Tecnologia pioneira no setor elétrico brasileiro busca combater crimes que já deixaram mais de 105 mil clientes sem luz em 2025
O furto de cabos da rede elétrica tornou-se um dos principais desafios para as distribuidoras de energia no Brasil, afetando diretamente a confiabilidade do fornecimento e onerando os consumidores. Apenas em 2025, mais de 105 mil clientes da CEEE Equatorial sofreram com interrupções provocadas por essa prática criminosa.
Para enfrentar o problema, a companhia anunciou a adoção de uma solução inédita no setor elétrico brasileiro: o uso de nanotecnologia para rastrear cabos furtados, mesmo quando sua identificação original é destruída.
Nanotecnologia contra o crime
A tecnologia, também utilizada pelo Exército Brasileiro no controle de explosivos, cria uma espécie de identidade única nos cabos. Com isso, mesmo após queimados, raspados ou derretidos, os materiais podem ser rastreados e vinculados à distribuidora.
“A Tecnologia Integrada de Rastreabilidade cria uma espécie de DNA nos cabos elétricos. Com uma caneta laser, é possível identificar se o material pertence à CEEE Equatorial, mesmo que tenha sido queimado, raspado ou derretido”, explica Johnathan da Costa, gerente corporativo de Segurança Empresarial da Equatorial.
A implantação começou em subestações localizadas em áreas de maior incidência de furtos, como bairros da capital gaúcha e cidades litorâneas. Segundo a empresa, todos os novos materiais destinados à manutenção e renovação da rede já saem dos depósitos com a nanotecnologia aplicada.
Escala do problema
Entre janeiro e agosto de 2025, a CEEE Equatorial registrou mais de 3,9 mil ocorrências de falta de energia relacionadas a furtos ou tentativas de furto de cabos. Isso equivale a uma média de 16 casos por dia, com maior impacto em regiões como Rio Grande, Capão da Canoa e Porto Alegre.
“Estamos investindo no que há de mais moderno para enfrentar esse problema”, salientou o presidente da CEEE Equatorial, Riberto Barbanera.
A companhia reforça que os furtos não apenas afetam diretamente os consumidores, mas também aumentam os custos de reposição e manutenção. Esses custos adicionais, no longo prazo, acabam impactando as tarifas de energia elétrica.
“Infelizmente, em 2025 os furtos já representaram a interrupção para mais de 105 mil clientes. Isso causa transtornos à população e gera necessidade de reposições e manutenções que, no futuro, impactam diretamente na tarifa paga pelo consumidor”, lamentou Barbanera.
Integração com forças de segurança
A nanotecnologia é parte de um conjunto mais amplo de medidas contra os furtos. A equipe de Segurança Patrimonial da CEEE Equatorial atua em parceria com a Secretaria da Segurança Pública, a Brigada Militar e a Polícia Civil. Em 2025, foram realizadas 64 operações, conhecidas como Operações Fios e Cabos, que resultaram na prisão de 46 pessoas por receptação.
De acordo com a empresa, a rastreabilidade dos cabos fortalece a atuação policial, já que permite comprovar a origem ilícita dos materiais apreendidos em depósitos e ferros-velhos.
Legislação mais rigorosa
Além dos investimentos tecnológicos e da cooperação com autoridades, a distribuidora conta agora com o respaldo de uma legislação mais severa. A Lei nº 15.181, sancionada em 28 de julho de 2025, endureceu as punições para crimes relacionados ao furto e à receptação de fios, cabos e equipamentos usados em serviços essenciais.
A pena para furto qualificado de cabos elétricos passou a variar entre dois e oito anos de reclusão, além de multa. Já o roubo de materiais que comprometa serviços públicos essenciais pode resultar em seis a 12 anos de prisão. Para receptação simples, a pena pode chegar a quatro anos, enquanto a receptação qualificada pode alcançar oito anos — podendo ser dobrada, chegando a até 16 anos, quando envolver bens ligados a serviços essenciais.
Inovação e segurança para o futuro do setor elétrico
O investimento em nanotecnologia da CEEE Equatorial é pioneiro no Brasil e coloca a companhia na vanguarda da segurança patrimonial no setor elétrico. A medida, somada ao fortalecimento das operações policiais e à nova legislação, busca reduzir significativamente a incidência de furtos, aumentar a qualidade do fornecimento e proteger os consumidores dos impactos financeiros decorrentes dessas práticas criminosas.
Combinando tecnologia de ponta, integração com autoridades e respaldo jurídico, a estratégia da CEEE Equatorial representa um modelo a ser observado por outras distribuidoras do país que enfrentam o mesmo desafio.



