Eólica e solar: fontes em crescimento acelerado
Nos últimos anos, o Brasil registrou forte expansão da capacidade instalada de eólicas e solares, consolidando-se como uma das matrizes mais renováveis do mundo. Apenas em 2024, essas duas fontes ocuparam a segunda e terceira posição entre as maiores geradoras de eletricidade do país, ficando atrás apenas da hidreletricidade.
Essa participação crescente traz benefícios, como a diversificação da matriz e o avanço da transição energética, mas também impõe desafios. Por dependerem de regimes de ventos e de irradiação solar, ambas estão sujeitas às incertezas climáticas e precisam de monitoramento constante.
Oportunidades e riscos no horizonte climático
De acordo com as projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e do Plano Clima, parte do território brasileiro deve registrar aumento nos ventos de superfície e na irradiação solar, o que pode significar ganhos na produção de energia renovável.
Por outro lado, os cenários climáticos também apontam riscos relevantes. Alterações no padrão de ventos ou períodos de maior nebulosidade podem comprometer a regularidade da geração, afetando o equilíbrio do sistema elétrico.
“Apesar das incertezas associadas aos cenários climáticos, compreender como as mudanças climáticas podem afetar o sistema elétrico é fundamental para subsidiar o planejamento da expansão com foco no aumento da resiliência”, destaca a EPE nos documentos.
Planejamento com foco na resiliência
Os Fact Sheets publicados pela EPE reúnem dados atualizados, apontam lacunas de conhecimento e apresentam recomendações estratégicas. Entre elas, destacam-se:
- Investimento em modelagens climáticas de alta resolução, para antecipar riscos regionais.
- Desenvolvimento de tecnologias de armazenamento que possam compensar eventuais variações na produção solar e eólica.
- Integração cada vez maior entre fontes renováveis e hidrelétricas, ampliando a flexibilidade do sistema.
- Incentivo a práticas de gestão adaptativa, com revisões periódicas nos critérios de expansão da geração.
Essas medidas visam aumentar a capacidade de resposta do sistema elétrico frente às oscilações climáticas, garantindo segurança de suprimento e preços mais estáveis para os consumidores.
Energia limpa em um cenário de mudanças globais
A análise reforça que o avanço das fontes eólica e solar deve vir acompanhado de políticas públicas e estratégias de mercado voltadas à adaptação climática. Nesse sentido, os Fact Sheets da EPE funcionam como instrumentos de apoio ao planejamento energético nacional, ao indicar tanto oportunidades quanto vulnerabilidades.
O setor elétrico brasileiro, altamente dependente de recursos naturais, precisa se preparar para um futuro em que o impacto das mudanças climáticas será cada vez mais perceptível. A avaliação contínua dessas variáveis será determinante para que o país mantenha sua liderança em energia renovável e assegure uma matriz segura, sustentável e resiliente.



