Especialistas defendem ciência, participação social e renováveis como pilares de uma transição energética justa no Brasil e no mundo
No Dia da Amazônia, celebrado nesta sexta-feira (5), os holofotes se voltaram para a maior floresta tropical do planeta, não apenas como símbolo ambiental, mas como peça essencial para o equilíbrio climático global. A poucos meses da COP30, que será realizada em Belém (PA) no final deste ano, a região amazônica foi tema central de um webinar promovido pelo movimento Um Só Planeta, que reuniu especialistas para discutir a transição energética e o papel estratégico do bioma nas negociações internacionais.
O encontro virtual destacou pontos considerados fundamentais para o sucesso da agenda climática global: a valorização da ciência, a necessidade de ampliar a participação social nos processos decisórios, o protagonismo da juventude, o financiamento sustentável e o engajamento de governos e setor privado.
Amazônia como protagonista na transição energética
A Amazônia tem importância decisiva na regulação climática, mas também na busca por soluções energéticas sustentáveis. Para os especialistas, o Brasil pode transformar o bioma em um laboratório vivo de políticas públicas que conciliem desenvolvimento social, preservação ambiental e inovação tecnológica.
Segundo Mariana Espécie, assessora do Ministério de Minas e Energia, a COP30 em Belém representa uma oportunidade única para colocar esses temas em prática e dar um salto na construção de consensos internacionais sobre energia e clima.
“É importante ressaltar que esse é apenas um dos temas que vão ser discutidos na COP30. Existem várias camadas no processo da transição energética, e uma das questões mais urgentes é a inclusão energética, pois ainda temos milhões de pessoas no mundo que não têm acesso a serviços energéticos básicos. Aqui no Brasil, isso precisa mudar, com soluções apoiadas em fontes renováveis”, afirmou Mariana.
Justiça social e inclusão energética
A assessora reforçou que a transição energética não deve ser tratada apenas sob o viés tecnológico, mas também como um processo de justiça social. O desafio vai além da descarbonização: é garantir que comunidades tradicionais, povos indígenas e populações mais vulneráveis sejam beneficiadas pelas transformações do setor.
“Desde 2024, o governo começou a repaginar um pouco dessas discussões, e essas contribuições tomaram forma na importância da participação social nesses processos de planejamento energético, com tomadas de decisão voltadas nesse sentido. No ano passado, tivemos o lançamento da Política Nacional de Transição Energética e, por meio dela, institucionalizamos o Fórum Nacional, que reúne recomendações a partir de diversos olhares”, completou Mariana.
Essa perspectiva é vista como essencial para que o Brasil alcance um modelo energético mais democrático, inclusivo e sustentável.
O papel da ciência e das finanças sustentáveis
Os participantes do webinar também ressaltaram a centralidade da ciência como base para decisões de longo prazo. A produção de dados, o monitoramento de mudanças climáticas e a avaliação de impactos ambientais são considerados ferramentas indispensáveis para embasar políticas públicas robustas e atrair investimentos.
Nesse contexto, as finanças sustentáveis surgem como elemento estratégico. Para viabilizar a transição energética em larga escala, será necessário mobilizar recursos privados e públicos, com foco em projetos que conciliem retorno econômico e benefícios socioambientais. A Amazônia, com seu potencial em energias renováveis e biomassa, é vista como uma das regiões mais promissoras para atrair capital internacional.
Juventude e participação social
Outro ponto de destaque foi o papel da juventude e das organizações da sociedade civil na construção de um futuro climático seguro. O engajamento de novas gerações é apontado como motor para mudanças culturais e políticas mais profundas, capazes de pressionar governos e empresas a acelerar compromissos de descarbonização.
Para o movimento Um Só Planeta, a COP30 deve marcar um novo capítulo da governança global. A expectativa é que Belém se torne palco de um pacto histórico que una ciência, sociedade e inovação em torno de metas mais ambiciosas para conter o aquecimento global.



