Operação marca nova etapa na gestão do combustível nuclear, amplia vida útil das piscinas de armazenamento em 20 anos e reforça segurança energética do país
A Eletronuclear iniciou no último domingo, 31 de agosto, a segunda campanha de transferência de combustíveis usados da usina nuclear Angra 1 para a Unidade de Armazenamento Complementar a Seco (UAS). A movimentação, que começou às 19h, representa um marco na gestão do combustível nuclear no Brasil e deve durar cerca de quatro meses, movimentando intensamente o canteiro da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis (RJ).
O projeto é considerado estratégico para assegurar a continuidade da operação da usina, já que libera espaço nas piscinas de combustível, além de alinhar o Brasil às melhores práticas internacionais em segurança e armazenamento nuclear.
O início da operação
Na primeira semana da campanha, foi realizado o carregamento do primeiro MPC (Multi-Purpose Canister), com 37 elementos combustíveis. Após o preenchimento, a tampa do cânister foi soldada e, em seguida, iniciaram-se as etapas de drenagem da água e secagem interna — processos indispensáveis para garantir total segurança no armazenamento.
Todo o procedimento acontece dentro do Edifício do Combustível de Angra 1, em área controlada. Lá, os elementos nucleares são preparados para o armazenamento definitivo. Depois de tratados, são acondicionados temporariamente em um casco metálico chamado Hi-Trac. Na sequência, passam para o Hi-Storm, estrutura de aço e concreto projetada para resistir a impactos externos e fenômenos naturais, onde permanecerão na UAS.
Segurança e continuidade operacional
O coordenador da segunda campanha da UAS, Júlio César dos Santos, explicou a importância da ação para a gestão do combustível nuclear.
“Com essa ação, os combustíveis usados serão transferidos para cascos de aço e concreto, aumentando a vida útil da piscina de Angra 1 em 20 anos”, destacou.
Esse processo garante que a usina mantenha capacidade de receber novos elementos combustíveis necessários à operação contínua de geração de energia elétrica, reforçando a confiabilidade do sistema elétrico nacional.
Planejamento até 2045
A atual etapa é dedicada exclusivamente aos combustíveis da usina Angra 1, em continuidade ao trabalho iniciado em 2023, quando foram transferidos os elementos de Angra 2. Com isso, a Eletronuclear segue um planejamento de longo prazo, que prevê o gerenciamento seguro dos materiais até o ano de 2045.
Na primeira campanha, foram transferidos 15 módulos. Já nesta nova fase, a expectativa é que sejam armazenados 48 Hi-Storms no total, aumentando a capacidade e garantindo que não haja gargalos na operação das usinas.
Importante destacar que os combustíveis usados não são classificados como rejeitos radioativos. Eles ainda possuem potencial energético e podem ser reaproveitados no futuro em programas de reprocessamento, a exemplo do que já acontece em países como França, Rússia e Japão.
Relevância internacional e tecnológica
O armazenamento a seco de combustível nuclear é reconhecido internacionalmente como uma das formas mais seguras e eficientes de gerenciar o material após seu uso inicial. Diferentemente do armazenamento em piscinas, que depende da circulação constante de água para resfriamento, o modelo a seco oferece maior robustez estrutural, menor necessidade de manutenção e proteção adicional contra riscos externos.
Além disso, a operação aproxima o Brasil das práticas consolidadas em países que já possuem tradição no setor nuclear, como Estados Unidos e Alemanha, reforçando o compromisso com padrões de excelência em segurança nuclear.
Contribuição para a segurança energética do Brasil
A expansão da UAS é fundamental não apenas para Angra 1, mas para a estratégia nuclear brasileira como um todo. O armazenamento seguro do combustível usado garante que as usinas operem sem interrupções, contribuindo para a estabilidade do fornecimento de energia elétrica no país.
As usinas de Angra 1 e 2 já representam parcela significativa da geração elétrica no estado do Rio de Janeiro, oferecendo energia de base, estável e livre de emissões de gases de efeito estufa. Com a futura entrada de Angra 3, a gestão adequada dos combustíveis se torna ainda mais relevante para o equilíbrio da matriz elétrica nacional.



