Operador Nacional do Sistema Elétrico revisa projeções: retração de 2% no consumo e frustração das chuvas no Sul elevam atenção sobre reservatórios
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, nesta sexta-feira (5), novas estimativas para o desempenho do Sistema Interligado Nacional (SIN) no mês de setembro, indicando uma queda mais acentuada na carga de energia e um cenário hidrológico menos favorável no Sul. As projeções atualizadas reforçam a necessidade de monitoramento atento do setor elétrico, em meio a oscilações de demanda e incertezas climáticas.
Segundo o operador, a carga deverá recuar 2% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2024, atingindo 79.633 megawatts médios. Na semana anterior, a expectativa era de queda de apenas 1%. A revisão para baixo indica uma desaceleração mais forte do consumo, influenciada tanto pelo comportamento da atividade econômica quanto pelas temperaturas mais amenas no início da primavera.
Chuvas frustram expectativa no Sul
Outro ponto de destaque é a revisão para baixo das afluências hidrológicas no subsistema Sul. O ONS estima agora que as vazões que chegam às usinas hidrelétricas da região ficarão em 79% da média histórica em setembro, número bem inferior aos 109% previstos na semana passada. A mudança sinaliza frustração no regime de chuvas, que até então era visto como mais positivo.
Esse movimento é particularmente relevante porque o Sul vinha sendo considerado um importante suporte hídrico para o SIN nos últimos meses, contribuindo para aliviar pressões em outros subsistemas. Com a piora nas projeções, cresce a atenção sobre a capacidade de recuperação dos reservatórios.
Previsões por região
Além do Sul, o ONS também atualizou os números para os demais subsistemas:
- Sudeste/Centro-Oeste: 60% da média histórica em setembro (ante 61% na semana anterior).
- Nordeste: 46% da média (ante 47%).
- Norte: 60% da média (ante 61%).
Os índices reforçam a percepção de que setembro deve ser marcado por chuvas abaixo da média em praticamente todas as regiões, um dado que exige cautela em relação ao balanço energético para os próximos meses.
Reservatórios mantêm tendência de queda
O nível dos principais reservatórios do país, localizados no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por mais de 70% da capacidade de armazenamento do Brasil, também teve sua previsão revisada para baixo. O ONS projeta que o mês deve terminar com 51,8% do volume útil, contra 52,4% estimados na semana passada.
Ainda que o nível seja considerado confortável para este período do ano, a revisão negativa evidencia a influência direta da menor entrada de afluências e reforça a importância da gestão integrada do parque hidrelétrico e das demais fontes de geração.
Impactos e perspectivas para o setor elétrico
As revisões do ONS têm repercussões diretas no planejamento da operação do SIN e no mercado de energia. Uma carga menor pode reduzir a pressão sobre o despacho de usinas térmicas, mas a piora do cenário hidrológico gera dúvidas sobre a sustentabilidade dos níveis de reservatórios ao longo do período seco.
Especialistas avaliam que o equilíbrio entre oferta e demanda permanece garantido, mas destacam a importância de manter a diversificação da matriz energética. O crescimento das fontes renováveis, como solar e eólica, tem contribuído para reduzir a dependência hidrológica, mas as condições climáticas ainda desempenham papel central no planejamento do sistema.
A projeção de retração da carga também levanta discussões sobre o desempenho da economia e do setor industrial, que têm impacto direto no consumo de energia. Embora fatores climáticos expliquem parte da queda, analistas não descartam que a desaceleração da atividade esteja influenciando os números.



