Geração distribuída cresce em ritmo acelerado, com destaque para o setor residencial, e coloca São Paulo, Minas Gerais e Bahia na liderança de instalações. Centro-Oeste se consolida como a região mais solarizada do país.
O avanço da energia solar no Brasil segue em trajetória robusta, consolidando-se como uma das principais alternativas de geração limpa e descentralizada. Entre janeiro e julho de 2025, o país registrou 500 mil novos sistemas de geração solar distribuída, segundo dados do Infográfico Solfácil, levantamento mensal elaborado pela Solfácil, maior ecossistema de soluções solares da América Latina, com base em informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Com o resultado, o Brasil alcançou a marca de 3,75 milhões de projetos em operação, o que representa 7% de todas as unidades consumidoras com geração própria, um marco que reforça a rápida adesão da tecnologia fotovoltaica.
Residências lideram expansão da energia solar
O crescimento é puxado principalmente pelo setor residencial, responsável por 82% das instalações registradas no período.
Os pequenos projetos, com capacidade entre 3 e 6 kilowatts-pico (kWp), potência suficiente para abastecer uma casa média, ganham destaque especial. Em 2017, eles representavam 35% das conexões; hoje, já alcançam 46%, demonstrando que o investimento em sistemas de menor porte é a principal porta de entrada para a transição energética dos consumidores.
O setor comercial responde por 8% das conexões, mesmo percentual do setor rural. Já o segmento industrial representa apenas 1% do total, evidenciando ainda um espaço considerável para crescimento em empresas de maior porte.
Para Fabio Carrara, CEO e fundador da Solfácil, os números mostram que a energia solar segue sendo altamente competitiva. “O retorno sobre o investimento da energia solar é rápido, normalmente em menos de três anos, e a conta de luz não para de subir”, afirma o executivo.
São Paulo, Minas Gerais e Bahia puxam crescimento estadual
O levantamento da Solfácil também aponta os estados que mais expandiram sua capacidade solar nos últimos 12 meses. São Paulo lidera com 143 mil novos sistemas, seguido por Minas Gerais (69 mil) e Bahia (62 mil).
O ranking ainda conta com Paraná (58 mil), Mato Grosso (56 mil), Rio Grande do Sul (52 mil), Pará (40 mil), Pernambuco (39 mil), Goiânia (39 mil) e Rio de Janeiro (36 mil), consolidando a abrangência nacional da energia solar.
Centro-Oeste é a região mais solarizada do Brasil
Do ponto de vista regional, o Centro-Oeste se destaca como líder proporcional em geração solar distribuída. Atualmente, 9,5% das unidades consumidoras da região utilizam energia solar.
Na sequência, aparecem Sul (7,6%), Norte (5,6%), Sudeste (5,2%) e Nordeste (5,1%). Esses números refletem o impacto das políticas estaduais de incentivo, o perfil de consumo de energia e a maior disponibilidade de áreas para instalação dos sistemas fotovoltaicos.
Energia solar no Brasil: desafios e perspectivas
O crescimento expressivo da energia solar no Brasil ocorre em paralelo a alguns desafios estruturais. O principal deles é a necessidade de expansão da rede de transmissão, para dar suporte ao crescimento acelerado da geração descentralizada. Além disso, questões regulatórias, como a compensação de créditos de energia elétrica, seguem em debate e podem impactar a velocidade de adesão de novos consumidores.
Ainda assim, a tendência é de forte expansão contínua, sustentada pela alta dos preços da eletricidade no mercado regulado e pela queda nos custos dos equipamentos solares. O relatório também destaca o papel dos financiamentos, que se tornaram mais acessíveis nos últimos anos, permitindo que famílias e pequenos negócios façam a transição energética.
Ranking de cidades e próximos passos
O Infográfico Solfácil também revelou as 20 cidades brasileiras com mais instalações de energia solar nos últimos 12 meses, demonstrando a pulverização da tecnologia pelo território nacional. O levantamento detalhado será divulgado ao longo do segundo semestre, mas já aponta para o protagonismo de municípios de médio porte, especialmente em regiões de maior irradiação solar.
Para especialistas do setor, a meta é clara: ampliar ainda mais a penetração da geração distribuída e transformar o Brasil em um dos principais mercados solares do mundo, consolidando a fonte como estratégica para a segurança energética e para o cumprimento das metas climáticas do país.



