Primeira variação negativa do IPCA em 2025 foi influenciada pelo “Bônus de Itaipu” e recuos em alimentos e transportes, resultando na maior deflação desde setembro de 2022
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,11% em agosto, conforme divulgou nesta quarta-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da primeira variação negativa do índice em 2025 e também da maior deflação registrada desde setembro de 2022, quando o índice recuou 0,29% em meio à redução de impostos promovida pelo governo Jair Bolsonaro.
O resultado interrompeu a sequência de aumentos da inflação e contribuiu para desacelerar o índice acumulado em 12 meses, que passou de 5,23% em julho para 5,13% em agosto. Apesar da trégua, o IPCA ainda permanece acima do limite superior da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 4,5%. O centro da meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Energia elétrica como fator decisivo
O principal responsável pela deflação de agosto foi a queda nas tarifas de energia elétrica, que recuaram 4,21% no período. A redução foi impulsionada pelo chamado “Bônus de Itaipu”, mecanismo que promoveu descontos temporários para consumidores brasileiros.
Segundo o IBGE, o benefício impactou 80,8 milhões de consumidores, refletindo diretamente na queda do índice. “O Bônus de Itaipu ajudou a aliviar o bolso das famílias e contribuiu de forma decisiva para a deflação de agosto”, destaca o instituto.
Além da energia, recuos nos preços de alimentos e transportes também colaboraram para o resultado. Entre os alimentos, destacaram-se quedas em itens como arroz, óleo de soja e carnes, enquanto o setor de transportes foi beneficiado pela estabilidade nos preços de combustíveis e tarifas de transporte público em algumas regiões.
Comparativo histórico e contexto recente
A deflação de agosto marca um ponto de inflexão em relação aos meses anteriores. Em 2025, o IPCA vinha registrando variações positivas, mantendo a inflação acima do centro da meta. A última variação negativa havia sido registrada em agosto de 2024, quando o índice recuou 0,02%.
A magnitude da deflação atual, embora pequena, é significativa por representar a maior queda em quase três anos. Economistas destacam que esse resultado temporário reflete não apenas fatores conjunturais, como o Bônus de Itaipu, mas também a influência de políticas públicas, oferta de energia e dinâmica de preços de alimentos.
Impactos para consumidores e políticas econômicas
Para os consumidores, a deflação representa alívio no orçamento familiar, especialmente considerando que energia elétrica é uma das despesas mais expressivas para famílias brasileiras. A redução temporária nos custos pode gerar maior consumo em outros setores da economia, estimulando atividade econômica em curto prazo.
Por outro lado, especialistas alertam que a deflação não altera o cenário de longo prazo, já que o IPCA continua acima da meta central do CMN. Isso mantém o desafio de equilibrar políticas monetárias com a necessidade de controlar preços e garantir previsibilidade econômica.
O que esperar para os próximos meses
A continuidade da deflação dependerá de fatores como políticas tarifárias, variação cambial, custo de combustíveis e oferta de alimentos. O mercado observa com atenção se o Bônus de Itaipu terá desdobramentos em setembro ou se a inflação retomará trajetória positiva nos próximos meses.
Economistas afirmam que, apesar da trégua momentânea, é cedo para afirmar que a inflação brasileira entrou em tendência de queda sustentada. Medidas estruturais, incluindo investimentos em energia, logística e produção agrícola, serão determinantes para manter o IPCA dentro da meta nos próximos períodos.



