Seminário no Congresso destacou o papel de lítio, níquel, grafita e terras raras para viabilizar energias limpas e reforçou o potencial brasileiro em liderar o setor com inovação e sustentabilidade
A transição energética global não é apenas um desafio climático, mas também uma disputa geopolítica em torno de recursos cada vez mais valorizados: os minerais estratégicos. Na última quinta-feira (11), o Ministério de Minas e Energia (MME) participou do seminário “Minerais críticos e a crise climática: oportunidades, impactos, desafios e riscos”, promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.
O evento reuniu representantes do governo, academia, setor privado e sociedade civil para discutir o papel desses insumos na construção de uma economia de baixo carbono. Entre os protagonistas do debate estavam minerais como lítio, níquel, grafita e terras raras, essenciais para tecnologias que sustentam a transição energética – baterias, turbinas eólicas e painéis solares.
Minerais estratégicos em alta demanda
Representando o MME, o coordenador-Geral de Minerais Estratégicos e Transição Energética do Setor Mineral, Gustavo Masili, ressaltou os fatores que colocam esses recursos no centro da pauta internacional.
“A modernização impulsionada pela transição energética, que demanda cada vez mais minerais estratégicos, somada ao crescimento no consumo de equipamentos e tecnologias, vem ampliando de forma significativa a necessidade por esses insumos e até criando mercados para minerais que antes não tinham relevância. Os carros elétricos são um exemplo claro: além de expandirem a demanda, exigem o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas. Diante desse cenário, o mundo precisa urgentemente aumentar a oferta global de minerais estratégicos, e o Brasil está preparado para contribuir de maneira decisiva, não apenas fornecendo esses recursos, mas também agregando valor à sua produção”, afirmou.
Segundo especialistas presentes no encontro, a demanda por minerais críticos não deve desacelerar nas próximas décadas. A corrida pela eletrificação dos transportes, pela descarbonização da indústria e pela expansão das fontes renováveis torna esses insumos cada vez mais estratégicos.
Brasil: reservas abundantes e energia limpa
O Brasil aparece em posição privilegiada nesse cenário. O país dispõe de reservas expressivas de minerais estratégicos, além de contar com uma das matrizes energéticas e elétricas mais limpas entre as grandes economias globais. Esse diferencial coloca a nação como ator central para contribuir tanto na mitigação das mudanças climáticas quanto no fortalecimento de cadeias de suprimento seguras e sustentáveis.
No Congresso, um dos destaques foi o projeto Lítio Verde, já aprovado na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado. A proposta busca estimular a agregação de valor à cadeia produtiva, incentivando que o Brasil não seja apenas exportador de matéria-prima, mas desenvolvedor de tecnologias e soluções energéticas baseadas em seus recursos naturais.
Do fornecimento à liderança sustentável
A expansão da mineração, porém, não pode ignorar os riscos socioambientais. A mensagem reforçada durante o seminário é que os países detentores de grandes reservas precisam evitar repetir o modelo histórico de simples exportação de commodities.
Para isso, será necessário combinar inovação tecnológica, industrialização e criação de cadeias de valor que tragam desenvolvimento econômico, inclusão social e proteção ambiental. Esse equilíbrio é visto como o caminho para transformar a riqueza mineral em motor de um futuro sustentável.
Políticas públicas
O debate realizado no Parlamento reforçou a importância de alinhar estratégias de mineração com as metas climáticas globais e com os compromissos assumidos pelo Brasil em acordos internacionais. A expectativa é que as discussões ajudem a orientar a formulação de políticas públicas, regulamentos e programas de incentivo capazes de colocar o país na vanguarda da nova economia energética.
Mais do que um desafio, a questão dos minerais estratégicos se consolida como uma oportunidade única para o Brasil ampliar sua relevância global. A partir da combinação entre recursos abundantes, matriz energética limpa e capacidade tecnológica, o país pode liderar a construção de um modelo de desenvolvimento mais justo, inclusivo e alinhado ao combate à crise climática.



